Mercado Municipal de São Vicente: mais um ponto de atracção turística do que de vendas

22/06/2017 01:52 - Modificado em 22/06/2017 01:52
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Há muita mais gente a visitar o Mercado Municipal no centro da cidade, mas para muitos vendedores isso não se traduz na subida do volume de negócios.  É um dos principais pontos turísticos de São Vicente. O edifício que hoje alberga o mercado foi construído no século XIX.

No centro da cidade, está acessível a todos os que queiram passar pelo local, nem que seja só de visita, o que muitos fazem, tanto nacionais como turistas que, por vezes, levam alguma lembrança do local ou adquirem algum produto que se encontra nas bancas das diversas feirantes que fazem o dia-a-dia deste histórico edifício.

Em jeito de desabafo, “Coia” – Carolina Colito, uma das vendedeiras mais antigas do local diz que actualmente o negócio está bastante fraco e segundo conta, a movimentação dentro do espaço fervilhava de gente à procura de algum produto de terra, mas “com os minimercados e os supermercados, que são os grandes concorrentes, desde que começaram a vender muitos dos produtos que se encontram nas bancas do mercado, o volume de vendas começou a decair” e, hoje, insiste apenas porque “faz parte da casa” que a acolheu desde criança quando foi levada pelas mãos da avó e, desde então, nunca mais saiu. Aliás, saiu quando o mercado recebeu obras de requalificação e voltou na sua abertura.

Mas sempre bem disposta, todos os dias, quando as portas do mercado são abertas, lá está esta senhora de manhã, para abrir a sua banca e com um sorriso sempre no rosto à conquista de clientes e, às 18 horas, já está preparada para se recolher e retirar-se para casa. Um ritual que se repete há mais de quatro décadas. Hoje, com sessenta e nove anos de idade, sessenta e dois dos quais a frequentar o mercado, afirma que as vendas diminuíram drasticamente com a abertura dos supermercados, mercados e com os vendedores ambulantes que abordam os clientes na rua e que nem sequer os deixam entrar no mercado.

Outra vendedora que compartilha do mesmo sentimento de “Coia” é Camila Monteiro “Nina”, que conta uma história semelhante. Diz que “hoje vende no local mas por diversão e pelo hábito de estar sempre no local”.

Com 46 anos de mercado, Camila ou “Nina” como é conhecida, relembra também o tempo da abundância de clientes que procuravam sempre o mercado para satisfazerem as suas necessidades de compra. “Naquele tempo existia quase que exclusivamente este mercado, mas hoje, não é bem assim: a concorrência é muito forte, mas continuamos aqui a lutar e a viver um dia de cada vez, ou melhor, uma compra de cada vez”.

E para qualquer turista, a visita ao Mercado é obrigatória e não é difícil encontrá-los vagando pelos corredores. É dentro do Mercado, diz um turista, que podemos sentir o “cheiro da cidade”.

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