São Vicente : grupo de cidadãos convoca manifestação contra política centralista e discriminatória

29/06/2017 05:00 - Modificado em 29/06/2017 05:00

Ainda sobre o recrutamento da “Grande manifestação de Soncent” que acontece no dia 05 de Julho, altura em que Cabo Verde comemora 42 anos de independência nacional e que até já tem a reacção do Movimento Pro-Praia que promete fazer de tudo para que o Governo não ceda às pressões sãovicentinas.

Esta data, 05 de Julho, é marcante para os cabo-verdianos e para os responsáveis da organização da manifestação, pois é crucial aproveitarem esta data pelo seu valor simbólico.

Lançada nas redes sociais há pouco tempo, a adesão a este recrutamento é considerada “bastante boa” pelos organizadores, com diversos comentários, gostos e partilhas. Os promotores esperam  que  no dia 05 de Julho, Mindelo não será ocupada apenas por pessoas a celebrarem mais um ano de independência do país, mas também por manifestantes que prometem reunir-se a partir das 10 horas de manhã na Praça Estrela para, juntos, lutarem contra as políticas de centralização dos poderes e investimentos em Santiago e, ao mesmo tempo, exigir autonomia para a ilha de São Vicente.

De acordo com os posts e comentários lançados sobre este evento nas redes sociais, no dia 05 de Julho, Mindelo estará em polvorosa, com o povo de “Soncent”, segundo um internauta, unindo as sinergias para mostrar o desagrado das “gentes de Soncent” contra esta política “centralista e discriminatória contra a ilha”.

“Por São Vicente. Por Cabo Verde. Por uma cidadania independente. Todas as Vozes. Todas as cores: uma só ilha”, é o lema do movimento Sokols 2017, uma referência a um movimento social criado no Mindelo na década de trinta, também conhecido por Falcões de Cabo Verde,  “que incutiam o espírito de cultura cívica, física e intelectual na juventude de então cujos frutos dessa geração tão culta, interessante e generosa, colhemos ainda hoje.”

Este movimento, não pretende, segundo resposta às várias críticas, ser um movimento bairrista e, como citam nos comentários diversas vozes de São Vicente, “reduzir o movimento Sokols 2017 a um sopro de bairrismo ou de oportunismo partidário é um erro tremendo. É passar um atestado definitivo de menoridade mental ao povo de São Vicente. Mas é tiro e queda: sempre que algo se mexe na sociedade civil em Cabo Verde, é conveniente colar esses sopros a intenções tribais”, escreve João Branco, uma das vozes que considera as críticas com o intuito de enfraquecer o movimento.

Outro internauta defende que denominar de “bairrista quando o povo de uma ilha fala, manifesta, reivindica o melhor para a sua ilha, pois a ilha é unicamente sua e de mais ninguém, porque errado é quem pensa que Cabo Verde é o que está na Lei, na cabeça dos políticos, sobretudo, na cabeça dos ignorantes. Cada ilha é um património sagrado dos que nela nasceram, vivem ou escolheram para viver. Bairrismo, sim”.

Justifica afirmando que cada povo das ilhas tem de cuidar do seu próprio destino. “Manifestar, sim, contra o “establishement”, contra promessas insensatas e mentirosas. Sou a favor do levantamento popular mesmo a contragosto de partidos e de governos. É “bera” fazer-se o aproveitamento político. São Vicente não deve admitir isso porque desvaloriza a luta que juntos fizemos para conquistar a independência e a liberdade de pensar, falar e de agir. Cada ilha que tome conta do seu próprio destino, quando sentir que há desmandos, escreve Barbosa Carlos, outro internauta apoiante desta causa, que nos últimos dias tem levantado diversas discussões e muitos apoiantes.

Apesar da forte adesão muitos são ainda os avisos sobre a comparência de pessoas trajadas com camisas, bandeiras ou referências a qualquer partido político, com a ameaça de abandonar o local.

“O que está em causa é o nosso orgulho e a defesa da ilha que nos viu nascer ou que muitos adoptaram”.

  1. ***

    Até parece que descobriram petróleo em São Vicente. Vão viver de que? produzem oque? tenham noção da realidade, CV vive de ajuda orçamental em mais de 60%.

  2. Joaquim ALMEIDA

    ” O que està em causa é o nosso orgulho e a defesa da ilha que nos viu nascer ou que muitos adoptaram ” Isso mesmo !.. Trata – se na verdade de uma situaçao inaceitàvel !. O nosso pais , geogràficamente um arquipélago , tem de ser governado de forma ” proporcionalmente ” de interesses , seja econômimo como culturel , para todas as ilhas !..E de conhecimento de todos os caboverdianos o serviço que a ilha de Sao Vicente , dado às suas possibilidades naturais , o seu PORTO GRANDE que tanto serviu o nosso pais Cabo Verde , durante muitos anos antes de a independência , isto é , até 1975 !. Nao se compreende porque motivos querem ignorar tudo o que aquela ilha tenha prestado ao povo do arquipélago , para sua sobrevivência !. Sao Vicente para todos os efeitos , merece ser considerado e respeitado , coisa que têm se notado o desleixo dos sucessivos governos , procurando sempre ignorar a sua existência , tentando mesmo ( limpar ) a sua beleza natural , a sua importante utilidade perante o pais !.;Caboverdianamente ; Um Criol na Frânça ; Morgadinho !..

  3. PELETCHA

    Antes dessa fanfara carnavalesca que todos os Sampadjudos arrumam ses troxa e sai de ilha Santiago, deixando em paz, sem violencia, sem prostituição masculina/feminina, roubos etc ,etc os santiaguense qui é ca é «morador qui fari parasitas».

  4. José Furtado

    Este movimento, não pretende, segundo resposta às várias críticas, ser um movimento bairrista e, como citam nos comentários diversas vozes de São Vicente, “reduzir o movimento Sokols 2017 a um sopro de bairrismo ou de oportunismo partidário é um erro tremendo. É passar um atestado definitivo de menoridade mental ao povo de São Vicente.

    Bom, está tudo dito!!!!!!!!!!!!!

  5. JORGE fortes

    A minha grande preocupacao e a forma como estão sendo distribuídos às oportunidades de formacao profissional e Universitária para Cabo Verde. O ISECMAR ( atual filial da UNICv – DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA e Ciência do MAR ) faz tempos que perdeu autonomias, ou seja qualquer requisicao de material tem que ter autorizacao da Capital.Nao entendo como o grupo Pro Praia vem exigir um campus que foi destinado a SV para desenvolver a regiao Norte do pais. isso traduz em um excesso de ganancia e querer aproveitar de tudo so por ser capital do pais. SV merece e muito mais. Apelo a todas as zonas perifericas e o Centro da cidade a comparecer nessa Mega Manifestacao no dia 5 de Julho e gritar Viva Sv.

  6. Belmira

    Não tenho nada contra a Manif, menos ainda contra SV, mas será que os promotores da Manif não estão a exagerar querendo levar o povão a confundir as coisas? Até parece que os problemas de SV não são os mesmos das outras ilhas ou que SV não faz parte deste país pobre com imensas dificuldades, com poucos recursos que devem ser distribuídos com critérios.O motivo da manif parece mais vingança politica do que preocupação com SV. Mas pq que SV acha que deve ser tratado de forma especial?são todos especiais?kkkkkk….O povo de SV precisa deixar os fantasmas do passado e cair na realidade, precisa sair da tela e do palco do Eden Park e viver de acordo com o que produz e com a realidade do País….A fantasia não deve ultrapassar o mês de fevereiro…

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