Cremilda Medina : “O meu compromisso é levar a nossa tradição, as nossas gentes aos quatro cantos do mundo”

24/11/2017 01:25 - Modificado em 1/02/2018 03:53
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Cremilda Medina apresentou, na passada sexta-feira, dia 17 de Novembro, o seu primeiro álbum, “Folclore”, na livraria Nhô Eugénio, na cidade da Praia, com casa cheia.

De acordo com o produtor da cantora, Miguel Silva, a livraria Nhô Eugénio foi pequena para receber todos aqueles que quiseram partilhar com a Cremilda aquele momento tão especial: o lançamento oficial do seu primeiro álbum.

“Um trabalho feito com muita dedicação e muito sacrifício, mas que já mereceu críticas muito favoráveis por parte de quem já ouviu este seu primeiro trabalho discográfico”.

Durante a apresentação, Cremilda Medina interpretou três temas do álbum que inclui treze músicas, que desde logo contou com a interacção do público presente. “Sonho dum Criola” de Morgadinho, “Mata Morte” de Ti Goi e “Sou Crioula”, uma composição do escritor angolano José Eduardo Agualusa e música de Ricardo Cruz.

Confira na íntegra a entrevista feita à artista por email ao Notícias do Norte, onde esta conta todo o processo de desenvolvimento do álbum, a escolha do nome para o primeiro trabalho discográfico, a recepção do álbum na sua primeira apresentação e os planos para o futuro. Diz que quer chegar onde as pessoas querem que ela chegue.

 Notícias do Norte: Porquê “Folclore” como título do primeiro álbum da carreira?

No início não foi fácil escolher um nome para o meu primeiro álbum.

Após fechar a escolha das músicas que iriam compor o CD, chegámos à conclusão que “Folclore” definia melhor o meu estilo tradicional.

Por tudo o que “Folclore” implica, gente, povo, conhecimento e sendo também tradição e usos populares transmitidos de geração em geração, revi este projecto em tudo isto. Manter a tradição, as nossas gentes, o conhecimento que os mais antigos nos transmitem, as nossas tradições, tudo isto me fez escolher “Folclore” como nome do meu primeiro álbum, pois é tudo isso que eu pretendo transmitir com este trabalho.

 Notícias do Norte: Ao ouvir o álbum “Folclore” percebemos que há diversos estilos musicais com fragmentos sentimentais que envolvem uma mistura de sonoridade única e com diversas influências. Como foi o desenvolvimento deste trabalho e a sua consequente apresentação?

Este trabalho foi pensado para manter a essência da tradição assim como os costumes das nossas gentes. Quero que sempre que as pessoas ouçam “Folclore” possam viajar no tempo, pois é isso que ele faz comigo.

As sonoridades foram propositadas para se manter o “outrora”, desde a forma de como tocar os instrumentos, de como interpretar, sempre a pensar em manter a nossa história viva.

Não basta dizer que se gosta de Mornas ou de Coladeiras e depois não se faz nada para se dar vida e visibilidade a estes estilos musicais. Foi neste sentido que este trabalho foi desenvolvido e apresentado ao público, apesar desta fase de apresentação ainda estar no seu início.

Notícias do Norte: Como sentiu a recepção do público ao álbum no dia do lançamento?

Foi muito emocionante porque a Livraria Nhô Eugénio estava repleta de amigos, familiares e fãs. Desde que o álbum ficou disponível fisicamente, vendeu-se logo uma grande quantidade de CD, o que nos deixou muito felizes, pois significou que as pessoas gostaram e estavam ansiosas por ouvir e adquirir um exemplar de “Folclore”.

Na apresentação/lançamento interpretei três temas do álbum que contaram com a interacção do público presente, o que me deixou mesmo muito feliz.

Foi um dia muito especial!

Notícias do Norte: O trabalho em si. Como foi o processo de gravação do álbum

O CD foi gravado entre Cabo Verde, Portugal e Estados Unidos.

No ano passado, com o lançamento do primeiro single, “Raio de Sol”, de certa forma foi dado o pontapé de saída ao álbum “Folclore”. Com este single, senti uma grande receptividade por parte do público o que me fez pensar em gravar o álbum.

Fui desafiada, também devido à minha paixão pelo Fado, a gravar uma música neste estilo, o que me fez deslocar a Portugal em Abril para gravar o tema “Sou Crioula”, tema escrito pelo escritor angolano José Eduardo Agualusa especialmente para mim, com música e produção musical de Ricardo Cruz, músico e produtor musical que já trabalhou com nomes mundialmente conhecidos, como é o caso de Mariza, Dulce Pontes, entre muitos outros.

À excepção desta música, todas as restantes têm a produção musical de Kim Alves, gravadas entre Cabo Verde e os Estados Unidos.

Notícias do Norte: Quais foram as vossas influências durante a gravação deste álbum?

Pesquisei muito sobre a maneira como se cantava antigamente e escutei muitas músicas interpretadas por Cesária Évora, Maria Alice, Titina Rodrigues, Celina Pereira, Bana, Manuel d’Novas, entre muitos outros, para poder manter o estilo da simplicidade, simplicidade essa que sempre tentei transmitir com a voz e a minha forma de ser e estar no mundo da música.

Também graças ao mestre Kim Alves, conseguimos ter a mesma simplicidade em relação à instrumentação.

 Notícias do Norte: Se pudesse escolher uma música para definir o álbum, qual seria?

 Felizmente não o posso fazer!

Todas as músicas definem o álbum “Folclore”, desde a forma como foram tocadas até à interpretação. Todos os temas falam e abordam Cabo Verde, sonhos, realidades e vivências assim como estórias, daí que seria muito difícil escolher apenas uma música para definir este álbum.

Notícias do Norte: Qual a música mais especial, a de trabalho?

Todas as músicas são muito especiais para mim.

 Notícias do Norte: Para o futuro, o que podemos esperar de novidades? Já tem datas definidas para a tournée de divulgação do disco e algum projecto/parceria em andamento?

 Na próxima semana estarei em Portugal para a divulgação nalguns programas de televisão, como o caso do Conversas ao Sul, Benvindos entre outros e no dia 2 de Dezembro farei uma directa na RTP 1.

Em finais de Janeiro e princípios de Fevereiro voltarei novamente a Portugal para continuar a promover o CD onde já tenho 5 showcases confirmados em lojas FNAC, 2 no Porto e 3 em Lisboa.

Depois, no dia 2 de Fevereiro, será feito um concerto de apresentação do “Foclore” no espaço B. Leza em Lisboa.

 Notícias do Norte: Onde quer chegar? Quais são os planos? 

 Eu irei chegar onde as pessoas quiserem que eu chegue; é esta a minha forma de estar. Eu quero chegar onde as pessoas me quiserem levar, de braços abertos.

O meu compromisso é levar a nossa tradição, as  nossas gentes e os nossos costumes aos 4 cantos do mundo, se assim me for possível.

Os meus objectivos são claros e transparentes, levar o nome do nosso País e da nossa cultura o mais longe possível, levar “Folclore” a todos os continentes.

Manuel d’Novas já dizia: “Ca bocês dtchá morrê, Folclore di nôs terra, pa donde qui bocês bai, sês cantal co veneração, sês cantal na partida, sês cantal na regresso” e é isso que eu anseio fazer, sempre.

O disco já se encontra à venda nas plataformas digitais, iTunes, Google Play, Amazon, Spotify entre outras, assim como em suporte físico em muitas lojas em Cabo Verde.

Elvis Carvalho

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