Polícias pedem demissão do ministro da Administração Interna

28/12/2017 08:13 - Modificado em 28/12/2017 08:13
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A PN de Cabo Verde iniciou ontem  uma greve de três dias depois de o sindicato que representa a classe ter falhado um entendimento com o Ministério da Administração Interna (MAI) relativamente à atualização salarial dos agentes.

No primeiro dia da paralisação, centenas de agentes também realizaram uma manifestação pelas ruas da cidade da Praia, que arrancou em Achada de Santo António, passou em frente ao Palácio do Governo, na Várzea, e em frente ao Ministério da Administração Interna, no Plateau, onde foram intensificados os gritos de protesto.

Os policiais, todos vestidos com camisolas negras do sindicato que representa a classe (SINAPOL), seguiram ao som de batucada, apitos e gritavam bem alto, onde se destacava pedidos de respeito e de demissão do ministro da Administração Interna, Paulo Rocha.

“Fora senhor ministro, Paulo Rocha enganou a polícia”, lia-se nalguns dos cartazes, acompanhados com gritos de “demissão, demissão” e “é só o começo”.

Os agentes policiais também exibiam cartazes a pedir “mais dignidade salarial”, “carga horária legal”, tratamento digno e garantiram que vão continuar a lutar pelos seus direitos.

A manifestação, que passou também pela Direção Nacional da Polícia, no Plateau, foi acompanhada de perto pelo presidente da Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL), José Manuel Vaz, e não contou com qualquer policiamento em serviço.

Em declaração aos jornalistas, o presidente do Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL) cabo-verdiana, José Barbosa, disse que a manifestação, que não foi anunciada, foi uma “reação natural do pessoal” no primeiro dia da greve.

O responsável policial deu conta que marcaram presença no protesto centenas de efetivos de vários concelhos da ilha de Santiago e de todos os ramos da PN cabo-verdiana: Guarda Fiscal, Polícia Marítima e Polícia de Ordem Pública.

José Barbosa acusou o Governo de ser “desleal” e de “andar sempre a fugir”, garantindo que o SINAPOL sempre esteve e continuará aberto para negociar e chegar a “um ponto de equilíbrio”.

“Mas não é com falta de respeito, nem com deslealdade, nem com mentiras. Estamos perplexos a ouvir o ministro a dizer que caso saísse a greve que em nada afetaria o país e que ele também se iria demitir. Esperamos a coerência dele”, desafiou José Barbosa, dizendo que ainda é “possível” concertar com o Governo, mas “com este ministro já não há condições”.

José Barbosa adiantou que a adesão à greve a nível nacional é quase total (99%), há concentrações em todas as outras ilhas e também informações de esquadras fechadas em São Vicente devido à falta de agentes policiais.

O SINAPOL acusa o MAI de não ter cumprido o memorando de entendimento assinado em março, no qual se comprometia a atender às reivindicações dos polícias e que levou à desconvocação de uma greve marcada nessa altura.

Os polícias reivindicam a atualização salarial, redução da carga horária, introdução de um regulamento de trabalho e pagamento de subsídio de condição policial à guarda fiscal, com efeitos retroativos.

Da lista de reivindicações consta também o pagamento de 25% sobre o vencimento, como subsídio de condução, ao pessoal da PN que exerce, cumulativamente, as funções de condutores.

Em declarações à Televisão de Cabo Verde (TCV) na terça-feira, o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, estranhou a concretização da “primeira greve da história da Polícia Nacional” num ano em que o Governo fez o “maior investimento na Polícia Nacional”, destacando a aprovação da grelha salarial, a atualização do índice salarial e as progressões na corporação.

Paulo Rocha considera que o que está em causa nesta greve é a exigência de uma nova atualização do índice salarial para os próximos três anos, adiantando que o sindicato apresentou reivindicações que “nunca estiveram em cima da mesa”, como o subsídio de condução.

Paulo Rocha deixou uma mensagem de tranquilidade aos cidadãos, numa altura tradicionalmente de mais trabalho para a polícia, assegurando que o Governo tudo fará “para que nada se altere em termos de segurança e de ordem pública”.

 

LUSA

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