As chaves, Osório e Nietzsche

18/08/2017 07:55 - Modificado em 18/08/2017 07:55

Acho estranho que a FCF e o seu presidente, que tem formação jurídica, não tenham entendido um princípio básico do direito, o único que me atrevo  a citar sem assessoria “ o desconhecimento da lei não isenta da pena “. Estranho que Osório não tenha pugnado para que o crime cometido no Tarrafal, quando autores identificados comungaram para impedir que um jogo oficial organizado pela FCF não fosse realizado usando um vil e desprezível estratagema de esconder as chaves do estádio, não ficasse sem punição . Facto que abalou todo o prestígio que a FCF tinha ganho no mundo do futebol e colocou o nosso país no ridículo. Para a FIFA e a CAF foi “um soco no estomago” pois para elas Cabo Verde era a menina dos olhos, um exemplo que acarinhavam para mostrar ao mundo e que é possível em Africa ter federações respeitadas, sérias. Osório não fez nada para mostrar que o caso das chaves aconteceu, onde a FCF a FIFA a CAF foram desrespeitadas, mas que os responsáveis foram punidos e a FCF voltou a ser respeitada  e não ficou  a mercê de qualquer Chico Esperto Qualquer. Osório enganou-se. Seguiu uma narrativa errada. O problema principal não passava por dar continuidade ao campeonato, mas sim responsabilizar quem impediu que o jogo fosse realizado. Tomar medidas para que tal não voltasse a acontecer. Se a FCF não tinha competências para punir nem a Ultramarina, nem a Associação de Futebol de São Nicolau ou que estas não tinham responsabilidades, Osório deveria ter accionado o Ministério Publico para se esclarecer o assunto e apurar os responsáveis. Não fez nada disso. Optou por mandar jogar a segunda – mão da meia-final antes de se jogar a primeira mão. Deixou que a época chegasse ao fim para marcar de novo os jogos da meia – final. Marca jogos, desmarca ao belo prazer como fez no início desta trapalhada quando obrigou a Ultramarina sob ameaças  a jogar numa terça-feira  sem que FCF tivesse obedecido aos prazos legais para a marcação de uma partida. E foi  aqui que tudo começou: a Ultramarina foi a primeira vitima e se alguém não tivesse lembrado de esconder as chaves, a asneira, as consequências de uma FCF que chuta os seus regulamentos como lhe apetece teria atingido  apenas a Ultramarina .

Osório podia ter ido pelo caminho jurídico “o desconhecimento da lei não isenta da pena “- Não foi e preferiu seguir uma máxima de Nietzsche: “ não há factos. Só interpretações” O facto das chaves terem desaparecido impedindo a realização do jogo não existe . Interpretações há muitas  .

 

Eduino Santos

  1. cau

    Todos os clubes de Cabo Verde deviam, impugnar está época e pedir indemnização a fcf, por tamanha irregularidades, porque não está em causa a Final mas sim a legalidade. A meu ver a época termina em 31/07, partindo do princípio que os contratos dos jogadores são válidos até esta data, qualquer jogo realizado após está data seria ilegal, visto que a esta data todos os contratos estão caducados.

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