Governo cabo-verdiano pede confiança nas instituições em caso de barcos suspeitos de pesca ilegal

21/09/2017 01:10 - Modificado em 21/09/2017 01:10
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Praia, 20 set (Lusa) – O ministro do Ambiente cabo-verdiano pediu hoje “confiança e boa articulação” entre instituições no caso dos dois barcos apreendidos na ilha de São Vicente, por suspeitas de pesca ilegal, e que ambientalistas alertam para o regresso ao mar.

Na terça-feira, a associação ambientalista cabo-verdiana Biosfera I apelou às autoridades de Cabo Verde e internacionais que evitem que dois dos barcos mais procurados do mundo e apreendidos há dois anos no país pela Interpol, por suspeitas de pesca ilegal, voltem a navegar.

O presidente da Biosfera I, Tommy Melo, disse que o alerta partiu da Sea Shepherd Global, organização internacional não-governamental que estava a cooperar com a associação local na altura que os barcos foram apreendidos em Cabo Verde.

Mais de dois anos após a apreensão, Tommy Melo avançou à Lusa que as duas embarcações “mudaram completamente de fisionomia”, indicando que estão repintados, com novo nome e com bandeira de outros países e que poderão voltar a navegar a qualquer momento.

Questionado hoje sobre o assunto, o ministro da Agricultura e Ambiente de Cabo Verde, Gilberto Silva, sublinhou que o Governo “defende o primado da lei” e que as instituições têm as suas atribuições e devem cumprir com as suas responsabilidades.

“O Ministério da Agricultura e Ambiente defende os interesses ambientais, mas não podemos substituir outras instituições que trabalham em prol de todo este sistema, designadamente a Guarda Costeira, a Agência Marítima e Portuária (AMP) e as instituições ligadas à pesca”, apontou.

Gilberto Silva destacou a preocupação manifestada por organizações da sociedade civil, mas considerou que todos devem trabalhar “num clima de confiança mútua, tendo o primado da lei em primeiro lugar”.

O ministro referiu que a pesca ilegal é proibida em Cabo Verde e que o país deve atuar, “independentemente da embarcação”, mas sublinhou que nem tudo deve ser tratado na comunicação social.

“As instituições devem trabalhar, com alguma discrição, tomar as medidas que são impostas, também pela própria lei”, sustentou, afirmando que se trata de uma matéria de competência de várias instituições cabo-verdianas.

O governante disse que seu Ministério realizou um encontro com o delegado da AMP em São Vicente, não sobre o assunto, mas sim para falar sobre o monitoramento e fiscalização das áreas marinhas protegidas do arquipélago.

A Biosfera I e a Sea Shepherd Global apelam às autoridades cabo-verdianas e internacionais para evitarem que os barcos zarpem do Porto Grande do Mindelo, porque passaram 12 anos a “fugir” das autoridades internacionais e foram apreendidos “por acaso” em Cabo Verde

Lusa

 

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