ESpanha: Ataque durante a madrugada em Cambrils

18/08/2017 08:15 - Modificado em 18/08/2017 08:26
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A zona pedonal das Ramblas foi percorrida por uma carrinha branca. Em alguns minutos várias pessoas foram atropeladas: pelo menos 13 morreram e uma centena ficou ferida. Sabe-se que o atentado foi reivindicado pelo Daesh, mas se desconhecem os rostos dos que perpetuaram o ataque

O que aconteceu?

O relógio marcava 16h50 (menos uma hora em Lisboa). Uma carrinha branca entrou pelas Ramblas, uma das ruas mais movimentadas de Barcelona e com grande afluência de turistas, percorreu cerca de 530 metros e atropelou várias pessoas.

Três horas depois, um carro também branco embateu num dos postos de controlo da polícia, na avenida Diagonal. Dois agentes foram atropelados e ficaram feridos. O condutor deste segundo carro fugiu.

Ainda esta noite, a polícia catalã confirmou que uma explosão ocorrida na madrugada de quinta-feira está relacionada com o atentado.

O ataque desta quinta-feira já é considerado o pior desde 11 de março de 2004, quando três explosões quase em simultâneo no metro de Madrid fizeram 191 mortos e feriram 2050.

Quem são as vítimas?

O balanço oficial aponta para 13 mortos e pelo menos 100 feridos (15 em estado grave).

O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, garantiu que não há portugueses entre a centena de feridos. Quanto às vítimas mortais, ainda só foram identificadas quatro pessoas, sendo que uma é de nacionalidade belga e três alemãs.

Quem são os responsáveis?

Num primeiro momento, as autoridades catalãs anunciaram a detenção de um homem. Diziam ser Driss Oukabir, de 28 anos e origem marroquina. Reside ilegalmente em Espanha, tem cabelos escuros e rosto magro. Nasceu em Aghbala, no norte de Marrocos, a 13 de janeiro de 1989. Teria chegado a Barcelona há quatro dias e já teria estado preso, até 2012, em Figueres. Seria ele que tinha alugado a carrinha para o ataque.

Poucas horas mais tarde, o (talvez) verdadeiro Driss Oukabir apresentou-se às autoridades numa esquadra. Afinal, o homem apontado como o presumível autor do atentado tinha roubado os documentos a uma outra pessoa residente na zona de Girona, a cerca de 100 quilómetros de Barcelona.

Portanto, continua sem ser muito claro qual a identidade do primeiro suspeito detido pelas autoridades catalãs, até porque ainda estão investigar se o homem que se apresentou à polícia é realmente quem diz ser.

Quanto à autoria do ataque, essa já foi reivindicada pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh). Segundo Rita Katz, diretora do site de monitorização do jiadismo internacional, o ataque aconteceu duas semanas depois de o grupo radical ter anunciado um atentado iminente em Espanha.

No total, informou o Conselho Interior do Governo Autónomo da Catalunha, uma pessoa morreu e outras duas foram detidas por estarem relacionadas com a organização do atentado. Nenhum dos detidos é o condutor da carrinha.

Quem já reagiu?

A Casa Real Espanhola condenou o atentado em Barcelona, considerando que quem os levou a cabo não passam de “assassinos” e “criminosos”. Num curto comunicado via Twitter, Filipe VI garantiu que os acontecimentos desta quinta-feira “não vão aterrorizar” os espanhóis. “São assassinos que não nos vão aterrorizar. Toda a Espanha é Barcelona. As Ramblas voltarão a ser de todos”, lê-se na mensagem.

Pouco tempo após as primeiras notícias do atentado, Mariano Rajoy, presidente do Governo espanhol, anunciou que iria viajar de imediato para Barcelona. Apelou à união, reforçando a confiança nas equipas de investigação e socorro.

Mariano Rajoy defendeu ainda que os terroristas nunca derrotarão um povo unido que ama a liberdade face à barbárie”.

“Lamentavelmente, os espanhóis sabem bem a dor absurda que o terrorismo causa. Também sabem como vencer aos terroristas. Vencemos com cooperação policial, com prevenção, apoio internacional e com a firme determinação de defender os valores da nossa civilazação: democracia, liberdade e os direitos das pessoas.”

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, transmitiu as “sinceras condolências às famílias e amigos dos falecidos, ao Governo e ao povo de Espanha”, desejando a “rápida recuperação aos feridos”. “As Nações Unidas estão solidárias com o Governo de Espanha na sua luta contra o terrorismo e o extremismo violento”, afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou os acontecimentos como um “atentado ignóbil”. “Tive oportunidade de fazer chegar a sua majestade o rei Felipe de Espanha o testemunho da solidariedade do povo português e a minha solidariedade perante este atentado ignóbil que atesta por um lado como é importante a resistência perante o terrorismo desumano, violador dos direitos fundamentais das pessoas e que merece todo o repúdio e perante o qual não há nem cedência, nem negociação, nem tolerância”, disse o Presidente da República, em declarações aos jornalistas em Castanheira de Pera.

Numa mensagem conjunta, Marcelo e António Costa condenaram o ataque e manifestaram “total solidariedade”. “A notícia do atentado ocorrido esta tarde em Barcelona, do qual resultaram vários mortos e feridos, provocou grande choque e consternação em todo o Povo português”, lê-se na mensagem publicada na página oficial da Presidência da República. “Consideramos ainda que é de reiterar nesta dura ocasião a importância de uma Europa unida no combate ao terrorismo e na defesa constante e permanente dos valores da democracia, na promoção da paz e no respeito pelos direitos humanos”, referem.

“Às autoridades espanholas e às famílias das vítimas o Governo português transmite o seu profundo pesar pela perda de vidas de entes queridos e a sua solidariedade para com os feridos e o povo espanhol”, lê -se no comunicado do lê-se no Ministério dos Negócios Estrangeiro.

Também Emmanuel Macron, Presidente de França, Donald Trump, Presidente norte-americano, Vladimir Putin, Presidente da Rússia, Angela Merkel, Chanceler alemã, Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, e Barack Obama lamentaram e mostraram-se solidários com Espanha.

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