Ruanda: ordens de prisão para franceses envolvidos no genocidio de 1994

26/12/2017 04:26 - Modificado em 26/12/2017 04:26
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O Ruanda tem preparadas ordens de prisão contra vários cidadãos franceses pela sua alegada participação no genocídio de 1994, em que morreram mais de 800.000 pessoas, declarou hoje a ministra dos Negócios Estrangeiros do país, Louise Mushikiwabo.

Num discurso sobre o estado da nação emitido na televisão nacional como parte da mensagem de Natal do Governo, a ministra assegurou que o Ruanda tem “provas tangíveis e documentadas” sobre a implicação de vários cidadãos franceses antes, durante e depois dos incidentes.

“Queremos aprofundar e ver como podemos utilizar os relatórios para questioná-los e demonstrar o seu papel durante o genocídio de 1994. As ordens de prisão para alguns deles estão preparadas e prontas para serem emitidas”, anunciou Louise Mushikiwabo.

Entre os documentos citados, a ministra do executivo dirigido por Paul Kagame destacou o relatório Muse, que afirma que a França forneceu ao Governo armas, na altura comandado por Juvenal Habyarimana, que foram posteriormente utilizadas pelas milícias hutu Interahamwe para levar a cabo o genocídio contra os tutsis.

Louise Mushikiwabo reiterou que o Ruanda “nunca desistirá” dos seus esforços para responsabilizar a França por seu papel nos eventos, apesar das “notáveis tentativas” da nação europeia de nega-lo.

A França inclusivamente abriu uma investigação sobre a queda do avião de Habyarimana, a 06 de abril de 1994, no qual aquele e o Presidente do Burundi, Cyprien Ntaryamira, morreram, dando início ao genocídio.

“Temos certeza de que a verdade prevalecerá sobre as mentiras e não nos cansaremos de buscar a justiça”, disse a ministra.

Vários membros do Governo ruandês, entre os quais o ministro da Justiça, Johnston Busingye, afirmaram que as investigações da justiça francesa sobre o caso tinham como objetivo desviar a atenção internacional das responsabilidades da França nesta questão.

O genocídio que se seguiu à morte de Habyarimana – o Governo ruandês acusou os rebeldes tutsis da Frente Patriótica Ruandesa (RPF) do assassínio -, terminaria com mais de 800.000 tutsis e hútus moderados mortos em três meses.

 

 

 

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