Burla das sementes:  um burla simples que rende milhares

17/10/2017 23:54 - Modificado em 17/10/2017 23:56
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Relativamente ao crime de “Burla das sementes”, noticiado por este online sobre a operação da Polícia Judiciária que culminou na prisão preventiva de três cidadãos membros de uma rede criminosa que se dedica a esta prática, os indivíduos foram capturados em flagrante delito pela PJ no passado dia 03 de Outubro, na zona de Monte Sossego, quando se preparavam para burlar mais uma vítima em cerca de cento e cinquenta contos.

Os três homens pertencem a uma rede criminosa que se dedica ao crime de burla das sementes e são responsáveis por mais de 30 crimes desta natureza tendo já lesado as vítimas em mais de quatro milhões e quinhentos mil escudos cabo-verdianos.

De acordo com a Polícia de Investigação Científica, nos últimos tempos têm surgido alguns casos de burlas que a polícia convencionou chamar de “burla das sementes”. Os casos têm aparecido um pouco por todo o país mas, com maior incidência na Ilha de Santiago, Cidade da Praia.

Tendo suscitado algumas dúvidas sobre a natureza deste crime, a PJ esclarece em que sentido se pressupõe este crime. “O golpe de burla das sementes é bastante simples e não apresenta um padrão específico. Em síntese, o esquema baseia-se no seguinte: a vítima recebe um telefonema, com origem em Cabo Verde mas, com indicativo de um país estrangeiro, onde o burlão ou golpista finge ser da sua amizade e conhecido da família e, que quer oferecer à vítima a possibilidade de realizar um bom negócio, repartindo entre eles o lucro que é bastante alto”.

“O burlão ou golpista que fingindo estar num país estrangeiro a trabalhar para uma determinada fábrica ou laboratório, informa a vítima que o seu patrão se encontra em Cabo Verde à procura de uma determinada semente milagrosa que é utilizada na cura de determinada doença rara e pede à vítima para intermediar esse negócio. Nisso, o burlão oferece o número da pessoa a quem vende as sementes, o número do telefone do seu patrão e o hotel onde o mesmo se encontra hospedado. Depois dos primeiros contactos, a vítima faz ou recebe chamadas do suposto vendedor das sementes, combinando a compra e a venda e o local da entrega”.

Nisso, se a vítima optar por realizar o negócio solicitado, pois há casos em que a vítima compra logo uma grande quantidade de sementes mas, há outros em que a vítima opta apenas por comprar um grão como amostra, aguardando pela confirmação do suposto patrão. Nesse caso, a vítima sai a ganhar, normalmente compra por 1.000$00 (mil escudos) e vende por 25 Euros (vinte e cinco) euros cada grão de semente ao tal patrão, criando assim na vítima a convicção de um negócio bastante lucrativo.

Depois disso, o suposto patrão, fingindo não falar a língua materna ou a portuguesa, volta a entrar em contacto com a vítima através de um suposto tradutor, informando-o que a semente é de boa qualidade e que precisa de uma quantidade maior. A vítima, perspectivando um negócio bastante rentável, é levada ao limite até esgotar a sua capacidade de pagamento.

Depois da vítima adquirir as sementes, os golpistas simplesmente desaparecem e os números de telefone são desligados. Nem é preciso dizer que na realidade as sementes não têm qualquer valor comercial. As vítimas, por várias razões, recusam-se a participar às autoridades o sucedido.

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