Casas de tambor á espera da chuva inimiga

23/08/2017 05:54 - Modificado em 23/08/2017 05:54
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As casas de tambor fazem parte da paisagem actual mindelense. Vários aglomerados que surgem nas encostas erigidos por pessoas à procura de um lugar para morar, para fugirem do pagamento de rendas, entre outros motivos. Com a aproximação da época das chuvas, surge uma nova preocupação em relação à sua vulnerabilidade. Ao mínimo sinal de tempo nublado e chuvisco, aumenta o nível de alerta.

As casas têm uma construção própria. A maioria é feita de tambor, madeira, pedras e cimento na base para fortificar e suster a estrutura. A maior parte é feita nas encostas que também servem de protecção.

A força da água é conhecida pelos que moram nestas casas e, nesta época, toda a preocupação é pouca quando a chuva cai. E quando a chuva cai, em qualquer momento, o estado de alerta é accionado. A satisfação está no facto de não se registarem casos de acidentes graves envolvendo este tipo de habitação.

“Claro que a chuva preocupa, sabemos que são casas frágeis”, sustenta Belton Pereira. O mesmo avança que já mora há mais de cinco anos em Monte Sossego neste tipo de habitação. E, com a chegada das chuvas, as casas são fortificadas não só para impedir a entrada da água, mas também como reforço da estrutura para evitar acidentes. E o esforço para impedir que a água entre dentro da casa nem sempre é bem conseguido. “Todos os anos muitos têm problemas com a água, porque estamos nas rochas e é onde a água desce e sempre entra dentro de casa”.

A chuva traz a rotina de tirar a água de dentro de casa. “Todas as pessoas que moram neste tipo de casas passam uma afronta durante as chuvas”. Quem o diz é Gerson Silva, que também partilha juntamente com sua família este tipo de construção. A mesma confiança é que nada de mal tem acontecido durante as chuvas, excepto “a afronta de tirar a água e de limpar”.

“A chuva é sempre bem-vinda. Se Deus a enviar temos de nos conformar”. Maria Santos demonstra confiança na protecção divina, mas está preparada para qualquer situação. “Vivemos aqui, mas sabemos que não é a melhor opção, mas é o que temos e, por isso, esperamos, como todos os anos, que tudo corra bem e que não aconteça nada de mal”.

Há uma grande preocupação para com este tipo de construção, onde muitos pedem a oportunidade de construírem uma casa de cimento, mas sublinham que ainda muitos estão à espera da legalização dos terrenos para poderem avançar.

O Governo anunciou um programa para a erradicação deste tipo de habitação, o que é visto com bons olhos no sentido de melhorar a segurança, principalmente, em épocas como esta.

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