Cabo Verde tem “boas condições” para chegar a zero de mortalidade materno-infantil

21/11/2017 03:42 - Modificado em 21/11/2017 03:42
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A representante das Nações Unidas em Cabo Verde, Ulrika Richardson, defendeu hoje que o país tem condições para alcançar uma mortalidade materno-infantil zero.

“Há boas condições para chegar a ter zero de mortalidade materno-infantil”, disse Ulrika Richardson, adiantando que para que isso aconteça todo o sistema de acompanhamento da saúde das mulheres tem que ser integrado.

Ulrika Richardson falava à agência Lusa a propósito do lançamento, na terça-feira, na cidade da Praia, da Campanha de Reforço da Redução Materno-Infantil em África (CARMMA), iniciada em 2009 pela União Africana para acelerar a redução da mortalidade materno-infantil no continente.

A responsável da ONU apontou como exemplo a necessidade de um acompanhamento desde muito cedo em matéria de saúde sexual e reprodutiva não apenas junto das jovens mulheres, mas envolvendo também os homens.

“Cabo Verde tem feito um bom trabalho, mas tem que continuar e também acelerar esse trabalho”, disse.

Cabo Verde debate-se com um problema de gravidezes na adolescência, sendo que dados de 2013 apontavam que cerca de um quarto das grávidas do país tinham menos de 19 anos.

A representante das Nações Unidas destacou os “bons indicadores” em matéria de atendimento às grávidas, mas sublinhou a importância de a gravidez, o parto e o pós-parto terem um seguimento integrado.

“A mortalidade perinatal, nos primeiros dias a seguir ao nascimento, é ainda uma preocupação e isso leva-nos a concluir que o atendimento e a atenção depois do parto são igualmente importantes”, disse.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), revelam que Cabo Verde tem a menor mortalidade materna entre 47 países africanos, tendo registado, em 2015, 42 mortes por 100 mil nascimentos (53 mortes em 2013).

Entre os países lusófonos é o segundo melhor classificado neste indicador, a seguir a Portugal que tem 10 mortes por 100 mil nascimentos.

Brasil (44 mortes), São Tomé e Príncipe (156), Angola (477 mortes), Moçambique (489) e Guiné-Bissau (549 mortes) são os indicadores dos restantes países lusófonos.

Globalmente, a OMS regista uma média de 830 mortes diárias por complicações ligadas à gravidez e ao nascimento, sendo que dois terços ocorrem no continente africano.

Os dados da OMS apontam também progressos na mortalidade infantil em menores de 5 anos, tendo Cabo Verde passado de 26 mortes por mil nascimentos em 2013 para 24,5 mortes por mil em 2015.

Dados divulgados em 2016 pelo Ministério da Saúde de Cabo Verde situam a taxa de mortalidade infantil dos menores em cinco anos em 17,5 por mil nados vivos.

Os dados da OMS revelam uma subida de mortes em menores de um ano, passando de 11,4 em 2013 para 12,2 mortes por mil nascimentos em 2015.

 

Lusa

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