Apanha do pepino do mar: três mergulhadores com paralisia nos membros

26/10/2012 03:01 - Modificado em 26/10/2012 03:02

Apesar do director-geral das pescas dizer que a apanha do pepino do mar está  proibida, a realidade mostra outra coisa, visto que por dia são retirados do mar entre 500 a 1000 kg destes invertebrados.  Mas esse negócio tem um lado trágico: a morte e a incapacidade física de mergulhadores que se dedicam a essa actividade.

 

O NN encontrou-se, na aldeia piscatória de São Pedro, com três mergulhadores que ficaram incapacitados depois de terem sido atingidos pela doença da descompressão ou embolia gasosa enquanto mergulhavam para apanhar os pepinos do mar. A morte bateu-lhes à porta, mas conseguiram fechar-lhe a porta. No entanto, ficaram com sequelas que lhes impedem de voltarem a ter uma vida normal.

Márcio Neves, de 29 anos, esteve à beira de ficar numa cadeira de rodas, quando decidiu abdicar da pesca artesanal para se aventurar na extracção do pepino do mar. Mergulhador há mais de 12 anos, Márcio viveu momentos difíceis em Agosto, depois de realizar um mergulho para apanhar pepinos do mar na região do Ilhéu dos Pássaros.

 

Numa cadeira de rodas

Revelou ao NN que “depois de mergulhar por duas ocasiões para recolher o pepino do mar senti algumas cãibras no corpo. Por isso equipei-me com uma garrafa de ar para fazer a descompressão, porém, as dores mantiveram-se pelo que fui levado para o hospital. Depois de receber uma injecção regressei para casa, mas voltei a ter dores e de regresso ao HBS fiquei internado porque perdi o movimento nas pernas”. (leia mais sobre esta doença em http://noticiasdonorte.publ.cv/6691/a-morte-do-mergulhador-de-s-pedro-houve-negligencia-do-hospital-baptista-de-sousa/ )

O nosso entrevistado esteve internado durante um mês nos Serviços de Medicina e quando teve alta regressou para casa numa cadeira de rodas. Márcio Neves diz que recorreu a duas muletas para iniciar um período de recuperação, porque não conseguia ver a sua pessoa depender de uma cadeira de rodas. Neves ganhou a luta contra a paralisia porque hoje já anda sem muletas, apesar de apresentar ainda alguma deficiência nas pernas.

Mergulho da morte

André Ribeiro teve uma experiência de mergulho que lhe fez pôr de lado qualquer hipótese de voltar a exercer a profissão de mergulhador. No seu primeiro mergulho para apanhar pepinos do mar, este pescador de 32 anos, esteve à beira morte, numa zona com mais de 30 m de profundidade.

O pescador diz que “no dia 18 de Julho deste ano, fui convidado para substituir um colega na extracção do pepino do mar, na baía de São Pedro. Depois de fazer dois mergulhos regressei ao bote onde senti uma indisposição: uma dor de cabeça, falta de movimento nas pernas e no braço direito. Acabei por perder o equilíbrio. Fui conduzido ao hospital onde passei dez dias com paralisia nos membros superiores”.

Ribeiro regressou a casa no dia 1 de Agosto ainda em fase de recuperação, mas volvidos dois meses o pescador voltou à pesca, pois deixou de ter qualquer anomalia nas pernas. Ciente dos riscos acabou por colocar o equipamento de mergulho na prateleira: escolheu viver.

Mudança

Nilton Rocha, de 26 anos, tem uma história de mergulho em comum com Márcio e André, mas a diferença é que este ex-mergulhador sentiu a lesão quando extraía búzios. Tudo aconteceu em Julho de 2011, depois de ter mergulhado numa região com cerca de 27 metros de profundidade. De acordo com Nilton “ao segundo mergulho senti uma indisposição, mas como tudo voltou à normalidade continuei a mergulhar. Porém, depois de terminar o serviço senti algo de estranho no meu corpo e a partir desse dia, passei a ter tonturas e perturbações nalgumas partes do corpo”.

Passou sete meses numa situação de saúde crítica, por isso, abandonou a profissão de mergulhador. O entrevistado trocou o mar pela construção civil, porque apercebeu-se que o próximo mergulho poderia ser o mergulho para a morte. Mas acrescenta que de tempos em tempos, sente dores de cabeça que lhe fazem recorrer ao hospital para ser medicado.

A verdade é que depois do incidente que lhes marcou a vida, estes cidadãos afirmam que a extracção do pepino do mar e do búzio com garrafas de ar em locais muito profundos não compensa o sacrifício, antes pelo contrário, traz sofrimento para os familiares e para a comunidade. Isto é, o negócio desses moluscos pode ser um ganha-pão, mas é preciso procurar outras alternativas, porque não há dinheiro que traga a pessoa de volta para junto da sua família.

Entretanto, onde está a Direcção-Geral das Pescas: o que faz enquanto os pescadores morrem e outros ficam incapacitados? Para que serve gastar milhares de contos em formação e fiscalização se a morte e a incapacidade batem à porta dos pescadores que sem soluções arriscam a vida para retirar o sustento do fundo do mar?

 

  1. samurai

    Eduíno!!!!!
    Não foi o “Notícias do Norte” quem noticiou que o DGP disse ” A apanha de pepinos-do-mar é proíbida?”
    Então porque o último parágrafo? “Entretanto, onde está a Direcção-Geral das Pescas: o que faz enquanto os pescadores morrem e outros ficam incapacitados? Para que serve gastar milhares de contos em formação e fiscalização se a morte e a incapacidade batem à porta dos pescadores que sem soluções arriscam a vida para retirar o sustento do fundo do mar?”

  2. PeterM

    O que não se entende é que se gaste tanto dinheiro em formação e não se gaste dinheiro na aquisição de equipamento de descompressão para casos do genero. Em CV não há nenhum equipamento do genero e não acredito que o valor do investimento seja doutro mundo.

  3. Mediicina

    Esa embolia gaseosa esta sendo provocado porque os mergulhadores estao a mergulhar en profundidas e tambem falta um pouco de informasao para os mergulhadores para evitarem este ocorrido, neste caso o que eles devem fazer e evitar a subida brusca da profundida donde estao se nao fazelo de forma lenta pq a estas profundidades a presao de ar e maior entao iso faz que origina um embolo ou embolia de ar dentro dos vasos sanguineos e este viaja nos vasos sanguinea e pode terminar no cerebro o pulmao

  4. Mediicina

    No cerebro vai obtruir as pequenas arterias de alguma area responsavel de algum movimento corporal ou de outro sistema e provocara debilidad.Se fose no pulmao origina uma enbolia pulmonar e termina em morte subita por necrosis.Em Japao ja curam pesoas que tem este tipo de problema atravez duma camara de ar que disolve o ar formado no organismo seja donde estiver localizado.Evitem subir com muita rapidez das grandes profundidades.OBRIGADO

  5. Pedroso

    A DGP não manda ninguém mergulhar e nem tão pouco para apanhar pepino do mar.Pesca proibida e pescadores insistem em capturar tal espécie o que fazer então senhor articulista?Amarrá-los em casa ou pescadores devem tomar consciencia e fazer outro tipo de pesca?Criticar é bonitooooooooooooooooooooooooo

  6. FDP

    Eu só tenho pena das pessoas que sofrem um acidente ou azar, dos que pisam na lei e aventuram-se encontram o que procuram. Fuck them

  7. a inteligencia so existe fora da terra.

  8. Nelson Cardoso

    é preciso haver uma cooperação da própria comunidade e familiares em sensibilizarem os seus para dedicarem a tal actividade, uma vez que põe em risco a vida deles e sobrevivência de familiares dependentes. Caso a sensibilização não resulte, devem denunciar os praticantes, visto que a consequência (morte, paralisia, etc.) é mais grave do que uma simples denúncia.
    Agora, não culpemos o governo por tudo de mal que acontece no país.

  9. Cada galo no seu poleiro.Lei é para cumprir e não infringi-la.Captura do pepino do mar está proibida e quem desacatar terá o que merece -doenças paralisiacas , cardíacas e craneanas, esperando que sirva de lição para os que ainda insistem na captura do pepino do mar.Haja saco!!!!

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