“Hoot Dancers”, uma dupla que quer colocar Cabo Verde no circuíto mundial da dança

10/07/2017 01:26 - Modificado em 12/07/2017 17:27
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Denominam-se de “Hoot Dancers”, uma dupla de jovens dançarinos que actualmente está a trilhar o seu caminho pela arte da dança. Artelindo Rodrigues e Mauro Barros são dois amigos que se conhecem desde criança e que há pouco mais de um ano começaram a dançar em dupla, abandonado assim o ideal de dançar em grupo.

Afirma que a dança é algo que está directamente ligada a sua alma. Cada coreografia é uma continuação dos mesmos, e em cada uma delas, trazem algo explosivo, tornam-se imprevisíveis como a própria arte, com coreografias memoráveis e tentar sempre surpreender o público, causar impacto. Algo diferente, para que quem está a assistir fica focado nos movimentos dos dançarinos.

Abaixo os artistas nos contam um pouco sobre sua trajectória,

Artelindo Rodrigues, dos dois é o que sempre teve a paixão pela dança. Este conta que desde criança sempre foi fascinado pelos movimentos e que sempre que tinha oportunidade assistia ensaios e espectáculos de dança. Com 18 anos e Mauro 17, diz que o “boom” se deu quando frequentava o 7º ano na Escola dos Salesianos, onde participou num concurso de dança, tendo chegado a final, que não ganhou, e nunca mais quis parar. E antes de formar dupla com Mauro Ramos passou por diversos grupos locais.

Notícias do Norte: Como se deu a criação da dupla?

Mauro Barros – começei a dançar em 2013/2014 por insistência do meu parceiro, mas não sabia nada desta arte, com o tempo fui apreendendo e evoluindo e também a ganhar o gosto, estive em três grupos, juntamente com o Artelindo, mas como tínhamos objectivos diferentes dos outros membros seguimos em frente só com os dois e até agora tem sido uma experiencia bastante produtiva.

A decisão de dançar apenas em dupla não foi seguida apenas por instinto, mas por temos constatado que era demasiado complicado os interesses da dupla e com o restante pessoal e isso levou-nos a tomar esta decisão, e desde então começamos a gravar vídeos de dança para mostrar o nosso trabalho e esta divulgação funcionou bem. E também fazemos eventos de forma a espalhar o nosso nome. Antes éramos conhecidos apenas por AM, os nossos iniciais, e depois por sugestão do nosso manager mudamos para “Root Dancers”, que simboliza a forma como dançamos, com capuz.

Artelindo Rodrigues Esta parceria tem funcionado muito bem porque temos os mesmos objectivos e ambos queremos dar algo mais em contributo da dança. Queremos ser uma referência nesta arte.

Dançamos em CVMA, abertura de 2017, e isso nos deixou orgulhosos, o facto da organização levar de São Vicente dançarinos para dançar na cidade da Praia.

Notícias do Norte: Qual o estilo que mais se identificam?

Estilo de Hip Hop, mas dançamos qualquer outro que nos propuserem, interpretamos qualquer estilo.

Notícias do Norte: O que pretendem passar quando estão dançando?

Nós não dançamos apenas porque temos que dançar, quando subimos num palco queremos deixar a nossa marca. Ao contrario de muitos que entram e saem sem deixar nada, quando sobem num palco. Nós não funcionamos assim, porque além de ser um exercício para a alma quando estamos lá, não estamos apenas a interpretar uma coreografia, estamos a dar ao público uma experiencia. Isto porque dança é algo instantânea e se não tiver algo de especial a ser transmitido é apenas mais um número de dança e como artista pensamos sempre na mensagem a transmitir. Deixar uma impressão, dar ao público algo para falar. Toda a arte transmite uma mensagem e a dança não é diferente.

Notícias do Norte: O que já alcançaram com a dança? E o que pretendem mais?

Quando fazíamos parte de grupos conquistamos títulos a nível regional e como integrantes da dupla “Root Danceres” até ao momento já superamos as nossas expectativas este ano, por isso fomos convidados para fazer a abertura com Cabo Verde Music Awards, e em São Vicente actuamos na edição do festival de cores 2017.

E almejamos subir ao maior palco de música do país, o Festival Baia das Gatas e apresentar ao país a dupla que sonha em representar CV a nível internacional, no maior concurso de danca do mundo, o “World Dance”, este é um sonho cuja esperança nos motiva dia após dia a superar a nós mesmos e trabalhar em prol do desenvolvimento da dança no país.

Notícias do Norte: As dificuldades que os bailarinos encontram?

Algumas dificuldades são os próprios dançarinos que os criam, aliado as dificuldades do meio em que vivemos, por exemplo, a falta de apoio, espaços de ensaios e a valorização da própria arte. Sempre que pretendemos realizar qualquer evento de dança, fazemos isso por conta própria, porque em termos de apoios, se ficarmos a espera disso, não chegaremos a lugar nenhum.

Notícias do Norte: Quais os pensamentos referentes a dança? O que significa?

Quando falarem de dança em Cabo Verde, falarem de nós e o contrario também. Queremos ser vistos como dança, mas não só como a dupla “Root Dancers”, mas como uma referência na arte.

Notícias do Norte: Alguma vez pensaram em parar de dançar? Porque?

Parar não, mas sempre vai ter o momento em que teremos de dar uma pausa para assegurar o futuro, porque ninguém vive da dança neste país e depois voltar e continuar a investir em algo que é a nossa paixão.

Não teríamos necessidade de pensar nisso se quando falássemos de dança termos a possibilidade de ter ganhos financeiros com esta modalidade em Cabo Verde, não de uma forma instável. Porque iria ajudar a alavancar a arte no país e se tiver saída profissional e não ser apenas algo divertido de se fazer.

Notícias do Norte: Qual o valor do dançarino em São Vicente?

Sobre o valor dos dançarinos em São Vicente, somos da opinião que somos os próprios responsáveis por atribuir a nós mesmos este valor, porque ninguém vai fazer isso. É uma das artes mais complicadas e se não valorizarmos primeiramente, ninguém vai fazer isso por nós.

Notícias do Norte: Se pudessem mudar algo na forma como os dançarinos são vistos no país o que mudariam?

O tratamento que os dançarinos recebem, somos desvalorizados, pelas instituições, promotores de eventos, que muitas vezes nos vêem como meros dançarinos, somos mais do isso isso, não é apenas subir no palco e dançar, apresentamos algo, deixamos levar pela arte. somos artistas e isso deve ser valorizado. E isso está assim porque são os próprios que fizeram acontecer, mas acredito que esta geração quer mudar isso, nós queremos fazer isso. E por isso vamos trabalhar cada dia, batalhar para que isto aconteça. A dança é a nossa vida é a forma como exprimimos os nossos sentimentos.

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