Vítimas de abuso sexual de antigo apresentador da BBC “perto das 300”

26/10/2012 03:11 - Modificado em 26/10/2012 03:11
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A Scotland Yard confirmou esta quinta-feira que o número de vítimas do antigo apresentador de televisão Jimmy Savile, suspeito de crimes de pedofilia e abusos sexuais ao longo da sua carreira de mais de 40 anos, “está muito perto das 300”.

 

Jimmy Savile, um excêntrico e popular apresentador de rádio e televisão que durante anos foi uma das figuras mais queridas da BBC, morreu em Outubro de 2011 com 84 anos. Um ano mais tarde, a polícia abriu uma investigação por denúncias de abusos sexuais alegadamente levados a cabo ao longo de quatro décadas – o inquérito abrange cerca de 400 pessoas, todas mulheres excepto dois indivíduos.

 

Uma das vítimas foi identificada como uma sobrinha-neta de Savile, Caroline Robinson, que confirmou numa entrevista ter sofrido abusos aos 12 anos de idade. “Quando comecei a ler os relatos de algumas das vítimas no jornal, era uma transcrição exacta do aconteceu comigo”, disse à BBC Radio 5.

 

Segundo o comandante Peter Spindler, até ao momento as autoridades entrevistaram 130 queixosas, e desse processo já resultaram 114 acusações de crime. A maior parte das alegações dizem directamente respeito a Jimmy Savile, mas os relatos apontam também para outros envolvidos que terão sido cúmplices do apresentador ou terão eles próprios praticado crimes de abuso sexual.

 

Além da investigação criminal da Scotland Yard, o escândalo também lá levou à abertura de outros dois inquéritos independentes. Um deles envolve a BBC: vários dos crimes agora reportados terão ocorrido nas instalações da cadeia pública de rádio e televisão, que está debaixo de fogo por causa da decisão de impedir a transmissão de um programa da série Newsnight que expunha Savile como pedófilo e predador sexual.

 

O responsável pela estratégia da BBC, Christopher Patten, admitiu ontem que o escândalo de pedofilia e abusos sexuais envolvendo o antigo apresentador Jimmy Savile está a causar “prejuízos terríveis” para a reputação da cadeia britânica, mas defendeu o novo director geral Richard Entwistle. “Ele teve o mais difícil baptismo de fogo de qualquer director geral da BBC. Esta verdadeira maré negra apanhou-o apenas 11 dias depois de assumir o cargo”, observou.

 

O segundo inquérito envolve o Serviço Nacional de Saúde, e tem como foco os acontecimentos em três hospitais públicos, alguns deles psiquiátricos, onde Savile trabalhava como voluntário. O “Guardian” dizia ontem que a Scotland Yard já tinha acrescentado à sua lista de suspeitos os nomes de três médicos, que foram identificados pelas vítimas.

 

As autoridades excluem por enquanto a teoria de uma rede de pedofilia, envolvendo Jimmy Savile e profissionais médicos ou funcionários da BBC – os detectives explicaram que a investigação não corrobora a tese de um sistema organizado onde um conjunto de predadores “partilhava” as vítimas entre si.

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