Coreia do Norte ameaça EUA com “grande sofrimento e dor” se Trump tentar aprovar embargo petrolífero

11/09/2017 10:29 - Modificado em 11/09/2017 10:29

A Coreia do Norte avisou esta segunda-feira que vai causar “a maior dor e sofrimento” aos Estados Unidos da América se a administração de Donald Trump insistir na aprovação de novas sanções ao país que passem por suspender as suas exportações de petróleo, em resposta ao sexto teste nuclear de Pyongyang, executado na semana passada.

Segundo uma proposta de resolução divulgada há dias, Washington quer que o Conselho de Segurança da ONU dite a total suspensão das exportações petrolíferas da Coreia do Norte e congele os bens de cinco políticos norte-coreanos, entre eles o líder do país. A delegação americana propõe ainda a suspensão das exportações têxteis e das contratações de norte-coreanos no estrangeiro, as duas derradeiras fontes de receita do enfraquecido regime.

Contudo, a Reuters avançou esta manhã que a delegação dos Estados Unidos nas Nações Unidas abandonou algumas das propostas mais duras do pacote de sanções que vai apresentar esta tarde na reunião de emergência do Conselho de Segurança, na tentativa de convencer a Rússia e a China a não vetarem as medidas. Para que uma resolução seja aprovada, é necessário que pelo menos nove dos 15 membros do organismo votem a favor e que nenhum dos cinco membros com assento permanente — Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China — usem o seu poder de veto.

Na nova versão consultada pela Reuters, Washington pede apenas o congelamento de bens a um político norte-coreano que não Kim Jong-un e deixam de exigir um embargo às exportações de petróleo, propondo em vez disso a aplicação de um teto máximo a estas exportações e a suspensão das importações de gás natural líquido e condensado pela comunidade internacional. A alínea que prevê a suspensão das exportações têxteis — a segunda maior indústria da Coreia do Norte a seguir ao carvão e outros minerais, que tem na China a destinatária final de 80% dos produtos exportados — mantém-se inalterada.

Amansar os bandidos

Esta manhã, num comunicado divulgado pela agência estatal norte-coreana KCNA, o ministro dos Negócios Estrangeiros deixou um aviso aos Estados Unidos sobre os seus objetivos no Conselho de Segurança, dizendo que se o país “preparou de facto uma resolução ilegal com sanções mais duras, a DPRK [sigla inglesa da República Popular Democrática da Coreia, nome oficial da Coreia do Norte] vai fazer questão de garantir que os Estados Unidos pagam um preço justo”. Se a resolução for aprovada nos moldes sugeridos por Washington, é acrescentado no comunicado, “as medidas que a DPRK vai aplicar irão causar a maior dor e sofrimento que os Estados Unidos já enfrentaram em toda a sua História” e “o mundo vai testemunhar como é que a DPRK amansa os bandidos dos Estados Unidos encetando uma série de ações mais duras do que eles alguma vez imaginaram”.

A resposta aos mais recentes testes militares norte-coreanos tem deixado a descoberto divisões no Conselho de Segurança, um mês depois de todos os membros do Conselho terem aprovado um novo pacote de sanções a Pyongyang no rescaldo do lançamento de dois mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) que, em teoria, têm alcance suficiente para atingir o território continental dos Estados Unidos.

A China, única aliada do regime de Kim e a grande importadora de crude oriundo da Coreia do Norte, condenou o teste da semana passada, que envolveu uma bomba de hidrogénio cinco vezes mais poderosa que a bomba atómica largada pelos Estados Unidos sobre Nagasáqui em 1945, mas voltou a avisar que qualquer medida que fomente a instabilidade de Pyongyang é de evitar.

China e Rússia querem diálogo direto

O grande receio de Pequim é que uma potencial guerra na Península Coreana conduza à fuga de milhões de pessoas para o seu território e à reunião das duas Coreias ao leme de Seul, num conflito que passará também pelo destacamento de tropas sul-coreanas e norte-americanas na sua fronteira com a Coreia do Norte. A Rússia, que condena a instalação de um escudo antimísseis dos Estados Unidos na Coreia do Sul bem perto do seu território, também se opõe a um embargo petrolífero, com os dois países a sublinharem que é preciso dar início a negociações diretas com Pyongyang.

Agora que a ONU está a preparar-se para reforçar a pressão económica sobre o país, estão a amontoar-se provas de que o regime norte-coreano continua a conseguir escapar aos efeitos de anteriores sanções, com uma investigação do canal norte-americano ABC a revelar este fim de semana como é que a “economia régia” gera milhares de milhões de dólares por ano através de negócios ilícitos em todo o mundo, com o grosso do dinheiro a servir para financiar a soberba de Kim num país onde a maioria da população vive abaixo do limiar da pobreza.

© Tomohiro Ohsumi Coreia do Norte ameaça EUA com “grande sofrimento e dor” se Trump tentar aprovar embargo petrolífero

“Muita gente acha que a Coreia do Norte vive extremamente isolada da comunidade internacional, que não mantém trocas comerciais com o mundo lá fora, à exceção da China, mas a verdade não podia estar mais longe disso”, defende ao canal Andrea Berger, analista de defesa. “A Coreia do Norte é muito sofisticada na forma como oculta o facto de estar, na verdade, a fazer negócios no estrangeiro. [O país] é bom a esconder isso à vista desarmada.”

Recentemente, investigadores da ONU avançaram que Pyongyang continua a exportar ilegalmente carvão, ferro e outras mercadorias apesar das sucessivas sanções implementadas pelo Conselho de Segurança, totalizando pelo menos 270 milhões de dólares (225 milhões de euros) em receitas de exportações para a China e para outros países nos seis meses anteriores a agosto. Nesse relatório, é sublinhado que a Coreia do Norte tem conseguido contornar as sanções internacionais no que toca à venda de mercadorias para o estrangeiro mas também à venda de armas e serviços financeiros.

A par disto, o jornal nipónico Asahi Shimbun noticiou na sexta-feira que, sob nomes falsos, Kim Jong-un tem garantido acesso a um “fundo revolucionário” de entre 3000 e 5000 milhões de dólares (2500 a 4160 milhões de euros) guardados em contas bancárias na Suíça. A informação foi avançada por uma fonte oficial do Banco Industrial da Coreia em Seul e por outras fontes, que garantem que Kim e outros membros da dinastia norte-coreana gastam centenas de milhões de dólares por ano em bens de luxo no estrangeiro.

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