Violência durante a greve de mineiros da África do Sul causa mais dois mortos

12/10/2012 01:51 - Modificado em 12/10/2012 01:51
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Um homem foi queimado vivo e outro foi baleado nesta quinta-feira durante violentos confrontos junto a uma mina de platina nos arredores de Rusterburg, na África do Sul, onde os mineiros estão em greve desde 12 de Setembro, no dia em que foi rejeitada uma proposta do patronato para tentar pôr fim às paralisações em várias minas no país.

 

As duas mortes foram confirmadas pela polícia e ocorreram na mina da empresa Anglo American Platinum (Amplats) em Rustenburg. “Eram cerca de 6h [5h em Lisboa], quando a polícia foi informada de que 400 pessoas se tinham juntado em Nkaneng, junto a uma mina da Amplats. Logo que a polícia chegou ao local, constataram que um homem tinha sido baleado”, contou à AFP o porta-voz da polícia, Dennis Adriao. Esse homem viria a morrer depois no hospital, e Adriao adiantou ainda que “a polícia encontrou, a poucos metros, um homem que tinha sido queimado, que ainda estava vivo mas acabou por morrer no local”.

 

Na África do Sul cerca de 100 mil trabalhadores estão em greve desde Agosto, dos quais 75.000 são mineiros, e nesta quinta-feira o principal sindicato do sector do país, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Minas (NUM, na sigla em inglês), rejeitou uma proposta do patronato para pôr fim à paralisação. A proposta, segundo o sindicato, previa um aumento salarial dos 7000 para os 10.000 rands (620 para 890 euros, aproximadamente), menos do que o que é reivindicado pelos mineiros que têm exigido um aumento salarial para os 12.500 rands (cerca de 1100 euros), mais do dobro do que muitos deles ganham actualmente.

 

“Fizemos a proposta aos mineiros e eles disseram que não”, confirmou à AFP Kenneth Buda, coordenador do sindicato NUM, o principal sindicato dos mineiros sul-africanos.

 

Os confrontos durante as greves dos mineiros na África do Sul já causaram mais de 50 mortos, incluindo 34 mineiros na mina de Marikana em resultado dos disparos da polícia.

 

Com a rejeição da proposta do patronato as greves nas minas deverão agora continuar. “Esta era uma oferta final das empresas, disseram ‘é pegar ou largar’”. Disse à Reuters Lesiba Seshoka, porta-voz do NUM. “Agora que foi rejeitada, as nossas hipóteses esgotaram-se”. No entanto, uma nova reunião entre os representantes das empresas mineiras e os sindicatos foi marcado para segunda-feira.

 

É na África do Sul que existe grande parte das reservas de platina conhecidas, e o preço deste metal precioso já aumentou cerca de 20% desde o massacre de Marikana, o mais violento desde o fim do apartheid em 1994.

 

 

 

 

jn.pt

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