São Vicente: sentimento de insegurança aumenta

5/01/2018 01:28 - Modificado em 5/01/2018 01:28

Os casos de homicídio em todo Cabo Verde e as notícias de disparos e de disputas entre grupos rivais, fazem aumentar o nível de insegurança, trazendo à memória outros tempos em que se vivia um verdadeiro clima de insegurança. Numa revista sobre o sentimento que se vive na ilha de São Vicente regista-se um aumento do clima de insegurança. A cidade do Mindelo é um meio pequeno e os últimos acontecimentos foram sentidos na ilha elevando, assim, a preocupação.

O clima de insegurança tem aumentado como se algo estivesse prestes a eclodir, como avançam algumas opiniões. São acontecimentos que costumam ter precedentes com retaliações. A preocupação das pessoas é que possam acontecer outros problemas, elevando assim o medo e o receio de andar nas ruas.

Um dos entrevistados avança que sente  “o clima pesado, principalmente sendo da zona de Ribeira Bote”, como avança. Neste sentido, não se sabe o que pode acontecer. “Neste momento, sabemos que o clima está mais pesado, porque ninguém sabe o que vai acontecer. As coisas podem acalmar-se ou não”, como avança uma entrevistada assumindo ser difícil, já que tudo é recente.

A fronteira entre as duas zonas protagonistas deste episódio centra alguma atenção. “Claro que nada fica normal. Fui visitar a minha avó em Fonte Francês e há muito tempo que ela já não me aconselhava acerca do caminho a andar e a evitar ao voltar para casa”, adianta outro cidadão. A tensão está instalada nestes tempos até que as coisas se normalizam ou não.

Um outro entrevistado traz um dado para o debate: o desfile que antevê o Carnaval que inicia, “pelo número de pessoas que os desfiles arrastam, isto, se acharem que será um óptimo local para emboscadas e retaliações”, como afirma. O mesmo acredita que a situação não vai ficar só assim.

Esta incógnita sobre o que pode acontecer ou não, ajuda a aumentar o clima de insegurança. Relembra que há poucos anos o fenómeno de “gangs” se alastrou pela ilha com relatos constantes de brigas entre jovens, no âmbito das quais algumas tiveram desfecho fatal.

O clima de insegurança aliado ao clima que se sente na ilha com o céu nublado característico do inverno, o conselho que um dos entrevistados dá é o de se ficar em casa como medida de segurança.

  1. Pedro Cruz

    É confrangedor ver como uma sociedade pequena (em que quase toda a gente se conhece), de gente boa, outrora pacífica e amável, apresenta hoje níveis tão elevados de violência, com vários homicídios mesmo numa época de paz, como o Natal.
    O país é independente e faz o seu próprio caminha há pelo menos duas gerações, é genuinamente democrático (e a maior parte da sua população já nasce com a Democracia), está em franco desenvolvimento desde há décadas, já não existe a fome nem a miséria de outros tempos. As pessoas são livres (como em pouquíssimos outros países no mundo, especialmente no continente), mas algumas delas perderam em civilidade. Perderam em humanidade. São como crianças que os pais não educaram: https://youtu.be/FszQelEQ2KY
    Com os nossos políticos, fizemos um país de que justamente muito nos podemos orgulhar… mas estamos a falhar, clamorosamente, no essencial; aparentemente incapazes de educar os nossos jovens, não tanto na escola, mas na família, a base essencial da formação da humanidade, do respeito pelo outro e pela dignidade de cada ser humano. Não há telenovela, série de televisão, ou rede social que substitua uma mãe, um pai, uns avós/tios e vizinhos realmente envolvidos na educação das crianças como acontecia no tempo em que Cabo Verde era a terra da Morabeza.
    Neste início de ano, eis um voto e objectivo a conquistar, por todos (já que não há polícia, nem tribunais, nem prisões, nem assistentes sociais, que cheguem para a empreitada).

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