Acontecimentos que marcaram 2017 : O mistério dos desmaios na ESJB

18/12/2017 01:58 - Modificado em 18/12/2017 01:58

A partir de hoje , o NN apresentar-lhe-á os acontecimentos  que marcaram o ano de 2017. Os bons e os maus. E, para começar, partiremos do final do ano para o início.

Os casos de desmaios colectivos de meninas na Escola Secundária Jorge Barbosa em São Vicente, e que também tiveram repercussão noutras escolas. O primeiro caso de desmaios colectivos de alunas preocupou colegas, pais, professores e o corpo directivo da instituição.

O primeiro caso aconteceu na manhã do dia 14 de Novembro, com catorze alunas a sofrerem desmaios colectivos. No dia seguinte, os casos repetiram-se, o que levou a escola a suspender as aulas na parte da tarde, devido ao tumulto causado.

No segundo dia, aconteceu a mesma coisa, mas com maior intensidade. Instalou-se o caos e foram muitos os pais que se deslocaram à Escola Jorge Barbosa para irem buscar as filhas que, em pânico, ligaram para os respectivos encarregados de educação. E, mais uma vez, suspensão das aulas. Foram três dias consecutivos e, por falta de alternativa, a escola suspendeu as aulas no fim-de-semana, sexta-feira e sábado, tendo organizado uma reunião entre a Delegação do Ministério da Educação em São Vicente, a Direcção e os encarregados de educação para tomar as devidas medidas.

O facto é que nunca encontraram uma explicação lógica para o fenómeno que deixou em pânico as “vítimas” da ocorrência. Muitas foram as teorias levantadas e nenhuma delas foi totalmente convincente. Mas o certo é que, até hoje, as autoridades não procuraram uma resposta para este fenómeno.

Primeiro, levantou-se a possibilidade do uso de drogas, o que acabou por ser descartado já que não foi possível provar a teoria de um surto de drogas que afectou apenas as meninas, deixando os meninos imunes dentro do mesmo local. E o mais estranho é que depois de recuperarem os sentidos, não se lembram do que aconteceu, excepto de terem ouvido algumas vozes a chamarem por elas antes do acontecido.

Porém, antes de desmaiarem, as vítimas começam a dizer coisas sem nexo e a terem convulsões e, ao mesmo tempo, apresentam uma força extraordinária.

No entanto, a teoria que mais se destacou foi a questão espírita. O Centro Racionalismo Cristão, na Avenida de Holanda, foi a instituição que não só forneceu uma explicação para o sucedido, mas também ajuda para os que sofreram esses ataques. O Presidente do Centro sublinhou na altura que os desmaios foram provocados pelos espíritos de um plano inferior, tendo sido atraídos por brincadeiras de invocação dos espíritos por parte dos alunos.

E, juntamente com o trabalho que fizeram junto dos alunos, “os espíritos que causaram os distúrbios já estão presos nos seus mundos” mas, se continuarem a brincadeira, as manifestações podem continuar, disse na altura António Vera Cruz.

O certo, é que passado o fim-de-semana, não houve mais casos de desmaios colectivos nas escolas da ilha.

De relembrar ainda que a escola tomou diversas medidas, entre elas as de fornecer apoio psicológico às alunas afectadas que depois de certo período não mostraram sinais de pânico. Outra medida tomada na reunião foi a proibição de saírem do estabelecimento durante os intervalos, ou seja, os alunos passam a ficar dentro da escola durante todo o período das aulas. Uma medida bastante aplaudida pelos pais e encarregados de educação, mas que nunca foi implementada.

A escola nunca encontrou uma explicação para o sucedido, ou melhor, uma explicação que convencesse a todos.

  1. Maria Fortes

    Esta histeria colectiva está conectada entre outras com problemas nos órgãos reprodutores femininos para além de desajustes sociais, emocionais e estresse.
    Os jovens passaram a iniciar a sua vida sexual bastante cedo e imaturos e a sua preocupação sexual é enorme especialmente numa sociedade machista e erotizada como a nossa.
    Também não menosprezar os efeitos dos mídias entre outros facebook, telemóveis, internet, com o seu exibicionismo constante e a ansiedade que os mesmos acarretam nas mentes dos jovens pois todos estão permanentemente conectados mas ao mesmo tempo desconectados da vida real.
    Também algures alunos simulam esses desmaios e outras manifestações demoníacas apenas pelo prazer de terem o controlo de tudo e verem os professores ficarem inactivos. É o que deve ter acontecido hoje no Liceu Jorge Barbosa onde os alunos abandonaram as aulas antes da hora habitual e estavam satisfeitíssimos com a situação e com a sensação de terem um certo poder sobre os professores.
    Tais cenas teatrais têm uma função practica que é servir de tubo de escape para tensões do momento e estar sob a atenção dos holofotes.
    E a imitação desta palhaçada vai continuar nesses Liceus pois uma maioria significativa dos estudantes frequenta esses Liceus apenas fisicamente pois está destituída do mínimo de inteligência, comportamento moral, ético, educacional e capacidade cognitiva para tal e busca com essas cenas banais uma compensação, um escape para o seu falhanço. E melhor podium não podiam escolher.
    É o reverso da medalha com a massificação do ensino secundário e universitário em Cabo Verde. Quantidade versus qualidade.

  2. Carlos Silva - Ralão

    Adorei o seu texto Sra. Maria Fortes. Penso que a solução está toda explícita aqui.

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