Baía 2017 – o Festival da Juventude Mindelense

20/07/2017 04:25 - Modificado em 20/07/2017 04:25
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Depois da Câmara Municipal de São Vicente ter anunciado o cartaz da 33ª edição do Festival de Música Baía das Gatas que este ano “homenageia a juventude mindelense”, os jovens acreditam que esta é uma forma de abafar as críticas sobre as políticas de juventude que não possuem.

Paulo Lopes, questionado sobre a iniciativa da CMSV de homenagear a juventude, critica veementemente esta atitude da equipa camarária responsável por mais uma edição do Festival Baía das Gatas. O mesmo afirma que é uma forma de “deitar aos jovens areia nos olhos, num ano em que não foi realizada a Semana Municipal da Juventude Mindelense. Este Município é tão responsável como o governo de José Maria Neves pela incultura da juventude e do desemprego, limitando-se a fazer “bailecos” na rua de Lisboa e festivais de incultura como o Festival da Baía”.

Opinião corroborada por um internauta na página do Provedor do Mindelo. De acordo com este jovem, a manifestação de 05 de Julho passado fez tremer não só o Governo mas também e principalmente, o poder autárquico pois, para ter um festival desse gabarito é “desnecessário utilizar os jovens como bode expiatório, não é algo aceitável”, atira.

E continua a sua explanação: “Eu, como jovem, não aceito porque os jovens de São Vicente não precisam de ser homenageados, mas sim da definição de políticas para jovens, por isso, escrevo esta minha preocupação como uma chamada de atenção aos jovens de São Vicente para não caírem nessa armadilha organizada pela equipa camarária”.

“Acho que um festival desse nível com vários artistas e bandas estrangeiras não deve ser organizado pela entidade pública que utiliza os jovens como “bode expiatório” para tentar ludibriá-los. Porque não deixar que empresas privadas organizem este tipo de eventos, até porque eu sou a favor de que se deva aproveitar o que os são-vicentinos sabem fazer muito bem e que faz a economia da ilha movimentar e investir nisso”.

 

O festival acontece nos dias 11, 12 e 13 de Agosto e traz ao palco do maior festival de música de Cabo Verde, grandes nomes nacionais e internacionais, para abrilhantar os três dias de música. Como todos os anos, as críticas sobre o cartaz escolhido fazem-se ouvir. No entanto, este ano, as críticas são contra a designação da homenagem.

Augusto Neves e a equipa camarária querem deitar poeira nos olhos da juventude com esta homenagem e devo realçar que não sou contra o festival ou nenhum outro evento cultural de São Vicente. No entanto, acho que deveríamos ver os orçamentos destas festividades em relação à realidade que se vive actualmente em São Vicente. Concentrem-se mais na sociedade jovem que precisa de trabalho, não de homenagem.

“Essa táctica política exposta pela Câmara Municipal de São Vicente é muito covarde, pelo amor de Deus, será que não vão parar com esse joguinho de fazer os são-vicentinos de palhaços e chamar a vossa consciência à razão. Os jovens merecem muito mais, merecerem ter políticas direccionadas à criação de empregos, dinamização do desporto e da educação e não de serem homenageados”.

Apelam ao Presidente da CMSV para fazer boa política, “porque a ilha de São Vicente não é “Malta” para anunciar festas e mais festas e a juventude está bem viva para ser apenas homenageada, já que é hábito dos cabo-verdianos homenagearem somente aqueles que já morreram”.

Elvis Carvalho

Jornalista Estagiário

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