Deputados de São Vicente divididos sobre a situação da ilha : a culpa é sempre do outro

29/11/2017 07:30 - Modificado em 29/11/2017 07:30
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O deputado do PAICV pelo círculo de São Vicente, João do Carmo, manifestou a sua preocupação com as verbas destinadas à ilha de São Vicente e acusa o Governo de ter discriminado de forma negativa a ilha de São Vicente no Orçamento de Estado para 2018. Afirmação que deixou descontentes os membros do Governo e do MpD, tendo a deputada do MpD pelo mesmo círculo, Celeste Fonseca, também discordado do ponto de vista de João do Carmo.

Do Carmo demonstrou-se indignado pela forma como a ilha tem sido tratada avançando que não mereceu o devido tratamento no Orçamento de Estado. Afirmou que a ilha ficou bem atrás de outras ilhas no que concerne às transferências através do fundo do ambiente.

O Governo e os deputados do MpD reagiram a estas afirmações declarando que não se pode fazer este tipo de discurso para não colocar as ilhas umas contra as outras recordando que no governo anterior, estavam presentes alguns deputados do PAICV com pastas na altura e que não fizeram nada pela ilha. “Acha que este Governo é o único responsável pelo estado das coisas em São Vicente? Não aloca nenhuma responsabilidade aos quinze anos em que estiveram no governo?”, questionou Celeste Fonseca.

Segundo Manuel Inocêncio, o município é o sétimo em termos de transferências para os municípios e o edil da ilha não reage porque é afecto ao partido que está no poder. E pedem mais para a ilha.

O Ministro dos Assuntos Parlamentares, Elísio Freire, reagiu e afirmou que a ilha receberá a maior transferência de sempre no âmbito das transferências para municípios e o Primeiro-ministro acrescentou que “o investimento público é importante mas não é o foco do processo de crescimento”. Adianta que só no Orçamento estão alocados para a ilha de São Vicente trezentos e noventa e sete mil contos para investimentos.

A oposição, PAICV, demonstra-se preocupada com os gastos do Governo, tendo como base a dívida do país. Neste sentido, caracteriza o Governo como gastador que se endivida para o consumo, o funcionamento da máquina do Estado, carros de luxo e patrocínio de festas e festivais, lamentando a ausência de projectos estruturantes para o país.

“O dinheiro do endividamento não vai para o aumento das bolsas de estudo para os jovens, nem vai para o aumento do transporte escolar para as crianças e nem para aumentar o emprego para os jovens”, afirma Manuel Veiga, deputado do PAICV que questiona onde tem ido o dinheiro do endividamento que tem empobrecido o país.

O Governo respondeu atribuindo a culpa da dívida ao governo anterior, acusando o PAICV de ter deixado o país estagnado. “O empobrecimento é crescer a zero por cento ou a quatro por cento?”, questiona o Ministro da Economia Olavo Correia. Ainda sobre a dívida acrescenta que sofreu um aumento por causa da assumpção da má gestão do governo anterior nos casos da TACV e do programa “Casa para Todos”.

A oposição pede ainda ao Governo para viajar menos e disponibilizar as quantias salvas nestas viagens para minimizar os efeitos do mau ano agrícola.

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