Furacão Irma deixa rastro de destruição

8/09/2017 07:09 - Modificado em 8/09/2017 07:52
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A iminente chegada do furacão Irma aos EUA, no rastro de enorme destruição em ilhas do Caribe, levou a um clima de pânico e medidas reforçadas de precaução em estados do Sul americano, como Flórida e Geórgia, que ordenaram a retirada de mais de um milhão de pessoas em zonas mais vulneráveis na rota da tempestade, que deve atingir o país no fim de semana. O potencial destrutivo do furacão de escala 5 — o mais poderoso registrado no Atlântico, com ventos de 295km/h — e os estragos já feitos levaram a Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema, na sigla em inglês) a prever um impacto “devastador.

Ontem, o governador da Geórgia, Nathan Deal, ordenou que todos os seis condados litorâneos do estado sejam esvaziados no início da manhã de hoje. O Departamento Estadual de Transportes anunciou que todas as pistas da Rodovia Interestadual 16 seguirão numa única direção, partindo de Savannah a Macon, a 260km do litoral, para facilitar o deslocamento de 540 mil residentes da região.

— Se um trem vem na sua direção, você sai dos trilhos — justificou Jason Buelterman, prefeito de Tybee Island, um balneário de mais de três mil habitantes nos arredores de Savannah.

‘NÃO ESPEREM, SAIAM AGORA’

Esta é a segunda vez em menos de um ano que os moradores da costa da Geórgia são instruídos a abandonar a região para escapar de uma tempestade. Em outubro, o furacão Matthew atingiu o litoral do estado, matando três pessoas e causando danos estimados em US$ 500 milhões.

Já na Flórida, o prefeito de Miami-Dade, condado mais populoso do estado, Carlos Gimenez, expandiu as ordens de retirada do litoral, e agora cerca de 650 mil pessoas receberam a orientação de fugirem antes da chegada do Irma, que deve causar tempestades já no sábado antes de tocar terra no domingo, segundo o Serviço Meteorológico dos EUA. Às vésperas da chegada do Irma, o prefeito destacou a principal preocupação no condado: ordenar mais retiradas pode salvar mais vidas no litoral, mas também gera o risco de que motoristas se vejam presos em rodovias engarrafadas.

— Os que esperarem podem se ver presos num carro durante o furacão. Não esperem até sábado. Saiam agora — afirmou o prefeito, que chefiou o Corpo de Bombeiros de Miami durante a passagem do furacão Andrew, em 1992.

Nas Florida Keys, ilhas ao sul do estado, mais de 30 mil pessoas, incluindo 15 mil turistas, foram retirados. A partir das 7h de hoje (hora local) todos os hospitais do arquipélago serão fechados e o voo de helicópteros na região será suspenso.

A rota do Irma

Nas Carolinas do Sul e do Norte, que também podem estar na rota do Irma, retiradas não foram ordenadas, apesar de os dois estados terem declarado emergência. Ainda assim, o governador da Carolina do Sul, Henry McMaster, não descarta a possibilidade de deslocar moradores hoje.

Os EUA e o presidente Donald Trump têm motivos para preocupação. Depois de pôr mais de dez países caribenhos em estado de alerta, o Irma — que ontem se tornou o furacão de escala 5 mais duradouro até hoje — causou destruição nunca vista em algumas nações-ilhas da região. A ilha de Barbuda teve 90% dos prédios destruídos ou danificados, no que o primeiro-ministro Gaston Browne descreveu como “uma devastação total”.

— Barbuda foi literalmente reduzida a escombros — afirmou Browne, destacando que o fornecimento de água e a comunicação telefônica ficaram suspensos.

As ilhas de St. Barth e St. Martin também foram fortemente atingidas por ventos e inundações, assim como Anguila, Ilhas Virgens britânicas e Porto Rico, que enfrentam problemas no fornecimento de água e energia. Ao menos 13 mortes foram registradas: quatro em St. Martin, três em Porto Rico, uma em Anguilla e uma em Antígua e Barbuda.

— Cerca de 95% do norte da ilha foram destruídos — afirmou Daniel Gibb, do governo de St. Martin, um departamento ultramarino da França.

TURISTAS LEVADOS PARA O INTERIOR DE CUBA

Em Cuba, que esperava a passagem do Irma na noite de ontem, o governo declarou alerta máximo preventivo em sete de suas 15 províncias e deslocou dez mil turistas estrangeiros, levados para o interior. Em Baracoa, no extremo Leste da ilha, os primeiros sinais de aumentos nas ondas provocadas pela aproximação do furacão levaram à retirada de 23 mil habitantes. Em outras zonas do país, mais 8.500 pessoas também foram movidas de zonas que devem ser atingidas pelo Irma.

República Dominicana, Turks e Caicos, Haiti e Bahamas também realizaram deslocamentos preventivos de moradores.

E, infelizmente, as más notícias não param por aí. O furacão José, que se aproxima das Antilhas, ganhou força, tornando-se categoria 3 e deve causar estragos em ilhas já atingidas pelo Irma. No Golfo do México, outro furacão, o Katia, deve chegar à costa mexicana entre hoje à noite e amanhã.

 

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