Captura do pepino-do-mar: a morte espreita no próximo mergulho

25/10/2012 00:00 - Modificado em 25/10/2012 00:24

De nada valeu a decisão da Direcção-Geral das Pescas em proibir a captura ilegal do pepino-do-mar por parte de alguns cidadãos da zona de São Pedro, em São Vicente. Isto porque os pescadores/mergulhadores desta localidade continuam a fazer a captura desta espécie de forma clandestina. E com a morte de um pescador derivado da captura do pepino-do-mar, os moradores pedem a intervenção urgente das autoridades marítimas.

 

A captura ilegal do pepino-do-mar está a preocupar alguns moradores da aldeia piscatória do São Pedro. É que de uma hora para outra, vários pescadores/mergulhadores daquela localidade voltaram a sua faina para a recolha dessa espécie que é tida como uma iguaria da culinária com propriedades afrodisíacas. E por isso é vendida aos tripulantes dos barcos chineses e aos africanos entre 12 a 15 euros o quilo.

Considerada pelos pescadores/mergulhadores como rentável, transformou-se no ganha-pão de várias famílias. Mas esta actividade está a violar a lei ,primeiro porque é proibido usar garrafas de ar na captura de frutos do mar e segundo porque a Direcção-Geral das Pescas suspendeu a extracção e exportação do pepino-do-mar.

 

Preocupação

De acordo com um grupo de moradores a captura do pepino-do-mar deixou marcas que dificilmente se apagam da memória de quem vive em São Pedro. Isto porque existe um jovem que ficou com sequelas nas pernas, alguns mergulhadores sofreram lesões na zona cerebral e por ora a aldeia chora a morte de Evaristo Silva.

“As autoridades marítimas têm que agir o quanto antes e confiscar os materiais de captura, porque há pescadores/mergulhadores que continuam a arriscar a sua vida. O pepino-do-mar pode valer bom dinheiro as famílias, mas os pescadores têm que ter consciência de que essa actividade tem as suas contrariedades. E quando acontece uma tragédia não há dinheiro que traga a pessoa de volta para a sua comunidade” – desabafam os moradores

 

Perigo de vida

Um mergulhador, com cerca de 20 anos de experiência ,diz que deixou esta actividade porque esteve a beira da morte. “Há alguns meses quase perdi a vida na captura do pepino-do-mar, por isso abdiquei dessa actividade onde se vende cada pepino a 130 escudos. Lamento a tragédia que assolou a nossa zona, mas acho que chegou a hora de reflectirmos sobre esta situação, porque mergulhar sem formação técnica e protecção pode culminar em mais mortes”.

Questionado sobre a região do Ilhéu dos Pássaros, o nosso entrevistado afirma que “porque questões de segurança faz-se apenas um mergulho nessa área, porque possuiu profundidades acima dos 40m. E repetir a dose pode trazer problemas a saúde do indivíduo, como a doença por compressão, conhecida por paralisia do mergulhador que ocorre quando os gases dissolvidos no sangue e nos tecidos formam bolhas que obstruem a passagem do sangue, provocando dor ou outros sintomas como a paralisia ou um funcionamento cerebral anormal”.

 

  1. Muitos dos pescadores do São Pedro são bem conhecidos na ilha por praticarem vários tipos de pesca ilegal sem qualquer escrupulo. É só ir ao calhau e percorrer a costa até ao Topinho para ver estes senhores com os suas redes de malha a apanharem tudo o que tiver barbatanas.
    Estes fundos estão a tornar-se ESTEREIS… As autoridades nunca fizeram nada e só fazem quando vêm que podem lucrar com isso.

  2. Pedroso

    Nem se chega a ter pena quando se desobedece a lei.

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