Amnistia Internacional denuncia aumento de despejos violentos na China

12/10/2012 01:49 - Modificado em 12/10/2012 01:49
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Cada vez mais chineses são forçados a abandonar as suas terras e casas, tanto em zonas rurais como urbanas. E muitos dos que tentam resistir são espancados, detidos, alguns mortos. Uma forma de “limpar caminho para o desenvolvimento”, denuncia a Amnistia Internacional.

 

Nesses terrenos são depois construídas estradas, fábricas e complexos residenciais. Num relatório divulgado nesta quinta-feira, a organização de defesa dos direitos humanos alerta para um aumento preocupante de despejos nos dois últimos anos e pede uma actuação do Governo.

 

“As autoridades locais pediram enormes quantias aos bancos estatais para financiar projectos de desenvolvimento e agora contam com a venda de terras para cobrir os pagamentos”, explica a Amnistia Internacional, que acrescenta que as indemnizações, quando existem, são consideradas insuficientes pelos expropriados.

 

O problema tem sido uma das grandes causas de descontentamento na China e houve vários casos de imolações pelo fogo, em protesto – entre 2009 e 2011 foram contabilizadas 41. No mês passado, um homem que tentava imolar-se porque queriam destruir a sua casa foi abatido a tiro pela polícia.

 

O primeiro-ministro, Wen Jiabao, reconheceu a gravidade do problema. Com a aprovação, no ano passado, de um novo regulamento que fixa um mínimo para as indemnizações e proíbe o uso da violência, foi dado um primeiro passo no sentido de proteger aqueles que são alvo de despejos.

 

Ainda assim, prossegue a ONG, o Partido Comunista (no poder) continua a privilegiar o crescimento económico, não importa por que meios.

 

Dos 40 casos analisados ao pormenor para o relatório, nove terminaram na morte das pessoas que protestaram ou tentaram resistir aos despejos. Uma mulher de 70 anos, por exemplo, foi em 2010 enterrada viva por um bulldozer quando a sua casa em Wuhan, uma cidade da província de Hubei, foi demolida por um grupo de 30 ou 40 trabalhadores.

 

Um outro caso recuperado pela Amnistia Internacional remonta a Junho de 2011, quando em Wenchang, na província de Sichuan, a polícia ficou com a custódia de um bebé, recusando-se a devolvê-lo à mãe até que ela aceitasse uma ordem de despejo.

 

“As autoridades chinesas têm de parar imediatamente com os despejos”, pede a organização, que denuncia as administrações locais por fazerem “vista grossa” às agressões dos empresários que “recorrem a métodos cruéis para expulsar as pessoas das suas casas e vender os seus direitos ao uso da terra”.

 

 

 

publico.pt

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