A morte do mergulhador de S. Pedro: houve negligência do Hospital Baptista de Sousa?

25/10/2012 00:04 - Modificado em 25/10/2012 00:04

Qual o diagnóstico que foi feito no HBS e o que foi feito durante os dez dias em que o falecido mergulhador passou aí? Na falta de especialistas em medicina subaquática e hiperbárica quem determinou os procedimentos?

 

Um email recebido pelo NN acusa o Hospital Baptista de Sousa por não ter efectuado os procedimentos correctos no caso do mergulhador de S. Pedro que esteve aí internado com uma embolia gasosa ou doença de descompressão e que acabou por falecer. O cidadão que a assina, Rui Freitas, biólogo, escreveu que “O HBS não tem especialistas em medicina subaquática e hiperbárica e está claro que o falecido foi vítima de embolia (doença de descompressão). Deixá-lo ali no HBS sem o auxílio de uma simples câmara de descompressão foi SIM o maior suicídio. Bastava que no segundo dia, mesmo paralisado e com sinais vitais óptimos, se pedisse a 2 mergulhadores experientes (Livinio- Pelé e Djulay; Alain ou Munaya na Praia) para que o levassem aos 40 m e subissem à superfície seguindo o protocolo de descompressão ainda mais indicado para o seu caso….Quem sabia? Quem procurou saber?…mais uma mania de saber tudo e de cairmos na ignorância. Que o Rapaz tenha a paz merecida “

 

O NN procurou o director clínico do HBS para comentar estas afirmações, mas até agora não foi possível obter a sua reacção. Mas uma pesquisa pelos sites especializados sobre a doença da descompressão parece dar razão ao “Rui Freitas”. O site http://www.manualmerck.net/?id=310&cn=1350 referindo-se à forma de tratamento considera o seguinte: Quando se verifica uma descompressão é necessário fazer uma recompressão numa câmara de alta pressão, onde esta é gradualmente aumentada, com o objectivo das bolhas formadas serem comprimidas e dissolvidas. Como consequência, recupera-se o fluxo normal de sangue e o fornecimento de oxigénio aos tecidos afectados. Depois da recompressão, a pressão é gradualmente reduzida, com pausas preestabelecidas, para dar tempo a que o excesso de gases abandone o organismo sem provocar qualquer dano. A transferência da pessoa para uma câmara adequada é prioritária em relação a qualquer outra medida durante a referida transferência ou que possa ser adiada sem que tal implique um risco para a sua vida.”

O NN sabe que o pescador falecido esteve internado durante dez dias no HBS e não sabemos que tratamentos recebeu. O certo é que o site a que nos referimos considera o seguinte: “Se não se prestar assistência imediata nem se tratar adequadamente a embolia gasosa ou o mal da descompressão, corre-se um elevado risco da pessoa afectada sofrer lesões graves e permanentes. Os mergulhadores que só sofrem comichões, erupção cutânea e grande fadiga normalmente não precisam de recompressão, mas deverão permanecer em observação para a eventualidade de surgirem sintomas mais graves. Respirar oxigénio a fundo, com uma máscara ajustada, pode aliviar os sintomas.

A doença por descompressão (mal da descompressão, embolia gasosa, paralisia dos mergulhadores) ocorre quando os gases dissolvidos no sangue e nos tecidos formam bolhas que obstruem a passagem do sangue, provocando dor ou outros sintomas. Os sintomas iniciam pouco depois de se ter terminado o mergulho e variam muito.

 

Quais as causas

Quando o retorno à superfície é demasiado rápido, o nitrogénio (azoto) acumulado nos tecidos (em maior quantidade consoante a profundidade e a duração do mergulho) do corpo não tem tempo de ser libertado pela respiração e forma bolhas (gás) no sangue e tecidos (semelhante a quando se abre, rapidamente, uma garrafa com líquido gaseificado).

Essas bolhas vão obstruir os vasos sanguíneos, originando zonas onde o sangue deixa de chegar em quantidade suficiente, iniciando-se a doença da descompressão.

Resta saber qual o diagnóstico que foi feito no HBS e o que foi feito durante os dez dias em que o falecido mergulhador passou no HBS·

  1. PJota

    Boa Rui, bem falado!!!!!!!!!!!!!

  2. CidadaoCV

    Parece que estamos perante mais um caso de negligência médica. É que os “nossos” médicos sofrem de um síndroma muito grave, conhecido por; SNE- Síndroma de Nariz Empinado. E isto é burrice, e é crime.

  3. Culpado?

    O coitado também não morreria se não tivesse transgredido as ordens da Direcção Geral das Pescas.
    Sim culpamos o hospital. Também e, não menos importante, culpar todos aqueles que transgridem.
    Se ele não tivesse sido tomado pela ganância, quem sabe estaria entre nós neste momento.
    Há dois culpados: O hospital e o falecido.

  4. Agradecer a noticiasdonorte pelo interesse. Queria deixar claro que pelo menos, já uns 20 anos (por causa do Sal), CV deveria ter câmaras (1,2,3) de descompressão para curar esses e outros males que uma descompressão correcta cura. Excluindo essas câmaras, e no caso dum prognostico reservado, a pratica de submersão ao estado inicial, deve ter como alternativa viável dependendo de caso para caso (existem mergulhadores profissionais ex Pele, Djulay, César Melo em Mindelo). Porém 10 dias no H, sem alternativas, é morte assistida programada ou cadeira de rodas para muitos casos.
    Na biblioteca do DECM (ex ISECMAR) existe um (1 um) livro clínico espanhol muito bom, dedicado à tal Medicina Subaquática e Hiperbárica (fazer cópia e entregar urgente ao HBS). Onde está a tele-medecina, email, solicitarem parecer fora a especialistas…

    Dicas do Hurbetize Alain via SKYPE (9914424; http://submarineservices.net/)
    [22-10-2012 23:17:05] Hurtebize Alain: esta a falar do mergulhador; sim eles podia tentar fazer algumas medidas terapeutica como apoio da DAN e medico hiperbarico a distancia. Sim agora entendo , sim apos dos primeiros sintomas devia deixar a meia profundidade , recomprimir e iniciar um longo periodo de descompressao até melhorar, ja fiz este processo para mim proprio e funcionou, pois ja tinha pernas presas

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