“Kumi e Bibi”: a capa da discórdia

21/09/2017 01:07 - Modificado em 21/09/2017 01:08

A linha de cadernos com a frase “eh kel la ki nos é bom, kumi e bibi” tem agitado o novo ano lectivo. Isto por causa da mensagem subliminar que pode existir na frase, fazendo referência ao consumo de bebidas alcoólicas. A frase é um extracto de uma música de Djojde e que esteve também em destaque quando foi eleita música popular do ano no Cabo Verde Music Awards.

Nas redes sociais, o debate tem sido intenso com muitos contra os dizeres nos cadernos. “Vergonha”, “tristeza”, “lamentável” são alguns adjectivos que os internautas utilizam para classificar os cadernos. Os pais e as agências reguladoras não escapam aos comentários dos internautas sobre o tema.

“Uma vergonha, as crianças nem sabem das mensagens que levam nas malas mas os pais sabem muito bem que tipo de mensagens que os seus filhos estão a levar para as salas de aula”, escreve um internauta. Outro internauta escreve que acredita que “existem órgãos criados para regular e fiscalizar as acções de marketing económico. Significa que, neste caso, não se está a verificar nem regulação e nem o controlo dessas empresas de marketing”. E, neste aspecto, opta por chamar a atenção dos organismos do Estado para exercerem a sua autoridade.

Outro internauta, já mais radical, pede para “retirar esses cadernos o mais rapidamente possível”. Enquanto isso, questiona os valores com que cresceu nos textos da escola. “Triste porque estamos no mau caminho e estamos a incentivar os jovens a trocarem a escola pelo álcool, vício esse que nos últimos tempos manda em Cabo Verde”.

“Onde estão as reguladoras!? Isso sim, precisa de ser controlado, não o saldo das operadoras móveis”, avança outro utente que utiliza a oportunidade para deixar críticas de outras situações. “Eu nem acredito no que eu estou a ler e a ver. Como é possível Sr. Primeiro-ministro OU MINISTRA DA EDUCAÇÃO deixarem passar isso na vossa cara”, outro comentário.

Os comentários não ficam por aqui e, de uma forma mais abrangente, um internauta escreve sobre a situação em geral. “Terra onde cartazes de cerveja estão em todos os lados, festival de cerveja, terra onde se tem promovido o álcool”. E mesmo com a situação, este internauta elogia a criatividade. E questiona porque foi dado o prémio à música e em todas as festas de escola tocam a música onde a frase foi retirada.

 

Opinião do Chefe da Casa civil

O Chefe da Casa Civil, Manuel Faustino, comentou este tema na RCV. “Naturalmente, ainda que não tenha sido intenção das pessoas, há uma mensagem subliminar do consumo de bebidas alcoólicas o que não é bom e é um material dirigido a crianças”, afirmou relembrando a campanha da Presidência da República sobre o consumo do álcool.

Para Faustino, os produtores tiveram uma ideia pura e simplesmente de marketing, visto que a frase é muito usada, mas “não é adequada ao contexto”.

“Entendemos que as pessoas têm o direito de usar as estratégias de marketing mais adequadas, mas devem ter uma responsabilidade pessoal. A frase induz ao consumo tornando-o como algo de natural. E, naturalmente, não estamos de acordo”.

  1. A frase dos cadernos é Kumi bebi, acho estranho é que as pessoas quando falam de beber pensam logo no alcool isto é, essas mesmas pessoas que pensam assim estão a incentivar para consumo de bebidas alcoolicas. Minha gente se esse caderno fosse produzido por exemplo em Portugal, portanto a frase seria comer e beber e de certeza as pessoas não criariam polémicas dado que a frase é português, isto quer dizer o quê, que a nossa lingua crioula está a ser marginalizado em relação a outras linguas estrangeiras pelos próprios caboverdeanos.

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