Turquia leva centenas a tribunal por tentativa de golpe

1/08/2017 17:57 - Modificado em 1/08/2017 17:57
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Centenas de suspeitos foram levados a um tribunal na Turquia nesta terça-feira (01/08), no maior julgamento já realizado de acusados pela tentativa fracassada de golpe de Estado no país no ano passado.

No total, 486 suspeitos, entre eles o ex-comandante e pilotos da Força Aérea turca, enfrentam acusações que incluem assassinato, associação a organizações terroristas, tentativa de assassinato do presidente Recep Tayyip Erdogan, tentativa de derrubar o Parlamento e danos à propriedade pública.

Se condenados, a maioria dos réus poderá receber penas de prisão perpétua em confinamento solitário, sem possibilidade de liberdade condicional.

O réu principal, julgado in absentia, é o clérigo muçulmano Fethullah Gülen, líder do movimento islâmico acusado de orquestrar a tentativa de golpe. O religioso, exilado nos Estados Unidos desde 1999, nega ter dado ordens a seus seguidores para que executassem o golpe de Estado.

Entre os suspeitos, 461 estão presos, 18 foram libertados sob vigilância e sete estão foragidos. Muitos deles enfrentam ainda outras acusações relacionadas à tentativa de golpe.

Os suspeitos são acusados de executarem o golpe a partir da base aérea de Akinci, que se acredita ter sido o centro da conspiração, de onde partiram os caças F-16 que fizeram voos rasantes sobre Ancara antes de bombardear o Parlamento e edifícios governamentais.

Também serão julgados os chamados imãs civis, líderes religiosos que teriam agido como intermediários entre Gülen e os supostos golpistas.

O julgamento, parte do maior processo jurídico da história moderna da Turquia, deverá durar 29 dias. Ele ocorre num dos maiores tribunais estabelecidos dentro de um complexo prisional, em Sincan, próximo a Ancara com capacidade para mais de 1,5 mil pessoas.

Mais de 50 mil pessoas foram presas acusadas de ligação com Gülen desde a imposição do estado de emergência no país na sequência do golpe fracassado, e 120 mil foram afastadas de seus empregos. Segundo o governo, 249 pessoas morreram durante o levante, além de 24 supostos golpistas.

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