Ex-membro do CA  defende  que o contrato de gestão da TACV assinado entre Governo e Icelandair deve ser divulgado  

6/12/2017 06:54 - Modificado em 6/12/2017 06:56
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O ex-membro do conselho de Administração da TACV (CA), Arnaldo Silva, disse hoje na Cidade da Praia que já é altura de se divulgar o contrato de gestão da transportadora aérea cabo-verdiana assinado entre o Governo e a empresa aérea Icelandair.

“Não vejo que haja razão bastante para não se divulgar o que está acordado. Naquilo que é o interesse público não deve nunca haver uma cláusula de confidencialidade, porque isso leva a suspeição”, sublinhou o jurista, Arnaldo Silva, no final de uma audiência parlamentar.

Segundo Arnaldo Silva, o Governo não tem necessidade de esconder nada. O Governo deve divulgar o contrato e acabar de vez com esta “falsa questão” de que há confidencialidade.

“Acredito que não há nada a esconder e o Governo acabará por fazer a divulgação do contrato de gestão que foi assinado com Icelandair”, salientou Arnaldo Silva.

O partido (MpD) que sustenta o governo sempre defendeu “a total transparência na gestão dos negócios públicos, portanto não deve dar azo à oposição para levantar a suspeita” sobre o negócio da TACV, frisou.

Sobre a reestruturação da TACV, visando a sua privatização, Arnaldo Silva, disse que “o modelo actual não é muito diferente” do que estava previsto no decreto-lei de 2002.

O modelo anterior previa uma empresa estrangeira para gerir a TACV. A empresa americana Sterling foi contratada para fazer a gestão da companhia aérea cabo-verdiana e reestrutura-la para privatização.

“O contrato com a empresa Sterling previa um valor anual praticamente semelhante ao que se está a pagar agora à gestão feita pela Icelandair. Só que resultou em nada”, informou o jurista.

Durante a audiência, Arnaldo Silva disse que a diferença que se nota neste momento é que, enquanto no modelo anterior quem dirigia a TACV era a Sterling, uma empresa da área financeira liderada por um gestor do sector da aviação, no actual a companhia aérea cabo-verdiana está a ser gerida pela Icelandair, uma companhia aérea.

“O decreto-lei de 2002 previa um modelo estratégico, mas o Governo não foi capaz, em 14 anos, de encontrar um parceiro estratégico”, notou.

Em relação à situação actual da TACV, Arnaldo Silva afirmou que a empresa aérea cabo-verdiana chegou “ao descalabro total por erros de várias gestões, desde 2006.

O jurista disse ainda que “a fase negra da TACV começou com a gestão da empresa americana, Sterling, liderada pelo canadiano Gilles Filiatreault e por aí adiante e que a machada final foi com a gestão de António Neves por culpa do Governo que assumiu um processo de mudança de rota desastrosa com impactos financeiros que deixou a empresa praticamente moribunda”.

“Com Gilles Filiatreault, a TACV desatou a abrir linhas para Polónia, Inglaterra. Um caso caricato foi a abertura de linhas para Inglaterra e fazer voo num boing 735 com 12 passageiros”, lembrou Arnaldo Silva.

O gestor Gilles Filiatreault resolveu também despedir 173 trabalhadores sem o respaldo legal. Na altura a empresa foi condenada a pagar mais 45 mil contos de indeminização”, confirmou o jurista.

Arnaldo Silva disse também que “o gestor desatou a vender o património da empresa e que deveria ser responsabilizado”, na altura.

“A substituição da frota do avião Beleza, passando pela aquisição dos dois aviões 737 que foram adquiridos e que culminou com a apreensão de um deles em fevereiro de 2016, na Holanda”, foram alguns dos exemplos da “fase negra da TACV” apontados pelo Arnaldo Silva.

 

Inforpress

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