Miss Beleza Infantil Praia: Organização ameaça processar o blogger Dai Varela

20/06/2017 02:25 - Modificado em 20/06/2017 02:30

A promotora do evento Concurso Miss Beleza Infantil Praia, Maria Isabel, defende que contrariamente às reacções e comentários veiculados, o concurso não tem nada que poderá expor ou comprometer as crianças. A mesma afirma que quem fez os comentários não conhece os detalhes do projecto e muito menos o ICCA, apesar de ter entregue uma carta explicando a iniciativa. Ao Expresso das Ilhas a mentora do projecto ameaça processar o blogger Dai Varela,  jornalista e autor do livros “Fita cor-de-rosa” e “Tufas, a Princesa Crioula”, que levantou a discussão à volta do evento.

O concurso Miss Beleza Infantil despoletou uma polémica à volta do evento que mereceu destaque tanto nas redes sociais como nos órgãos da comunicação social. A discussão do tema foi levantada pelo blogger Dai Varela que se manifestou contra a realização do evento.

No post na sua página do Facebook, o autor escreve: “Porque um país com tão graves problemas de abuso sexual de crianças não deveria apostar em eventos que apenas contribuem para a erotização das meninas crianças. Claro que estas mini misses são incentivadas pelas mães que, muitas vezes, apenas estão a projectar nestas crianças um desejo próprio de vaidade. Infelizmente, esses concursos não são assistidos apenas pelas mães babadas com as “fofuras” das suas crianças”.

Entretanto, Maria Isabel, mentora do evento, diz que o projecto Miss Beleza Infantil foi criado com a melhor das intenções e reage com estranheza àquilo que foi dito na comunicação social e nas redes sociais. A promotora afirma que quem fez os comentários não conhece os detalhes do projecto e muito menos o ICCA, apesar de ter entregue uma carta explicando a iniciativa.

Maria Isabel, entristecida e lesada com as interpretações, ameaça processar o blogger Dai Varela. Ao Expresso da Ilhas, a mentora avançou: “Não posso concordar com o que ele diz. Sinto-me triste com a associação que ele faz entre o concurso e o abuso sexual de menores. Elas não vão desfilar de biquíni como ele diz. Vão usar vestidos longos, de princesa”.

Muito se tem falado em relação à protecção das crianças tendo em conta os graves problemas que se têm registado em Cabo Verde, sobretudo, o abuso e a exploração sexual das crianças. A interpretação despertou muitas críticas em relação ao evento.

Na sequência das informações divulgadas nas redes sociais e nos jornais online sobre o concurso “Mini Miss Beleza Infantil Praia 2017”, o Ministério da Família e Inclusão Social, através do Instituto Cabo-verdiano da Criança e Adolescente, ICCA, reagiu à notícia posicionando-se contra a realização desse evento, exigindo um pedido de desculpas por parte dos organizadores ao relacionarem o nome da instituição com a organização do evento.

Em resposta à ameaça da mentora do projecto, Odair Varela considerou: “em nenhum momento imputei factos ou juízos ofensivos do bom-nome e crédito, da honra, consideração ou dignidade da responsável da organização deste evento. Escrevi um artigo de análise crítica que lhe foi desfavorável no qual não há intenção de injuriar.

Mesmo assim, caso ela decida avançar, resta-me entender que o sistema judicial foi feito para resolver, entre outros, casos do tipo. Porém, recomendaria vivamente que a organização repensasse a mudança do foco deste evento. Tirar o foco da competição dos corpos das nossas crianças e investir os seus esforços num evento mais dignificante para as nossas crianças”.

Odair Varela assegura ainda que “não promovo e não defendo eventos com a intenção de colocar as crianças em competição com critérios de atributos físicos (procurando ter postura de adulto, andar de adulto, maquilhagem ou poses de adultos) ou competição de quem tem a roupa mais bonita (em que as crianças com pais com maiores condições económicas poderão exibir uma melhor vestimenta para “ganhar” o concurso)”.

  1. Clara Medina

    “De tantas boas intenções o inferno está cheio”.
    Nota-se uma tentativa clara da promotora deste contestável evento de manipular a opinião pública recorrendo constantemente ao nome da ICCA dizendo que escreveu uma carta à mesma organização informando do seu projecto.Como ela mesmo afirma nunca teve resposta e na sua percepção o mesmo significa ter o aval da ICCA.
    Ela podia ter escrito uma carta ao Presidente da República informando também do seu propósito idealistico na opinião dela mas simplesmente escrever uma carta, como é lógico, não significa ter o consentimento do endereçado.
    Compreendo que em tempo de crise, sem nenhum escrúpulo, muitos tentam enriquecer e escapar da mesma. O que interessa são os fins e não os meios.
    E quanto mais quando há uma vítima bastante vulnerável como as crianças e numa época em que os pedófilos, oriundos de todas as latitudes, descaradamente e sem nenhum pudor estão bastante activos e à caça da sua presa, tal evento constitui um mercado e uma ocasião ideal para eles. A implacável lei da procura e oferta num mercado pornografico globalizado. Levar em conta que em Cabo Verde mais de 50% das famílias não têm uma infraestrutura sólida sendo as crianças neste caso uma vítima fácil, desprotegida e portanto ideal para os destituídos do mínimo de escrúpulo.
    Felizmente que a sociedade está consciente da sua responsabilidade, pelo menos nem que fôr moral, perante as crianças e que tais eventos mesmo sem intervenção das autoridades deverão ser banidas e boicotadas.

  2. Djoninho

    Apoiado Odair Varela.
    Abaixo Maria Isabel.

  3. Francisco Andrade

    A esta senhora proponho o seguinte
    Porque não realizar actividades lúdicas para desenvolvimento cognitivo das crianças.. para mim as meninas nessa faixa etária devem brincar com bonecas e os rapazes devem correr atrás de uma bola.

  4. Suly

    Eu também acho muito estranho todo o nervosismo da senhora… devia ser investigada 2

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