Casamento Gay:  Uma questão política ou de consciência?

12/07/2017 04:02 - Modificado em 12/07/2017 04:02

A discussão em volta do tema foi lançada em conferência de imprensa pela comunidade LGBT do país que reivindica a revisão da Constituição para que as pessoas do mesmo sexo possam ter a liberdade e a escolha de se casarem, sem nenhuma restrição.

Desde que foi lançado, este tema tem adquirido diversas proporções sobre a sua aceitação ou não pela população. Na passada segunda-feira, foi a vez do Secretário-Geral do Movimento para a Democracia e deputado do partido na Assembleia Nacional, Miguel Monteiro, na sua página pessoal do Facebook, a deixar bem clara a sua posição, que é contra o casamento gay, usando para isso, versículos da Bíblia, o livro mais lido do mundo para sustentar os seus argumentos.

Por outro lado, o Governo citado pela Lusa afirma que o casamento homossexual não está na agenda política do Governo, classificando como “opinião pessoal” a posição do Secretário-Geral do partido no poder (MpD), Miguel Monteiro, contrário ao casamento gay, mas garantiu que “se estiver será discutido”.

“Não temos nenhum problema relativamente a esta matéria. Não está na agenda política do Governo, não foi discutida”, prosseguiu o Chefe do Governo, afirmando que é preciso fazer o debate sobre o assunto com tolerância e respeitando a “liberdade de expressão total”.

Estas afirmações não foram do agrado de muitos que comentaram a publicação condenando a postura do deputado, mas também houve os que saíram em sua defesa. Apesar da crítica pelo cargo que desempenha, em resposta a estas acusações, Miguel Monteiro afirma que “é exactamente por ser deputado que emito a minha opinião sobre esta matéria, sem titubear nem “nhe-nhe-nhe”!!! Digo e REPITO 200% CONTRA! A minha consciência não está à venda”.

Diz ainda que quem quiser votar a favor, que vote, porque a democracia o permite, mas “a minha liberdade de emitir a minha opinião, principalmente nesta matéria… ninguém a tira”, responde o deputado a algumas acusações.

Nisto, estão os defensores da opinião do deputado, que assinam também como própria posição, embora afirmem que não a sustentam com base nos versículos, pois estes argumentos não são válidos… A Bíblia nunca deverá ser levada em consideração na resolução deste “debate”. E, no fim das contas, cada um sabe o que é melhor para si… Podemos ou não concordar, porém, a felicidade de cada um deve depender apenas de si e de mais ninguém.

“Acredito que a sociedade cabo-verdiana, enquanto cristã (com feriados e festas religiosas e um conjunto de cerimónias do Estado com participação das igrejas, etc.) não poderá aceitar a institucionalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Concordo totalmente com a opinião de Miguel Monteiro”, diz outro internauta, que elogia a coragem do deputado em defender publicamente a sua posição.

“Politizar esta questão é o cúmulo da politiquice. Aqui só vale a opinião de cada indivíduo. O cidadão Miguel Monteiro exprimiu uma opinião de cidadão e não como porta-voz do seu partido. Nos parlamentos da maior parte dos países democráticos, os deputados têm, logicamente, a liberdade de voto por se tratar de uma questão de liberdade de consciência que nada tem a ver com estratégias de discurso político. Daí que o único plebiscito válido seria um referendo que, conhecendo como conheço esta sociedade em que me insiro, seria uma derrota rotunda do sim ao casamento gay”.

No entanto, sabe-se que os deputados não têm mandato para tratar deste assunto – casamento Gay e, portanto, o grupo LGBT, deve trabalhar para que este assunto seja apresentado ao Parlamento como uma proposta de lei para ser discutida e submetida a votação.

  1. Francisco Andrade

    Em vez de se preocupar com a taxa alta de desemprego,com a segurança dos cidadãos..lá vem alguns cidadãos e algumas cidadãs preocupar com assuntos irrelevantes nessa altura.
    Haja paciencia

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