China exibe novas armas após críticas de Trump

31/07/2017 08:18 - Modificado em 31/07/2017 08:18
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Mais ou menos na mesma altura em que os EUA testavam com sucesso o seu sistema de defesa antimíssil THAAD, intercetando um engenho de médio alcance sobre o Alasca, a China também fazia uma demonstração de força, exibindo novas armas na parada militar que assinalou os 90 anos do Exército de Libertação do Povo. Vestido com um camuflado, o próprio presidente Xi Jinping inspetou os 12 mil militares que desfilaram na base militar de Zhurihe, na Mongólia Interior. No centro das atenções esteve a nova geração de caças J-20 ou os novos mísseis intercontinentais DF-31AG. Xi não fez qualquer referência ao homólogo americano no seu discurso, mas esta demonstração de força surge depois dos tweets de Donald Trump em que este acusa Pequim de não fazer nada para travar a Coreia do Norte.

Na sexta-feira, Pyongyang testou novo míssil balístico intercontinental que, apesar de ter caído na zona económica do Japão, poderia ter chegado aos Estados Unidos. Uma ameaça que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, fez e que os especialistas confirmaram, admitindo que, com a trajetória correta, o míssil poderia ter atingido algumas grandes cidades como Los Angeles ou mesmo chegar a Nova Iorque ou Boston, na costa leste.

O disparo do 18.º míssil em 12 testes realizados pela Coreia do Norte desde fevereiro mereceu a condenação da comunidade internacional. Pequim, velha aliada de Pyongyang e um dos poucos países que ainda defendem o regime de Kim, pediu a “todas as partes envolvidas” para evitarem “intensificar a tensão”. Os EUA, envolvidos em exercício militares conjuntos com a Coreia do Sul, têm pressionado a China para fazer mais para travar o programa nuclear da Coreia do Norte, que desde 2006 já fez cinco ensaios nucleares. No sábado à noite, Trump voltou a recorrer às redes sociais para, num tweet duplo afirmar: “Estou muito desiludido com a China. Os tontos dos nossos líderes passados permitiram que esta ganhasse milhares de milhões de dólares por ano com o comércio, mas… Não faz nada por nós em relação à Coreia do Norte, só fala. Não vamos deixar que continue assim. A China podia facilmente resolver o problema!”

Palavras que Xi Jinping não referiu durante a parada de ontem, limitando-se a sublinhar a crescente importância dos militares chineses num altura em que as tensões se acentuam no mundo. “O mundo não é pacífico e a paz tem de ser defendida. Os nossos heroicos soldados têm a confiança e a capacidade para garantirem a soberania, segurança e os interesses nacionais e para contribuírem mais para a paz mundial”.

Na região, a tensão parece de facto estar a subir cada vez mais a casa dia. Ontem, dois bombardeiros B-1 americanos descolaram da base aérea de Andersen em Guam e sobrevoaram a península coreana, acompanhados por caças japoneses e sul-coreanos. Num comunicado, o Pentágono confirmou que esta foi uma resposta direta ao lançamento de mais um míssil pela Coreia do Norte. E explicou que a missão teve como objetivo testar as “capacidades conjuntas”. Após o último teste, os EUA disseram estar a considerar “uma resposta militar” contra Pyongyang.

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