No segundo debate televisivo, Obama deu luta a Mitt Romney

17/10/2012 23:47 - Modificado em 17/10/2012 23:47

Barack Obama e Mitt Romney chegaram ao segundo debate presidencial preparados para lutar. O Presidente democrata tinha de compensar o fiasco que foi o desempenho passivo no primeiro debate televisivo, e por isso o candidato republicano esperava um Obama mais agressivo desta vez.

 

Na terça-feira à noite, os dois homens tiveram um frente-a-frente intenso: todas as perguntas foram oportunidades para criticar ou atacar o rival. Obama, que espera ser reeleito nas eleições de 6 de Novembro, começou o debate notando que Mitt Romney foi contra o resgate da indústria automóvel americana e acabou a lembrar o comentário do republicano desqualificando 47 por cento de americanos como pessoas que vivem à conta do governo. Não por acaso, duas referências que Obama não mencionou no primeiro debate, há semana e meia, o que motivou críticas da sua própria base eleitoral.

 

Romney insistiu que Obama falhou em melhorar a economia americana na presidência, um tema a que voltou múltiplas vezes durante o debate. “Não temos como suportar mais quatro anos como os últimos anos”, disse o candidato republicano, indicando que há mais pessoas a viver na pobreza desde que Obama chegou à Casa Branca e que milhões de americanos simplesmente desistiram de procurar emprego. Ele disse que o Presidente é “um excelente orador”, mas pediu aos eleitores que olhassem para “as suas políticas, não para a sua retórica”.

 

Os candidatos pareceram muitas vezes mais interessados em dominar o adversário do que em responder às perguntas. A disputa entre os dois roçou a animosidade num ou noutro momento. Romney, notando que Obama se levantara preparando-se para intervir, disse que ainda estava a falar, levando o Presidente americano a sentar-se novamente e esperar pela sua vez. A certa altura, quando Romney perguntou a Obama se olhara para o seu plano de reforma nos últimos tempos, para ver o que é que os seus investimentos têm rendido, o Presidente respondeu “não vejo o meu plano de reforma, não é tão grande como o seu”, numa referência à riqueza de Romney. O Obama que perdeu o primeiro debate por delicadeza não foi o Obama que apareceu na terça-feira à noite.

 

No final do debate, uma sondagem da CNN deu Obama como vencedor do debate para 46 por cento de eleitores, contra 39 por cento que consideram que Romney ganhou.

 

O segundo debate, a apenas três semanas das eleições presidenciais, teve um formato diferente do primeiro. As perguntas foram colocadas por eleitores indecisos ou não-comprometidos com nenhum dos candidatos que se encontravam na audiência. Um homem que votara em Obama em 2008 e viu as suas despesas aumentarem nos últimos anos perguntou directamente ao Presidente o que é que ele fizera para merecer o voto em 2012.

 

Uma mulher perguntou a Romney em que é que ele é diferente de George W. Bush (a campanha de Obama tem insistido em associar o republicano com o anterior Presidente, que permanece impopular até dentro do seu partido). “O Presidente Bush e eu somos pessoas diferentes e os tempos são diferentes”, respondeu Romney.

 

Obama sugeriu que Romney é mais radical do que Bush. “George Bush não propôs converter o Medicare [programa de cuidados de saúde para idosos subsidiado pelo governo] num voucher. George Bush era favorável à reforma do sistema de imigração. Ele não disse que as pessoas se deviam auto-deportar”, disse Obama. “Há diferenças entre o governador Romney e George Bush, mas não são sobre política económica. Ele tem uma posição mais extremista em relação a políticas sociais.”

 

Os candidatos discutiram temas familiares, como política fiscal e a reforma do sistema de saúde, mas o facto de as perguntas serem feitas por eleitores e não por um jornalista moderador como é habitual, proporcionou uma série de tópicos que não tinham sido abordados nos anteriores debates presidencial e vice-presidencial, em particular imigração e regulação sobre a posse de armas.

 

O debate foi quase todo dominado sobre questões de política nacional, com excepção dos recentes ataques contra a embaixada americana na Líbia – Romney criticou Obama por a sua administração ter dado explicações contraditórias sobre os acontecimentos e ter tardado em reconhecer que se tratara de um acto de terrorismo e não de um protesto espontâneo causado por um vídeo anti-islâmico no YouTube. Obama notou que se referiu publicamente aos ataques como um acto de terrorismo um dia depois dos acontecimentos. Romney insistiu que o Presidente só o fez 14 dias depois, levando a moderadora, Candy Crowley, jornalista política da CNN, a corrigir o candidato republicano e confirmar a versão de Obama. “Pode dizer isso um pouco mais alto, Candy?”, pediu o Presidente. Foi o único momento em que a audiência na sala, a quem tinha sido pedido silêncio durante o debate, quebrou o protocolo e aplaudiu.

 

 

 

 

cm.pt

  1. pedro barbosa

    Nao sei se eh apenas a minha interpretacao mas penso que a nosa Radio Nacional tem uma inclinacao Republicana. Tenho notado que procura realcar as noticias das eleicoes nos USA quando sao favoraveis a Mitt Romney/Republican.
    Sou CapeVerdean/American e Democrata e ouco com assiduidade a nossa Radio Nacional mas gostaria que ai houvesse um fair-play porque somos Democratas e Republicanos.

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