Grupo de Reflexão Sobre a Regionalização : “ Não temos razões para desconfiar de Ulisses “

13/07/2017 04:25 - Modificado em 13/07/2017 04:25
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O Grupo de Reflexão Sobre a Regionalização, em São Vicente, tem sido um dos esclarecedores sobre o tema. Com acções de sensibilização, conferências e debates, tem levado o tema da regionalização às pessoas. Em conversa com o Presidente do Grupo, Camilo Abu Raya, o mesmo expõe a visão sobre a última manifestação em São Vicente e em que pé se encontra o processo da regionalização.

“Foi uma manifestação extraordinária na medida que São Vicente demonstrou ter um povo emancipado e que sabe o que quer. Esta manifestação demonstrou que é um povo consciente e que sabe que São Vicente tem todos os condimentos para ser uma ilha de sucesso”, analisa Camilo Abu Raya.

Para o Presidente do Grupo de Reflexão as pessoas compreenderam que São Vicente “está em primeiro lugar” e, só depois, os partidos e o Governo. Acrescenta ainda a surpresa ao ver a participação das pessoas “de forma pacífica e ordeira”, porque “não havia ódio contra os partidos e o Governo apesar da injustiça que tem sido feita a São Vicente”.

Manifestação e regionalização

Para Camilo não aconteceu por acaso pois “ninguém manifesta de um dia para o outro”. A manifestação foi fruto da criação de uma consciência política das pessoas de São Vicente. O Presidente do Grupo de Reflexão tem vindo a trabalhar há cerca de quatro anos na consciencialização das pessoas sobre o assunto. Antes das últimas legislativas foi assinado com o MpD um memorando de entendimento que, em caso de vitória, levaria o assunto a debate.

Defende que as pessoas tiram ilações da manifestação e também das últimas eleições, confiando que a vitória do MpD e da forma como ganhou em São Vicente, teve como base o assunto da regionalização. Assunto que diz que está a ser encarado de forma diferente pelo PAICV, “que já fala abertamente sobre o mesmo” e da UCID, que nas comemorações do dia 5 de Julho centrou o seu discurso no tema.

O Grupo demonstra confiança em Ulisses Correia e Silva, que diz que tem tido conversas sobre a regionalização. “Não temos razões para desconfiar de Ulisses Correia e Silva. Ele tem sido correcto. Mas as pessoas já começaram a preocupar-se e se formos enganados, a luta continuará”.

Para Camilo Abu Raya, a pressão para a regionalização em volta do Primeiro-ministro tem sido interna, já que defende que há pessoas dentro do partido que têm pressionado para que não se avance com a regionalização.

Regionalização

“Sabemos o que queremos. Queremos ilha-região para cada um poder trabalhar para a sua ilha”. E não defende a Região Norte, mas sim uma associação de regiões ou de ilhas e, juntos, fundirem energias para se desenvolverem mutuamente.

A criação da Região Norte acabaria por terminar em mais uma centralização numa das ilhas. “O que acontece actualmente mas, num formato mais pequeno”. E, neste sentido, defende que as ilhas têm os seus potenciais a explorar. “Portanto, São Vicente já ficou para trás porque os políticos cabo-verdianos não tiveram visão”, sendo que a regionalização seria o caminho.

O Governo já realizou um estudo e avança que as primeiras eleições regionais podem acontecer em 2020.

 

Hernâni Delgado 

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