MpD  acusa eurodeputada portuguesa  de atentar contra a imagem de Cabo Verde

9/01/2018 00:19 - Modificado em 9/01/2018 00:19

O Movimento para a Democracia (MpD) considerou  “graves” e “atentatórias do bom nome” dos dirigentes do partido e da imagem de Cabo Verde as declarações da eurodeputada Ana Gomes sobre o alegado favorecimento ao ex-representante da União Europeia.

Em causa, está uma comunicação da eurodeputada socialista ao Gabinete Antifraude Europeu (OLAF, na sigla em inglês) e à chefe da diplomacia e vice-presidente da Comissão Europeia, Federica Mogherini, em que Ana Gomes denuncia suspeitas de benefício pessoal e favorecimento na alegada compra de um terreno, na capital cabo-verdiana, pelo ex-representante da União Europeia em Cabo Verde, José Manuel Pinto Teixeira.

Na mesma comunicação, Ana Gomes adianta que existe, em Cabo Verde, a “perceção generalizada de que [o embaixador] foi instrumental na vitoria do MpD (2016), com contribuições estratégicas e financeiras”, assinalando que, “alguns círculos acreditam que a compra do terreno é uma recompensa pelo apoio político”, adianta.

“Essas declarações atentam contra o bom nome dos dirigentes do MpD, as instituições políticas e governativas de Cabo Verde e a imagem do país”, adiantou o partido em comunicado.

O MpD solicita, por isso, “às instâncias competentes da UE que se pronunciem sobre essas graves acusações da eurodeputada Ana Gomes que atingem as instituições cabo-verdianas e da União Europeia”.

O partido que apoia o Governo em Cabo Verde considerou ainda que Ana Gomes se transformou “numa caixa de ressonância pública de rumores, de acusações e de devaneios” sem “avaliar outras fontes e sentir um cheirinho do contraditório”.

“A tese de ‘recompensa pelo apoio político’ é uma maquinação tão absurda quanto irresponsável, da qual a eurodeputada deveria distanciar-se”, sustentou o partido.

O MpD diz ainda contar com o apoio de Ana Gomes “na partilha de elementos que possui ou a que tenha tido acesso e que possam facilitar a identificação das ‘contribuições estratégicas e financeiras’, às quais se atribui a vitória eleitoral do partido no poder”.

No comunicado, o partido exorta também a Câmara Municipal da Praia (liderada pelo MpD) “a disponibilizar para consulta pública todos os elementos relacionados com o dossiê de venda do terreno”.

A comunicação da eurodeputada Ana Gomes foi apresentada às instâncias europeias na sequência da visita que fez a Cabo Verde, em setembro, integrando uma missão de eurodeputados do Grupo dos Amigos de Cabo Verde no parlamento europeu.

Numa resposta a esta comunicação, datada de finais de novembro, Federica Mogherini afirmou estar a par das questões surgidas em torno da alegada compra do terreno, adiantando que o OLAF estava a avaliar o caso.

“Só depois desta avaliação inicial, decidirá se abre ou não uma investigação”, disse.

Ressalvando que o facto de o OLAF estar a avaliar a situação não significa que tenha sido cometida alguma irregularidade, Federica Mogherini adiantou que já foram pedidas a José Manuel Pinto Teixeira informações adicionais que permitam clarificar a situação.

“Os representantes da UE estão obrigados a respeitar os mais elevados padrões de comportamento ético, que são particularmente rigorosos quando se trata de representantes seniores. Depois de deixarem o serviço da UE, os representantes estão vinculados ao dever de comportamento íntegro e discreto no que à aceitação de certas nomeações ou benefícios”, afirmou a responsável.

Contactada pela agência Lusa, fonte do gabinete de comunicação do OLAF, adiantou que este organismo não se pronuncia sobre “casos que possa ou não estar a tratar” para “proteger a confidencialidade de uma eventual investigação e os possíveis processos judiciais subsequentes, bem como para assegurar o respeito pelos dados pessoais e pelos direitos processuais”.

A compra do terreno na Prainha, uma das zonas mais valorizadas da cidade da Praia, está envolta em polémica desde que em agosto começou a construção da residência do antigo embaixador da União Europeia em Cabo Verde.

 

 

Lusa

 

  1. Jonas

    Que há indícios há, isso não restam dúvidas. E foi o que a eurodeputada disse perante os elementos que lhe foram colocados em cima da mesa. Ela não condenou ninguém e muito menos atribuiu culpa alguma. Mais nada. Agora é investigar. O MPD deveria no mínimo esperar por isso, antes de acusar.

  2. Morais Santos

    Já deviam estar habituados a esta senhora socialista…
    Os pré-conceitos dela relativamente aos países africanos são enormes.
    Sabemos que existem muitas coisas a corrigir.
    O problema é que ela não costuma ver para o interior do seu país e mais concretamente para dentro de casa (partido).
    Ou seja, tem problemas de visão.
    Eu, não participo em atos eleitorais em Cabo Verde.
    Mas acho que os da Europa não são mais “livres” nem mais democráticos dos que são realizados em Cabo Verde.

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