TACV: Entre o orgulho crioulo e a esperança de um serviço melhor

2/08/2017 07:40 - Modificado em 2/08/2017 07:40
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Oficialmente, a TACV deixa de fazer voos e de ligar as ilhas de Cabo Verde. A Binter, a partir do dia um de Agosto, assumiu a responsabilidade de ligar as ilhas como parte do processo de reestruturação da TACV que passa, agora, a ter apenas a responsabilidade de ligar o país com a sua diáspora. As medidas levadas a cabo pelo Governo no processo de reestruturação da TACV vão ganhando forma, mesmo sob protesto da oposição (PAICV). Isto, quando o Primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, já tinha mencionado que manter a TACV como estava era condená-la à morte.

A Binter começa a ligar as ilhas. A TACV tem servido as ilhas desde 1958. Com a passagem de testemunho à Binter, a discussão roda em torno do “orgulho crioulo”, em relação àquela que ainda é a companhia de bandeira do país e à necessidade de um serviço regular e eficiente de ligação entre as ilhas.

Em conversas, todos acreditam que um serviço de qualidade e estável de ligação entre as ilhas, com menos tempo de espera e atrasos, é a melhor opção. E entre as questões para a escolha de um serviço, estão episódios de desentendimento entre a companhia e os passageiros: atrasos, cancelamento de voos, preços. Em 2012, a empresa liderou uma blacklist realizada pelo ADECO. E a situação da empresa nos anos subsequentes não mudou.

“Entre um mau serviço e um bom serviço, prefiro sempre ficar pelo bom serviço não me importando com os outros aspectos”, sintetiza Jaime dos Santos, sublinhando que era bom se a companhia desse respostas satisfatórias aos passageiros. Mas, “os problemas da TACV não têm deixado”. Neste sentido, a satisfação dos clientes, passageiros, “está no bom serviço não importa quem o faz”. Também Francisco Tavares partilha esta opinião. “Se for um serviço melhor, sem problemas, por isso, não me importo se é com a Binter ou a TACV. Desde que as viagens sejam feitas sem atrasos ou cancelamentos inesperados, tudo está bem”.

Neste sentido, o orgulho nacional em relação à TACV perde-se perante uma melhoria dos serviços ao cliente. Muito se tem falado nas questões políticas da reestruturação da TACV, com pedidos de CPI, sendo que para o foro público o importante centra-se na melhoria dos serviços. “Era a nossa companhia de bandeira, sim, mas as pessoas não podiam ficar naquela situação sem solução”, opina Gilson Neves.

Espera que as expectativas não sejam defraudadas e que a situação não volte ao que era antes. “Claro que todos querem o melhor serviço. Agora, estamos a falar mal da TACV, mas esperemos apenas que a Binter não comece a fazer como a TACV fazia”. Este alerta de Vânia Gomes prende-se com a questão do monopólio que a empresa vai usufruir, enquanto não houver outra companhia a ligar as ilhas. “Se for um serviço melhor, sem problemas. Até agora tem feito um bom trabalho”, avalia Jailson Delgado, que acrescenta que desde que a operadora cumpra a sua parte e que as pessoas estejam satisfeitas, não haverá problema.

 

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