Mais de metade das crianças e jovens cabo-verdianos são pobres ou muito pobres

24/11/2017 07:27 - Modificado em 24/11/2017 07:27

Mais de metade das crianças e jovens cabo-verdianos são pobres ou muito pobres, de acordo com o perfil da pobreza em Cabo Verde, que revela ainda que 35% da população total é pobre e 10,6% muito pobre.

Os dados foram apresentados hoje, na cidade da Praia, durante uma sessão para assinalar o Dia Africano da Estatística.

Segundo os resultados definitivos do Inquérito às Despesas e Receitas Familiares 2001-2015, no qual se baseia o perfil, 43% das crianças entre os 06 e os 14 anos são pobres e 14% muito pobres, enquanto nos jovens entre os 15 e os 25 anos as taxas sobem para 62% e 38% respetivamente.

Os dados revelam ainda a influência da pobreza no abandono escolar.

Nas crianças entre os 06 e os 14 anos, as taxas de abandono escolar situam-se nos 3% de rapazes e 2% de raparigas (pobres) e nos 5% de rapazes e 2% de raparigas (muito pobres), enquanto entre os jovens entre os 15 e os 25 anos as taxas atingem os 62,5% de rapazes e 59,2% de raparigas (pobres).

Esta é uma realidade mais acentuada no meio rural e as taxas de abandono situam-se acima das de crianças consideradas não pobres.

Globalmente, em 2015, Cabo Verde tinha 179.909 pobres (35% da população) e 54.395 muito pobres (10,6% da população).

A população pobre cabo-verdiana é constituída sobretudo por mulheres (53%), com menos de 25 anos (60%), que migraram internamente (15%) e que têm apenas o nível básico de ensino (44%).

Os pobres cabo-verdianos vivem na sua maioria em meio urbano (51%), sobretudo na ilha de Santiago (59%) e na cidade da Praia (22%).

No caso dos muito pobres, a maioria vive em meio rural (68%), na ilha de Santiago (57%) e nos concelhos de Santa Cruz (15%) e na cidade da Praia (12%).

A dimensão média dos agregados familiares pobres é de 5,5 pessoas, sendo que a maioria (44,9%) é monoparental com crianças, seguida dos agregados conjugais com crianças (39,9%).

A maioria da população pobre está empregada (63%), nomeadamente no setor da agricultura (46,6%), 32% são inativos e 5% desempregados.

Alimentação, habitação, água e eletricidade e transportes são as principais despesas económicas dos agregados pobres, que vivem em casas próprias, mas más condições de habitabilidade e com problemas de saneamento, acessos e segurança.

Os dados revelam que a quase totalidade dos agregados pobres têm telemóvel, a maioria tem televisão e mais de um terço tem acesso à Internet.

O perfil avaliou também a considerada “pobreza subjetiva”, ou seja, a perceção dos inquiridos sobre a sua condição económica e concluiu que a maioria (63%) considera que o seu agregado é pobre, mas mais de dois terços (83%) adiantou nunca ter ficado sem alimentação ou dinheiro para comer nos últimos três meses anteriores ao inquérito.

Cabo Verde tem 535.139 habitantes.

 

Lusa

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