PAICV pede explicação ao Governo sobre os riscos que os parceiros vão assumir no negócio dos transportes aéreos

29/11/2017 07:37 - Modificado em 29/11/2017 07:37
| Comentários fechados em PAICV pede explicação ao Governo sobre os riscos que os parceiros vão assumir no negócio dos transportes aéreos

O PAICV exortou hoje o Governo a esclarecer até que ponto os parceiros do país no negócio dos transportes aéreos vão assumir os riscos que o mesmo acarreta.

O pedido foi feito pelo deputado Júlio Correia, no decurso do segundo dia do debate no Parlamento sobre o Orçamento de Estado para 2018 (OE-2018), referindo-se ao contrato de gestão assinado entre o Governo e o grupo Icelandair, assim como o monopólio da Binter no mercado doméstico.

Segundo ele, no Orçamento de Estado para o próximo ano não se vislumbra o cenário de “prudência” e o cenário de “provável”, duas vertentes consideradas pelo deputado como “essenciais”, sublinhando que pelo facto de os Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) terem sido “mal geridos” e com dívidas e aviões arrastados, o PAICV perdeu as eleições legislativas em 2016.

Entretanto, afirmou que actualmente existem aviões a “voar” e um plano de negócio feito com a Icelandair que precisa ser esclarecido, frisando que é preciso esquecer-se da tese da confidencialidade, já que isso “não se pode aplicar em negócio público”, por isso, explicou que a sua dúvida não tem a ver com os “números”, mas sim como o risco do país tendo em conta a forma como o mesmo está sendo feito.

Tendo em conta que ao assumir a gestão do negócio internacional dos TACV, a Icelandair fica a voar somente pera a ilha do Sal, Júlio Correia lembrou que a diáspora cabo-verdiana “não é um mercado de saudade”, como foi dito pelo Governo, já que ela tem uma relação “especial” com o país que não estaria onde está se não fosse os emigrantes.

“O hub aéreo para a ilha do Sal visa consolidar o privilégio de uma determinada companhia aérea em Cabo Verde no mercado doméstico, ou seja, a Binter, sem concorrência, sem provar competência e em regime de monopólio”, afirmou, justificando que não concorda com essa solução, porque “aumenta o risco do país”, lembrando que a base aérea da Icelandair foi fixada na ilha do Sal.

Para o deputado do maior partido da oposição, “entregar de bandeja um mercado que já estava a consolidar-se não se faz”, questionando “quais os riscos que esses parceiros assumem nesse negócio”, assim como quis saber também como fica a diáspora e o turismo nacional na política de transporte aéreo de Cabo Verde.

Para responder às questões do deputado Júlio Correia, a colega do Movimento para a Democracia (MpD-no poder), Joana Rosa, disse que a Binter ficou com o mercado doméstico, porque os dois aviões ATR dos TACV foram vendidos quando o PAICV era Governo.

“Esse ataque em relação à Binter e Icelandair não tem razão de ser (…). Os cabo-verdianos estão contentes, porque temos ligações domésticas com mais frequência e para todas as ilhas”, salientou a deputada, garantindo que os emigrantes “vão continuar a ir e vir” para Cabo Verde nos TACV ou em outras companhias que voam de e para o arquipélago.

Por sua vez, o ministro da Economia, José Gonçalves, justificou que o “negócio tradicional” dos transportes aéreos “não é sustentável”, por isso, notou que se o Governo não tivesse encontrado a solução que está sendo hoje implementada, os TACV “estariam agora liquidado”.

Já o ministro das Finanças, Olavo Correia, acrescentou que os transportes aéreos em Cabo Verde “não se fazem só com os TACV”, mas sim com todas as companhias que operam em Cabo Verde.

Inforpress

 

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.