Tatuadores e tatuagens: “a arte da dor que vicia”

20/11/2017 17:30 - Modificado em 20/11/2017 17:44
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A carreira de um tatuador é semelhante a de qualquer artista. A arte te eternizar os desenhos na pele, em geral, é fruto do estilo de tatuagem que cada um escolhe desenvolver e, naturalmente, de sua própria personalidade.

A maioria não começa liderando seu próprio estúdio. E os amigos são as suas principais “vitimas” e todos defendem que o local deve ser bem higienizado e recomendam sempre cuidado na escolha de fazer a primeira tatuagem, quais os procedimentos, o método de trabalho do tatuador.

Conheça um pouco sobre três tatuadores de Cabo Verde, Tin Sousa, Tony L-Square e Wj ArtCor Delgado, que estão a trilhar o seu caminho nesta arte, que tem conquistado um exército de fãs.

Tin Sousa

A primeira tatuagem de Tin Sousa foi em 2009, e depois parou em 2010 devido ao seu trabalho como marítimo, onde passava meses no mar sem praticar algo que ama muito, e no inicio deste mês, 04 Novembro, completou um ano que está a trabalhar como tatuador de forma consistente.

Diz que não se lembra exactamente de quantas tatuagens já fez, mas garante que já foram mais de cem. “Estão ao torno de 150, contando com os que fazia quando estava de férias em terra” conta entre risos, o tatuador que no passado mês de Julho, juntamente com outros tatuadores participou na primeira feira de tatuagens em São Vicente, que reuniu no mesmo espaço seis tatuadores de Cabo Verde, criando um intercâmbio de contactos e conhecimento entre trabalhos.

Conta que a sua primeira experiencia foi algo estranho. “Não tive medo nem insegurança, foi como se sempre o fiz, apesar de não ter ficado uma boa tatuagem, mas descobri que tinha talento, e exactamente nesse dia fiz a minha primeira tatuagem”, conta este tatuador mindelense da zona de Cruz João Évora, e a sua primeira tatuagem foi o trabalho de um amador.

No início, “Tin Sousa” usava equipamento emprestado, tatuava os amigos em casa e postava nas redes sociais o resultado; assim foi crescendo o número de interessados em ser pintado por ele, mas antes de chegar onde está e almejando ir mais longe, começou com uma máquina caseira e muitos amigos a servirem de cobaias.

Diz que a tatuagem para si é uma arte, e três das quatro tatuagens que tem, foram feitos por si.

A visão que tem dos artistas, porque se considera um, é que ao longo dos anos tem ganho algum reconhecimento público e por isso trabalha arduamente para dar o seu contributo a este reconhecimento. Alerta ainda para locais que considera não ser conveniente “rabiscar”, como a cara e o pescoço. Mas no final a escolha é do cliente. E defende que a idade certa para se fazer uma tatuagem, é quando se para de crescer e “estabiliza para que não deforme”.

Não possui um estilo específico e quer navegar em todos tentando tirar o melhor partido de cada um. E evoluir a sua maneira. “Mas foto realismo desperta mais a minha curiosidade” confessa.

Tony L-Square

Com quase três anos a trabalhar com tatuador, diz que em Cabo Verde é uma” arte da dor que vicia”. No entanto possui apenas três tatuagens. Diz que nunca pensou em ser tatuador, está apenas a aproveitar uma oportunidade que a vida lhe deu.

Já perdeu a conta de quantas tatuagens já fez, mas lembra que a sua primeira experiência aconteceu, tendo como a sua namorada, como “cobaia” e o considera uma experiencia interessante. “Tive uma sensação de medo de alguma coisa desse errado”.

Como você descobriu que tinha talento para ser tatuador?

Já tinha uma noção de desenho em papel e já fazia decoração de casa com pinturas. Meu primo ofereceu-me um kit de tatuagem e fiz algumas pesquisas na net e fiz algumas formações online e assim foi aprendendo e a cada dia aperfeiçoando.

Foi assim que ao longo destes anos, este jovem de Ponta de Sol tem-se desenvolvido o talento, e acredita que existe uma idade certa para se fazer uma tatuagem, com autonomia e que já assume as suas responsabilidades e decisões pode optar para quando quer ser “pintado”.

Entretanto recomenda, escolher e pensar muito antes de avançar. Entre outros aspectos informar sobre o tatuador, ir ao local e ver a questão de higiene, falar com o tatuador e não ter pressa.

Questionado sobre o que a esta arte representa para si, este afirma que é quase igual a qualquer outro artista, é viver a arte é transferir do papel para a pele se um ser humano algo que vai ficar eternizado. “É uma experiência muito boa, fazer um trabalho que eu gosto e ver as pessoas a valorizar”. Porque quando chega ao final do trabalho e este ultrapassar as suas expectativas. E ficar de boca aberta como o desenho na pele.

Wj ArtCor Delgado

Começou há cerca de 05 anos e também não se lembra de quantas tatuagens já fez. Mas é uma paixão que está consigo desde criança e na oportunidade que teve, juntamente com um amigo construiu uma máquina caseira e actualmente trabalha nesta arte quase todos os dias. Porque ama o que faz e sempre tenta melhorar cada vez mais em cada estilo. Cada dia vê mais o seu trabalho espalhado pela ilha e outros locais e sente orgulhoso sempre que termina um trabalho bem feito e o cliente aprova e elogia.

Natural do Porto Novo, afirma que tem assistido ao longo dos anos, uma valorização da arte na sua cidade e considera que a partir de 18 anos é a idade certa para começar a fazer tatuagem. Isso depois de conhecer o ambiente e seguir as instruções do tatuador escolhido.

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