“Bokafumo”: um auto-retrato de uma vida de superação às drogas

9/11/2017 02:12 - Modificado em 9/11/2017 11:05
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“Bokafumo”, uma história de superação as drogas, contada na primeira pessoa, pelo fotógrafo mindelense Zé Pereira que foi usuário de droga durante largos anos.

Com prefácio e o posfácio de José Luís Vaz e Celestino Lobo, dois “amigos e camaradas de luta nesta caminhada contra as drogas”, a obra é composta em duas partes, onde na primeira parte, o autor debruça-se sobre a dependência das drogas e uma segunda que aborda o processo de tratamento e de recuperação.

Uma obra apresentada na cidade da Praia, esta terça-feira, onde relata detalhes importantes da sua dependência até a superação, passando por um longo caminho. Tendo como começado cedo a sua “aventura” pelo mundo das drogas, esta obra possui um grande objetivo, que segundo o autor “é sem dúvida alertar os nossos jovens para o perigo de se iniciarem nas drogas e transmitir que jamais deverão fazê-lo. Ainda, transmitir aos que estão a consumi-las e aos que estão dependentes delas que acreditem, que são capazes de as deixar se assim e honestamente o decidirem e forem determinados”

Uma ferramenta de esperança, este é outro objetivo do livro. Que seja uma “voz de esperança” as famílias que são obrigadas a passar por esta provação. “Estes seriam os objetivos primeiros, no entanto, o livro faz também um apelo contra o preconceito e estigma social contra os toxicodependentes”.

A ideia da concepção deste livro é antiga, diz Zé Pereira. Conta que alguns dos textos da obra foram escritos no tempo da sua dependência, e que mostram já essa consciência, e outra parte da obra reúne textos recentes. “A parte que foi escrita agora aconteceu a partir do mês de Junho deste ano”.

Agendado para ser lançado Mindelo em Dezembro, Pereira tem usado a sua página no facebook, há vários anos, abordando o assunto. “Tenho feito isso no sentido de fazer prevenção contra o uso das drogas. Muitos amigos vinham incentivando-me a fazê-lo também mostrando-me como este podia ser útil à nossa sociedade e aos nossos jovens”, reitera este fotógrafo, que apesar da sua profissão optou por fazer ilustrações e textos desenhados no tempo em que consumia, para mostrar a autenticidade dos seus sentimentos.

Consciente do problema, e do sofrimento que causa, não só ao dependente, mas para todos que o cercam, procura usar o seu conhecimento e a sua experiencia de “libertação para apoiar e encorajar aqueles que provavelmente neste momento não acreditam que serão capazes de se libertarem, assim como eu próprio e durante anos, pensei também não ser capaz. É possível sim e há vários casos de pessoas que um dia de cada vez vêm vencendo este flagelo há vários anos e que são a prova de que querendo, conseguimos”.

Questionado sobre quando sentiu a necessidade de se expressar como escritor, este responde que desde cedo começou a escrever, antes mesmo de experimentar drogas e se embrenhar por largos anos na dependência. “Sempre o fiz em momentos de inspiração e nunca determino ou traço uma rotina para o fazer. Assim, escrevi este livro de forma natural e espontânea seguindo a minha inspiração. Não foi fácil no entanto reviver momentos dolorosos da minha vida e houve momentos em que as lágrimas fizeram-me parar”, relembra.

“O propósito do mesmo no entanto não me deixou desistir e tinha a firme decisão que os objetivos a que este livro se propõe justificavam suportar qualquer sofrimento por um bem comum, os nossos jovens, as nossas famílias e a nossa sociedade em geral”.

NN – Como a fotografia entrou na sua vida?

Zé Pereira – A fotografia que faço, penso retrata muito de mim próprio. A minha recuperação e o meu amor pela vida e pela natureza, os meus anseios por um Cabo Verde mais justo quando fotografo situações de injustiça social. Tem sido certamente uma terapia que me transmite uma enorme paz e que me faz sentir bem comigo mesmo, permite-me conhecer melhor o meu país e a nossa gente, a nossa história, tradições e cultura.

EC

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