Santo Antão :  Safra de cana sacarina produtores querem  a presença da IGAE

19/01/2018 02:50 - Modificado em 19/01/2018 02:50

A safra de cana de açúcar no Porto Novo, Santo Antão, que se intensificou, a partir de Janeiro, está a decorrer na “normalidade”, segundo os produtores da aguardente, que anseiam pela presença dos inspectores da IGAE, neste concelho.

“A colheita da cana está a decorrer normalmente, mas nós, os produtores, ainda não vimos a presença dos inspectores da IGAE (Inspecção-geral das Actividades Económicas)”, avançou à Inforpress o produtor Edivaldo Neves, residente em Ribeira da Cruz.

Em Ribeira da Cruz, tida como “uma referência” em Santo Antão no que tange à produção do “grogue genuíno”, a safra da cana sacarina começou ainda em Dezembro, graças à “medida de excepção” tomada pelo Governo, devido ao mau ano agrícola, e há já “alguma produção” da aguardente.

Por isso, segundo este produtor, a presença dos inspectores da IGAE em Santo Antão deixaria “tranquilos” os produtores, “empenhados” em salvaguardar a qualidade do grogue que ainda se produz em Santo Antão.

Em todo o caso, os lavradores nesse vale parecem apostados na produção de um grogue de qualidade, produto que, através dos visitantes, já chega a vários países do mundo, segundo o presidente da Associação dos Agricultores da Ribeira da Cruz, Vanderley Rocha.

No Tarrafal de Monte Trigo, outra localidade conhecida pelo seu “bom grogue” que produz, a colheita da cana está, igualmente, a decorrer “com toda a normalidade”, segundo o produtor Simão Évora que, também, espera, para este ano, o reforço da fiscalização, por parte da IGAE.

Este produtor, que está a implementar um projecto ligado ao engarrafamento e exportação do grogue, lembrou que a mais recente visita dos inspectores no Tarrafal de Monte Trigo aconteceu há mais de seis meses.

Da mesma forma, em Ribeira das Patas, os agricultores locais estão envolvidos na colheita da cana, esperando que o Governo cumpra a promessa de reforçar a fiscalização, com vista a combater o uso de substâncias nocivas à saúde no fabrico da aguardente.

Os produtores porto-novenses prometem “boa safra” para 2018 e desejam que este seja um “ano de efectiva fiscalização”.

Durante a safra de 2017, os produtores do grogue em toda a ilha de Santo Antão denunciaram, constantemente, a “ausência” de fiscalização, tendo a própria IGAE constatado que “várias unidades” em Santo Antão operavam fora do período estipulado por lei.

O Governo, conforme o primeiro-ministro, vai fazer, neste ano de 2018, “uma forte aposta” na fiscalização em todo o arquipélago, tanto em relação ao fabrico da aguardente, como de outros produtos alimentares.

Aliás, o reforço da fiscalização, a instalação do laboratório de controlo da qualidade e certificação da aguardente e criação de uma representação da IGAE nesta ilha são as principais aspirações dos produtores do grogue em Santo Antão, para 2018.

Os produtores desejam que o Governo cumpra aquilo que prometeu, ou seja, “o reforço da fiscalização” para a salvaguarda da qualidade da aguardente tradicional produzida em Sano Antão, há mais de 300 anos, e com “um peso grande” na economia desta ilha.

Além da instalação do laboratório de controlo de qualidade e de certificação do grogue, projecto já anunciado, para este ano, pela Associação dos Municípios de Santo Antão (AMSA), os produtores anseiam ainda pela criação de uma delegação da IGAE) nesta ilha, reivindicada já há alguns anos.

Em Dezembro, o Conselho de Ministros procedeu à criação de “um regime excepcional e transitório” do regime jurídico de produção de aguardente de cana-de-açúcar em Cabo Verde, devido ao mau ano agrícola.

A nova lei do grogue, em vigor desde Agosto de 2015, exige que os alambiques sejam selados entre os meses de Agosto e Dezembro, período em que se regista a escassez da cana de açúcar em Cabo Verde.

O Governo, este ano, por causa da seca, propôs que se começasse o fabrico do grogue em Cabo Verde a partir de Dezembro, para evitar a perda da cana.

A produção do grogue em Santo Antão ronda, actualmente, os dois milhões de litros por ano, numa ilha onde a quase totalidade da área de regadio (mais de um milhar de hectares) é coberta por cana-de-açúcar.

 

Inforpress

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