SINAPOL destaca “adesão extraordinária” nos três dias de greve

29/12/2017 23:21 - Modificado em 29/12/2017 23:21
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Tudo decorreu na normalidade, não houve nenhum sobressalto. Durante os três dias, conseguimos o nosso propósito que era demonstrar que o que se passa não está bem”, disse José Barbosa à agência Lusa.

O responsável sindical disse que durante os três dias a adesão à greve esteve sempre acima dos 90%, sublinhando que houve esquadras em que a paralisação foi total.

A SINAPOL convocou a greve, a primeira da classe na história do país, após acusar o Ministério da Administração Interna de não ter cumprido um memorando de entendimento assinado em março, no qual se comprometia a atender às reivindicações dos polícias e que levou à desconvocação de uma greve marcada nessa altura.

Os polícias reivindicam atualização salarial, redução da carga horária, introdução de um regulamento de trabalho e pagamento de subsídios.

O Governo cabo-verdiano garantiu que no próximo ano não haverá aumentos salariais para a Polícia Nacional (PN), indicando que, com os respetivos subsídios indexados, teria um impacto de 14 milhões de euros nas despesas do Estado.

José Barbosa não quis comentar a garantia do Governo, dizendo apenas que a polícia vai continuar a lutar da mesma forma, em respeito pela liberdade sindical, mas não avançou que novas ações vão ser realizadas.

O presidente do SINAPOL disse que o Governo cabo-verdiano tomou uma opção de equipar a polícia de recursos materiais, mas afirmou que o primeiro problema da classe é a motivação dos agentes, com aumento salarial e redução da carga horária.

“A Polícia Nacional trabalha duro, com tempo a mais e sem recompensa por isso”, mostrou o sindicalista, justificando, por isso, o descontentamento da classe.

Em comunicado, o Governo lembrou que nos últimos dois anos fez “grandes esforços orçamentais e financeiros” no nivelamento salarial e na resolução de pendentes e que no próximo ano serão recrutados 240 efetivos, o que vai reduzir a carga horária.

Além do que está no memorando, o Governo referiu que o SINAPOL reivindica ainda atribuição do subsídio de condição policial aos efetivos da Guarda Fiscal, mas que isso não é permitido por lei, e subsídio de condução, que “não existe em nenhum estatuto policial”.

Após a greve, José Barbosa disse que a classe está “expectante” e a aguardar uma reação do Governo cabo-verdiano, que acusa de “desprezar e desrespeitar” a Polícia Nacional.

Durante a greve, os agentes não cumpriram a requisição civil, decretada pelo Governo após falhar acordo com o sindicado para o cumprimento dos serviços mínimos.

O ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, garantiu que os incumpridores serão responsabilizados criminal e disciplinarmente, considerando que “não existe Estado dentro do Estado”.

José Barbosa disse que a polícia não tinha que respeitar a requisição civil por considerar que foi decretada “na calada da noite” e “de forma ilegal” por parte do Governo.

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