E o Estado da Nação

31/07/2017 07:47 - Modificado em 31/07/2017 07:47
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O debate sobre o Estado da Nação aconteceu no último fim-de-semana. Um debate que terminou com as bancadas (MpD, PAICV, UCID) e o Governo a fornecerem as respectivas visões sobre o Estado da Nação. Uma visão positivista e de confiança por parte dos que suportam o Governo e uma visão mais preocupante sobre a situação actual do país, por parte do PAICV, com a UCID a manifestar preocupação dando, no entanto, um voto de confiança ao Governo.

Um debate que foi seguido atentamente pela população. Nas redes sociais os comentários e os post sobre o debate eram permanentes, com visões diferentes sobre o que está a acontecer com o país e as soluções propostas pelas diferentes bancadas. As reacções, tratando-se de um debate, já se aparentavam opostas e contraditórias. Mas a sensação foi de um debate que não convenceu as pessoas e não trouxe as respostas desejadas.

As opiniões contrárias dos políticos são um dos factos para não saber em quem acreditar. A situação do país continua a piorar, segundo algumas opiniões, e os políticos debatem os temas consoante a própria visão partidária.

“Eu não consegui ver o que realmente estava em debate”, opina Pedro Fortes. O mesmo adianta que seguiu o debate mas “com muita informação e contra informação que não sabe quem tem razão”. Para ele, a população é quem tem razão quando diz que as coisas precisam de melhorar. Da mesma opinião, Cláudia Gomes reitera que se as pessoas estão a dizer que as coisas não estão bem “é porque não estão”. Para esta cidadã, a “voz do povo é a voz de Deus”, segundo o ditado e os políticos devem ouvir o que o povo tem para dizer.

O debate ficou também aquém das expectativas de Ricardo Delgado. “Os políticos precisam de debater a sério e não entrarem em questões que não trazem nada para conseguirem encontrar soluções”. Neste aspecto fala sobre quezílias partidárias, assuntos extra debate e acrescenta ainda a questão da comparação de épocas e mandato. Sobre esta questão, outra opinião é a de Luís Nascimento que revela um certo desapontamento com os políticos e como tratam as questões actuais, e diz que duvida que conheçam as reais necessidades das pessoas, sublinhando que os debates têm sido iguais e que nada tem saído.

Num tom já mais crítico, Dário Sousa diz que o estado deveria ser debatido pelas pessoas que têm dificuldades, que sofrem com o desemprego e outras questões sociais. Sousa gostaria de ver, com certeza, um debate com afinco para ver os problemas resolvidos.

O Debate – balanço

Janira Hopffer Almada (PAICV): “O balanço deste Governo é francamente fraco! O Governo prometeu muito, mas faz pouco, muito pouco! Muita conversa, mas pouca acção visível e concreta que é o que os cabo-verdianos esperam! Escutei com atenção a apresentação do Senhor Primeiro-Ministro para tentar captar algo de tangível. Mas foi só conversa! Não se vislumbra, até hoje, nada de bem significativo que possa ser creditado a este Governo! Um Governo que demonstra que não tem visão! Um Governo sem pensamento estratégico, sem uma agenda coerente para o desenvolvimento do país e, logo, incapaz de propor um rumo para Cabo Verde.”

António Monteiro (UCID): “A Nação não está bem! Mas poderia estar melhor! Prova disso é a manifestação realizada em S. Vicente pelos SKOLLS 2017. O povo saiu à rua para demonstrar que a Nação não está bem. A Nação vive uma esperança que com o tempo se vai acinzentando. A Nação vive um tempo que exige menos tempo para a resolução dos inúmeros problemas que dificultam a felicidade prometida e a alegria desta mesma Nação. Senhor Primeiro-Ministro, o Povo das Ilhas quis um poema diferente para o Povo das Ilhas – como escreveu o Poeta – e, por isso mesmo, depositaram no seu Partido todas as fichas que lhes possibilitariam ganhar a lotaria da vida. O Povo queria e quer como lotaria, nada mais nada e menos, do que o trabalho. Trabalho que lhe permita ter rendimentos e gerar as suas próprias riquezas!”

Rui Figueiredo (MpD):O Estado da Nação é bom porque os cabo-verdianos depositaram uma grande confiança no Governo do MpD que, seguramente, tudo irá fazer para os não defraudar. O pessimismo deu lugar à confiança e ao optimismo, a esperança reergue-se das cinzas e o entusiasmo, outrora ausente, volta ao olhar dos cabo-verdianos. Termino, reafirmando a nossa firme convicção de que o Estado da Nação é hoje o de uma Nação com rumo para o desenvolvimento sustentável e o Estado da Governação é de resultados que confirmam a justeza, a clarividência e a determinação para atingir esse desenvolvimento”.

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