O Projeto de Água Social leva água a Salamansa por menos de 75% dos custos actuais

1/09/2017 02:14 - Modificado em 1/09/2017 02:14
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Cabo Verde enfrenta escassez de água devido a recursos hídricos naturais limitados disponíveis. Portanto, a tecnologia de dessalinização representa mais de 90% do abastecimento de água doce. Como a dessalinização é muito intensiva em energia, a água não é acessível. As tarifas de água são ainda maiores em aldeias remotas, onde a água deve ser transportada por caminhão. A empresa holandesa Elemental Water Makers (EWM) escolheu Salamansa em São Vicente para mostrar que a água confiável pode ser produzida a baixo custo nessas aldeias, sem exigir nenhum investimento. A EWM usa a tecnologia de dessalinização proprietária premiada para transformar a água do mar em água doce de alta qualidade, usando apenas o sol abundante. As pessoas de Salamansa são apenas uma assinatura longe de começar a desfrutar de água acessível de alta qualidade.

No contexto estrutural de um quadro de alterações climáticas que tende para um aumento das temperaturas assim como para a alternância de períodos de grande seca ou forte precipitação, para além do aumento do turismo os recursos hídricos nacionais encontram-se sobre particular pressão, necessitando de alternativas complementares que garantam o acesso a água em quantidade e qualidade, com prioridade para comunidades mais carenciadas e isoladas.

Cabo Verde é um país em que 90% da sua água potável é obtida através de dessalinização convencional, ou seja fazendo uso intensivo de energias fósseis como o diesel ou gasolina, sendo este o fator que encarece e muito o produto final, a agua

Tendo sido a adoção desta tecnologia a mais racional para a produção de agua, nas ultimas décadas, não deixou de se verificar os impactos que tal opção provoca nomeadamente a nível ambiental (emissões de CO2) a nivel económicos (preço elevado da agua).

Verifica-se também o reforço da dependência energética de Cabo Verde através da maior exposição e vulnerabilidade do preço da sua agua á flutuação do Barril de Brent, sendo que esta mesma flutuação que presentemente se registra a níveis baixos não reflete no preço da agua que se mantem alto. João Varela, Business Developer Elemental Water Makers , considera  que  :

“Agua é a verdadeira riqueza do pais. A irradicação da pobreza passa necessariamente por uma agua de qualidade mais barata acessível para aqueles que menos podem.Sou um filho da diáspora cabo Verdiana e respondo ao repto feito pela classe politica Cabo Verdiana de participação na construção de um Cabo Verde mais desenvolvido, justo e independente. Encaro como missão a implementação deste projecto e faço-o por conhecimento prático dos benefícios que trará a adopção desta tecnologia a uma comunidade que é carente de meios financeiros para fazer face as despesas essenciais como é o acesso á água em quantidade e qualidade que cubram as suas necessidades diárias. Acreditamos que é possível reduzir significativamente o preço da água em cabo verde, dentro de poucos anos garantindo o acesso das comunidades mais carentes a uma água de qualidade com reduzindo os impactos para o ambiente e poupança significativa para os cidadãos e o Estado.’’

Dado o preço da água (dessalinizada) adicionado ao preço do seu transporte para as comunidades mais distantes do perímetro urbano o que se verifica é a venda (do litro) de água mais caro do que o que é vendido ao consumidor no centro da cidade através do sistema de canalização.

Paralelamente verifica-se o potencial aumento dos riscos de contaminação que essa mesma água comporta em termos sanitários por ser transportada a longas distancias em camiões cisterna que muitas das vezes não são compatíveis com as regras de higiene e segurança necessários para o transporte de água.

Salamansa em São Vicente é um exemplo disso, com cerca de 1300 habitantes é uma das mais antigas comunidades da ilha com profunda ligação ao mar, historicamente uma vila de pescadores a sua gente sofre de enorme carências. O acesso agua é para esta comunidade um “luxo” que ano após anos é difícil gerir.

Muitos dos moradores em Salamansa por não terem meios de subsistência para adquirirem agua nas sentinas existentes, vão buscar água uma fonte entre as rochas na praia. O percurso que demora cerca de 20 minutos para ida e outros 20 minutos levam para regressarem carregando garrafões de 25 litros, este tempo poderia ser dedicado a atividades mais empreendedoras caso não se verificasse esta necessidade diária.

Todo este esforço para aceder a uma agua que não obedece aos padrões mínimos sanitários para consumo humano, sendo um potencial foco de doenças que provocam diarreia cólicas desidratação vômitos etc. penalizando sobretudo de forma indelével a saúde das crianças e dos mais idosos.

Os mais recentes relatórios internacionais demonstram que o preço da água na sentina em Salamansa ronda os 600 ECV/m3 Mas tal valor não reflete os custos de produção e custos de transporte para a CMSV, ou para o erário publico, já que este valor corresponde ao preço apos subsidio que é dado pela CMSV e pelo Orçamento do Estado

Na realidade os custos efetivos são de 1582 ECV/m3, referindo-se a dados de 2017, de acordo com o relatório internacional ‘Technology options for Renewable Desalination in Cabo Verde’ publicado pela Fraunhofer Institute e IRENA ( International Renewable Energy Agency ), com sede na cidade da Praia.

Feito o diagnostico nunca estivemos tão perto da solução, a Elemental Water Makers (EWM), orgulha-se de desde 2015 abraçar a comunidade de Salamansa e em parceria com a Camara municipal de São Vicente, na pessoa do seu Presidente Dr Augusto Cesar Lima Neves, providenciara melhor solução tendo em conta as características sociais económicas e geográficas da vila. Resultado: a implementação do primeiro sistema de dessalinização com recurso exclusivo a energia solar em Cabo Verde.

EWM proposta foi garantir o fornecimento de agua a Salamansa por menos de 75% dos custos actuais dos acima referidos, sem qualquer custos para a Camara, com a manutenção incluída no período da concessão (20 anos), apenas com a garantia de compra por parte da Camara, que assumirá a distribuição aos habitantes, da agua ai produzida.

“Aldeias em Cabo Verde estão a uma assinatura longe da obtenção de água de alta qualidade a baixo custo através da inovação tecnológica com patente Holandesa. Eu acredito que a escassez de água é o maior desafio para a humanidade no século XXI. É minha missão fazer parte de uma solução sustentável.” Sid Vollebregt, Director EWM e Engenheiro de água.

A EWM é uma empresa Holandesa, criada na Universidade Tecnológica de Delft (TU Delft). Trata-se de uma empresa pioneira em tecnologia que permite a dessalinização de água através da osmose inversa apenas recorrendo a energias renováveis, tais como solar eólica térmica, ondas e marés. Tendo projetos já em pleno funcionamento nas ilhas Canarias, Belize e Moçambique, destacamos o das Ilhas Virgens.

Para tal todo o sistema faz uso de uma das energias mais abundante em Cabo Verde o Sol 100% limpa 100% renovável. A água será produzida usando um sistema de dessalinização exclusivo e patenteado.

A EWM em parceria com a Câmara Municipal de São Vicente irá fornecer água potável em Salamansa para a disposição dos seus habitantes e CMSV a uma taxa significativamente menor do que a que é atualmente praticada com a garantia de manutenção do equipamento no decurso de 20 anos, construindo um equipamento de raiz e uma nova sentina para maior comunidade segurança e acessibilifdade dos habitantes de Salamansa. “A Transparência e assertividade na relação com os nossos parceiros, são a chave do sucesso deste empreendimento social.” João Varela (EWM) Os benefícios financeiros do projecto são obtidos a partir do dia 1, sublinho que se trata de um investimento social, sem custos para o Orçamento camarário permitindo que a CMSV apenas pague pela água produzida, sem ter que investir 1 ECV”. João Varela of EWM.

Para além da significativa poupança através da redução de custos para a CMSV e para os habitantes de Salamansa também dinamizará a economia através da criação de postos de trabalho durante a fase de construção e fase operacional. Incentivamos a participação da Sociedade Civil, ao trabalhar em conjunto com a ANAS, Universidade do Mindelo, escolas e outros institutos públicos na disseminação das potencialidades do uso das energias renováveis para obtenção de agua dessalinizada.

Este projeto servira como exemplo de que as parcerias publico privada em conjunto com as instituições da sociedade Civil alcançam em conjunto resultados, que isolados seriam impensáveis, para beneficio de todos. O projeto que aguarda neste momento a aprovação para inicio da fase de execução tornará a água em Salamansa nacional e internacionalmente famosa pelo seu gosto, acessibilidade e disponibilidade.

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