Praia: Associação dos Proprietários de Táxis reitera insatisfação quanto ao cancelamento de licenças geridas por procuração

9/01/2018 00:31 - Modificado em 9/01/2018 00:31

A Associação dos Proprietários de Táxis da Praia reiterou hoje o seu descontentamento em relação à medida da autarquia de cancelar as licenças geridas por procuração, mostrando-se disposta ao diálogo para se encontrar uma solução.

“Continuamos dispostos ao diálogo. Neste momento estamos a proceder a um abaixo-assinado com maior número de pessoas possível, para voltarmos à Câmara Municipal da Praia, e com mais força, tentar comover o presidente e de uma forma pacífica, resolver o problema, porque se não for resolvido, trará vários e sérios problemas à classe”, afirmou o presidente da associação.

João Vaz Antunes falava em declarações à imprensa no final de um encontro, na sua sede, em Terra Branca, com uma delegação do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), chefiada pela sua presidente e líder parlamentar, Janira Hopffer Almada, e composta por deputados nacionais e municipais.

Segundo esse dirigente associativo, não só os taxistas serão prejudicados se se avançar com a medida, visto que vários proprietários ficarão sem licença, os condutores irão perder os postos de trabalho, assim como muitos outros praienses sairão prejudicados porque dependem de táxis no seu dia-a-dia.

João Vaz Antunes explicou que a associação apoia a nova lei de recenseamento dos táxis, mas é contra a alínea da mesma, em que a câmara recusa a apresentação de procurações, obrigando a apresentação do documento inicial da obtenção da licença, por isso, avisou que antes de interpor uma acção cautelar junto dos tribunais, quer tentar todas as vias para solucionar a questão.

A associação já teve a oportunidade de se reunir com a edilidade no sentido de persuadir a câmara a aceitar as licenças geridas por procuração, mas este mostrou-se intransigente, por isso, esta terça-feira irá encontrar-se, também, com o provedor da Justiça, António Espírito Santos, mas também quer levar esta preocupação ao Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca.

“Neste momento estamos à procura de todo o apoio possível para conseguirmos sair deste problema”, frisou, indicando que o recenseamento vai até 28 de Fevereiro, mas garantiu que se se não houvesse a questão da procuração, a operação poderia estar “muito avançada”.

Por sua vez, a presidente do PAICV alertou que o serviço de táxi é “muito importante”, porque uma grande percentagem do PIB (Produto Interno Bruto) depende das receitas provenientes do turismo, motivo para se apostar na melhoria contínua da prestação do serviço turístico, onde se inclui, também, o transporte de táxi.

Por outro lado, Janira Hopffer Almada sublinhou que na Cidade da Praia, cerca de 20 mil pessoas dependem directa ou indirectamente deste serviço, lembrando que Cabo Verde, tem neste momento, uma taxa de desemprego de 15%, mas que o Movimento para a Democracia (MpD-no poder) não ausculta os intervenientes no sector, evitando que haja mais pessoas no desemprego.

“Temos constatado que o MpD, que suporta o Governo e a Câmara Municipal da Praia, tem dois problemas basilares: a falta do diálogo e o estabelecimento de prioridades”, afirmou, considerando que existem outros problemas, como concorrência desleal dos táxis, mas que “não se sente nenhuma medida que é tomada”.

Em relação às procurações, esclareceu que a lei “não pode dispor para o passado”, a não ser que a medida seja favorecedora ao destinatário, mas é de opinião que a deliberação da câmara tem a ver, também, com a questão política, porque as medidas têm que ser tomadas em diálogo com as classes.

 

Inforpress

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