Síria: Aviões turcos destruíram templo de Ain Dara

29/01/2018 04:35 - Modificado em 29/01/2018 04:36
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Aviões turcos destruíram o templo histórico de Ain Dara, pertencente à cultura sírio-hitita, com mais de 3.000 anos, localizado no enclave curdo de Afrin, no extremo noroeste da Síria, informou hoje o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Aorganização não-governamental (ONG) publicou na sua página do Facebook imagens e um vídeo do ataque ao templo que ficou praticamente reduzido a escombros, devido aos ataques aéreos em curso na zona da operação “Ramo de Oliveira”, contra as milícias curdas estacionadas no local.

A zona situa-se perto da fronteira com a Turquia, país que considera as milícias curdas como terroristas.

Sábado, o Observatório informou que aviões turcos bombardearam a zona de Ain Dara, sem dar mais pormenores sobre o estado daquele património histórico.

O templo de Ain Dara está construído sobre uma praça decorada com esfinges e leões, e foi descoberto durante uma campanha de escavações em meados do século XX.

Devido às diferentes ofensivas na Síria nos últimos sete anos, muitos sítios arqueológicos no país ficaram seriamente danificados ou destruídos, na sequência dos combates e/ou da presença de organizações extremistas.

Durante a primeira estada do Estado Islâmico (EI) na cidade histórica de Palmira, os terroristas dinamitaram os templos de Bel e Bal Shamin, o palco do teatro romano, o arco do triunfo e várias estátuas do museu da cidade.

“Os seis locais sírios classificados como património da Humanidade, incluindo Palmira e a lendária cidade de Alepo, uma das mais antigas do mundo, ficaram reduzidos a escombros”, recordou em novembro passado a organização das Nações Unidas, para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A destruição dos monumentos na Síria, no Iraque e noutros países levou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a aprovar este ano uma resolução para melhorar a proteção do património face a grupos terroristas como o EI.

Segundo o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, Rami Abdel Rahmane, a amplitude de destruição do templo ronda os 60 por cento.

Descoberto em 1982, o local ocupa 50 hectares e é conhecido pelos seus imponentes leões de basalto e pelas esculturas na pedra, referiu o antigo diretor-geral das Antiguidades e Museus Dírios, Maamoun Abdelkarim.

“Três mil anos de civilização destruídos num raide aéreo”, lamentou.

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