POST : O  Brahmán  José Maria Neves

31/07/2017 07:55 - Modificado em 31/07/2017 13:45
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 O ex – presidente do PAICV , que esteve 15 anos a dirigir esse partido  mais  o tempo que esteve  á frente da JAACV , após  um ano meio fora da liderança do partido  descobriu que “Hoje, os partidos e os sistemas partidários estão em crise. Também temos algum esgotamento dos partidos tradicionais”. Mas, vai mais longe , descobre outra característica dos partidos  :  “E assim que cheguem ao poder é a colonização total da Administração Pública, a manipulação das massas e uma inimizade enorme em relação à sociedade civil e aos espaços de dissenso, designadamente a comunicação social “. Feita a descoberta deve-se registar que o autor da descoberta  dirigiu durante quinze anos o PAICV , é o politico cabo-verdiano que mais tempo seguido dirigiu um partido politico,  é acusado de ter partidarizado a administração com os seus boys and girls  num nível nunca visto em Cabo Verde .  Terá ele alguma responsabilidade “nesse cansaço “ , ou  na  “ colonização total da Administração Pública, a manipulação das massas e uma inimizade enorme em relação à sociedade civil” ?, Todos sabemos  que tem culpas nesse cartório .  Aliás é o notário desse cartório. E  não o admitiu . JMN coloca-se na posição de um Brahmán,  que segundo se lê no livro de Manu, um antigo manuscrito hindu que contém as leis de Manu e que estabeleceu o sistema de castas na Índia há mais de 2 mil anos, que um Brahmán quando nasce, nasce superior, é o senhor de todas as criaturas e deve guardar o segredo do Dharma. Tudo o que existe no mundo é propriedade privada do Brahmán, devido a excelência do seu nascimento tem direito a tudo. Ou seja é ele quem tem poder, que goza, que veste, quem dá aos outros e é através da sua graça que os outros existem. O Brahmán é a casta superior, só os elegidos podem pertencer a mesma e gozam de todos os direitos e seu único trabalho é instruir no conhecimento o mundo e o resto das castas.
Muitas democracias modernas emularam-se num sistema de castas que ficaram visíveis com a crise do Capitalismo, onde se viu que os Brahmáns são os directores e conselheiros das grandes corporações que gozam de grandes privilégios; salários estratosféricos, jactos privados e nenhumas responsabilidades se as coisas correrem mal, como ficou provado com crise financeira internacional.

Mas há Brahmáns de pacotilha, à medida do Terceiro Mundo e da pobreza de cada qual. E a jovem democracia cabo-verdiana, também, criou os seus Brahmáns e foi se enrolando num sistema de castas, onde a casta do top “empenhada em nos transmitir o conhecimento” nunca é responsabilizada pelos seus erros: afinal nasceu superior. Pode tomar medidas políticas desastrosas, dizer asneiras, ser o cavalo onde a loucura se manifesta e nada lhe acontece.

 

E é só  nesta posição de  Brahmán que se pode entender que um homem que  esteve 15 anos a dirigir um partido venha instruir, doutrinar  os outros , venha dizer o que devem fazer  quando ele não tem a humildade de assumir as suas responsabilidades nesse estado dos partidos que ele  ajudou a criar durante o seu  reinado de longos 15 anos .

Eduino Santos

 

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