Vinte e sete doentes e onze acompanhantes cabo-verdianos com ordem de saída da Pensão Madeira – Portugal

7/12/2017 16:51 - Modificado em 7/12/2017 16:51
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Estes tem até o dia 15 de dezembro para procurar outro lugar ara se alojarem e saírem da pensão, que segundo a administração, o edifício vai sofrer obras “na sequência de uma vistoria (cujo relatório ainda não foi produzido) ” e por isso pediu à embaixada de Cabo Verde os trinta e oito cabo-verdianos “encontrassem outras alternativas de alojamento, até 15 de Dezembro”, diz esta entidade num texto publicado na sua página de Facebook, cita por um jornal português.

Por seu lado, a embaixada de Cabo Verde, em Portugal pede mais tempo para resolver a situação. “O realojamento exigia muito mais tempo, pelo que não podia atender ao prazo fixado”.

Segundo o jornal Publico, os 27 doentes cabo-verdianos que estão alojados na Pensão Madeira, em Lisboa, ao abrigo de um protocolo com o Governo português vão ter que sair e encontrar alternativas em breve. No ano passado chegaram a Portugal 620 doentes de Cabo Verde. Muitos ficam em pensões, algumas sem condições, como a que agora vai fechar, como quartos com roupa e objetos a monte, infiltrações, aparelhos elétricos no quarto para aquecer comida e uma cozinha que nem fogão tinha.

Entretanto, o embaixador de Cabo Verde, Eurico Monteiro, diz que não existe protocolo formal com a pensão, mas a embaixada instala nesse local e em outras duas pensões em pleno centro de Lisboa (geridas pelo mesmo dono) cerca de 100 doentes, a um preço difícil de encontrar noutro lado: 8 euros por quarto, por dia.

A Embaixada não adiantou qual a nova data limite para a saída dos doentes. Mas garante em comunicado que já foram encontradas soluções para “boa parte dos doentes” não especifica quantos e acredita que “vai encontrar solução para todos”, acrescenta.

Segundo a embaixada “não houve nenhuma medida das autoridades, até à presente data, determinando o encerramento da Pensão Madeira”.

E tendo em conta esta situação, foi agendado para o dia 12, uma manifestação em “prol dos doentes” em frente à embaixada de Cabo Verde, em Lisboa, pela “Ubuntu CV – uma missão além-fronteiras”, que se apresenta com um grupo de cabo-verdianos espalhados pelos quatro cantos do mundo, organizados pela Internet, “procurando formas de solucionar as infinitas dificuldades” com que se deparam os “cabo-verdianos em situação de risco”.

Face ao despejo, a embaixada diz que tem desenvolvido esforços junto das instituições públicas e de solidariedade social para solucionar o problema, como a Santa Casa da Misericórdia, a Fundação D. Pedro IV, a Câmara Municipal de Lisboa, a Casa da Alegria, o Centro Pedro Arrupe, entre outras.

E comenta: “a embaixada de Cabo Verde sempre alegou que não era sua opção manter os doentes em lugares como a Pensão Madeira, mas que não tinha outras alternativas, já que não pode pagar diárias de pensões de 25, 30 ou 35 euros para 400 pessoas e subsidiar a alimentação e os medicamentos. Cabo Verde é o único país dos PALOP que paga passagens, financia os medicamentos a 100% e atribui uma subvenção mensal.”

Em 2016 cerca de 620 doentes viajaram para Portugal, inserido no protocolo de cooperação com os PALOP, assinado há décadas, em que dá assistência médica e hospitalar, envolvendo vários ministérios. Os países asseguram o transporte ou o alojamento dos doentes mas isso nem sempre acontece. O orçamento de Cabo de Verde para estes doentes é de 5 milhões de euros. A subvenção por doente, ao abrigo da promoção social, é de quase 250 euros por mês, e serve para pagar alojamento e alimentação. Têm ainda assistência medicamentosa. Desde há uns meses os doentes das pensões recebem também almoço.  

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