Candidatos da Praia denunciam ilegalidade no concurso  de inspectores estagiários da Polícia Judiciária  

15/09/2017 06:22 - Modificado em 15/09/2017 06:22

Depois dos candidatos da ilha de São Vicente questionarem o júri do concurso externo para a admissão de 50 candidatos ao curso de formação de inspectores estagiários da Polícia Judiciária, os candidatos do concurso na Cidade da Praia demonstram também a própria insatisfação com os resultados da referida prova. E citam os artigos do próprio concurso para fundamentarem a sua insatisfação.

Segundo o que os candidatos afirmam numa carta enviada ao júri do concurso, os mesmos colocam em questão a prova psicotécnica “mediante o recurso a técnicas psicológicas, às capacidades e às características da personalidade dos candidatos visando determinar a sua adequação às exigências da função”.

A questão da insatisfação dos candidatos prende-se ainda com o sistema de avaliação, pois segundo o regulamento, a avaliação seria quantitativa. Favorável preferencialmente (20 valores), bastante favorável (16 valores), favorável (12 valores), com reservas (8 valores) e não favorável (4 valores). A classificação “resultará da média aritmética simples das classificações obtidas nas duas fases”.

“O examinador, antes do início do teste, deu algumas explicações sobre a prova, sendo que umas das coisas que disse, é que a prova não continha respostas certas nem erradas e que o método de avaliação utilizado é o qualitativo (apto ou não apto)” como escrevem os candidatos. Ao contrário do que se esperava segundo o regulamento citado pelos concorrentes “que diz que o método é quantitativo, atribuindo assim ao candidato notas por respostas certas ou erradas, entre 4 a 20 valores”.

Com esta questão, os candidatos avançam que é “impossível saber, quantitativamente, quanto é que um determinado candidato obteve na prova”. Isto quando apenas aqueles com qualificação não favorável ficariam fora do concurso.  

“A pergunta que se coloca aqui é, quanto é que um candidato que foi considerado ‘não apto’ obteve na prova? 9 Valores, 8 valores, 4 valores? E quanto é que um candidato que foi considerado ‘apto’ obteve na prova? 12 valores? 16 valores? Ou 20 valores? A resposta é: não sabemos, tendo em conta a inadequação deste teste ao regulamento”.

As críticas também incidem, portanto, sobre o ‘apto’ e ‘não apto’.

Os candidatos da ilha de Santiago foram os primeiros a fazer o teste e foram os últimos a saberem os resultados, “depois da reclamação que os candidatos da ilha de São Vicente fizeram alegando a violação do regulamento, mais concretamente, o método de classificação utilizado pelo examinador”.

Entre outras questões, os candidatos afirmam que no concurso foram utilizados “critérios diferentes para classificar o mesmo teste no mesmo concurso, violando, desta forma, o princípio da igualdade de tratamento, transparência e o próprio regulamento do concurso”. E ainda que no concurso os resultados “demonstram claramente a falta de transparência e de credibilidade do examinador e bem assim a inadequação do teste ao regulamento”.

“Sendo assim”, os candidatos não aceitam o resultado do teste, tendo em conta que o método utilizado pelo examinador é contrário ao que define o regulamento e cuja correcção é dada por um software inadequado ao que estipula o regulamento.

“Aliás, se se reparar bem nos resultados publicados para a ilha de Santiago, constata-se que temos, igualmente, dois tipos de resultados: não favorável e com reserva, quando na verdade o resultado por detrás é ‘apto’ e ‘não apto’ como dito pelo examinador no início da prova (só mudou a nomenclatura) – muito estranho”.

Os candidatos acreditam que o examinador se apercebeu da ilegalidade do método utilizado, já que os candidatos de São Vicente já tinham reclamado desta ilegalidade.

“Pelo que estamos inconformados não só com o resultado publicado mas também com a maneira como foi aplicado e decididos ir até às últimas instâncias para fazer valer os nossos direitos. O examinador não pode avaliar-nos duma forma e o resultado ser doutra forma, não é correcto, não é ético, é ilegal e não é transparente”, sintetizam os candidatos.

  1. Adilson Carvalho

    subscrevo inteiramente este manifesto, pelo que solicito aos candidatos a não baixarem os braços. portanto devem apelar ao tribunal constitucional para fazer valer os seus direitos e rever a legalidade.

  2. RUI

    é triste essa situação, uma entidade como a PJ, não responder sobre as reclamações.
    Sabem que o avalidar Paulo Tavares não respeitou o regulamento . Mas preferem manter em silencio. Não foi só a violação do regulamento , mas tb a sua falta de humildade aqui em são Vicente. Directamente fez a pressão psicológica antes do teste, dizendo aos candidatos que “ainda ia aparecer um espertinho para reclamar”.

  3. RUI

    Os candidatos de são vicente , enviaram uma reclamação desde de 30-08-2017, e até presente não tiveram uma resposta. e o concurso avança normal. isso demostra que instituições temos no pais. de certeza vão responder tarde e em favor de Paulo Tavares.
    o regulamento é claro na matéria.
    Queremos o respeito do regulamento, sem excepções.
    Também o Paulo Tavares que é avaliador de quase todos os concurso do Ministério da Justiça… Em são Vicente a maioria que ficaram aptos já fizeram o teste psicológico com ele mais de 2 vezes.

  4. Cidadão

    Esse teste psicotécnico deveria ser repetido e em outros moldes. Caso contrário…como continuar a acreditar nesses concursos? Mais uma farsa????

  5. desconhecido

    Afinal é 50 ou 60 vaga? o que eu queria saber…

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