Dez candidatos às eleições egípcias foram excluídos

17/04/2012 21:33 - Modificado em 17/04/2012 21:33
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A comissão eleitoral do Egipto confirmou a decisão de excluir dez candidatos às presidenciais, incluindo Omar Suleiman, antigo vice-presidente e chefe dos serviços secretos de Mubarak, Khairat el-Shater, dirigente da Irmandade Muçulmana, e o ultraconservador salafista Hazem Abu Ismail.

A decisão, confirmada depois de os candidatos terem apresentado recurso, poderá aumentar a tensão no país quando faltam cinco semanas para as eleições cuja primeira volta está prevista para 23 e 24 de Maio, e tendo em conta que três dos dez candidatos rejeitados estavam entre os favoritos.

A lista definitiva de candidatos será publicada a 26 de Abril. A decisão de excluir Omar Suleiman, Khairat el-Shater e Hazem Abu Ismail já tinha sido anunciada no sábado, mas nesta terça-feira a comissão eleitoral confirmou-a. “A comissão rejeita todos os recursos apresentados pelos dez candidatos”, noticiou a agência oficial Mena.

Das 23 pessoas que apresentaram candidatura, 13 foram aceites, entre elas Amr Moussa, o líder da Liga Árabe, o ex-membro da Irmandade Muçulmana Abdelmoneim Aboul Foutouh e o último chefe de Governo do regime de Hosni Mubarak, Ahmad Chafiq.

A exclusão dos dez candidatos foi justificada com diversas irregularidades. Khairat el-Shater, dirigente e principal estratega da Irmandade Muçulmana, foi afastado por ter sido libertado da prisão há pouco mais de um ano – a lei eleitoral, herdada do regime anterior, estipula que alguém que tenha estado detido tem de esperar seis anos antes de poder candidatar-se.

Após conhecer a decisão da comissão eleitoral, Khairat el-Shater considerou: “É a prova de que Mubarak ainda está no poder, uma vez que nós [a Irmandade Muçulmana] perseguimos a nossa luta pacífica para acabar a nossa revolução inacabada.”

A organização tinha-se já preparado para esta possibilidade, fazendo entrar na corrida Mohammed Morsi, presidente do Partido Justiça e Liberdade, criado pela Irmandade.

Omar Suleiman, antigo vice-presidente e chefe dos serviços secretos de Mubarak, foi desqualificado, segundo a comissão eleitoral, por não ter reunido apoios suficientes nas 15 províncias do país.

No caso de Hazem Abu Ismail, um advogado que se tornou reputado como pregador salafista, a exclusão deve-se ao facto de a sua mãe, entretanto falecida, ter tido passaporte norte-americano, uma vez que a lei estipula que nem o candidato nem os seus familiares directos podem ter outra nacionalidade que não a egípcia. A notícia de que o caso estava em apreciação levou centenas de apoiantes salafistas – a segunda maior força política no novo Parlamento egípcio – a manifestarem-se sexta-feira no Cairo, tendo chegado a sitiar a sede da comissão eleitoral.

Entre os candidatos excluídos está também Ayman Nour, um político liberal que em 2005 concorreu contra Mubarak, uma ousadia que lhe valeu vários anos na prisão, de onde só saiu em 2009. Segundo a AFP, terá sido excluído pelos mesmos motivos que levaram ao afastamento de Shater.

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