Violência urbana:  entre os números do MAI e o sentimento de insegurança  

20/06/2017 01:56 - Modificado em 20/06/2017 01:56
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As afirmações do Ministro da Justiça, Paulo Rocha, sobre a questão da violência em Cabo Verde, em particular, na Cidade da Praia, não agradaram. O Ministro fala numa descida de violência quando nas últimas semanas, notícias de assassinatos e assaltos têm despoletado o tema nos órgãos e fóruns da comunicação social. Uma linha de pensamento contrária à dos que lidam com a questão no seu dia-a-dia.

Inclusive, a líder do PAICV, já abordou o tema. À Inforpress, Janira Hoffer Almada afirmou que a problemática da violência não deve ser tratada de forma politizada. E pediu o agendamento do tema no diálogo com o Primeiro-ministro de forma regular. “Há um grande perigo das pessoas estarem a sentirem-se cada vez mais inseguras e há ainda um outro perigo de isto afectar negativamente o turismo, que representa mais de 22 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)”.

O caso do assassinato seguido de suicídio ocorrido no último fim-de-semana em São Vicente, faz elevar os níveis de preocupação. Em resposta ao Ministro, nas redes sociais, a abordagem politizada do tema não foi a melhor solução. Para um internauta, o Ministro ou cumpriu o seu papel político na sua resposta à onda de violência na Cidade da Praia ou está a fugir das responsabilidades. “Por enquanto, nós, os mortais, é que somos os visados dos criminosos, mas quando se consciencializarem que afinal de contas vocês é que têm dinheiro e vida boa, o feitiço vai-se virar contra o feiticeiro”.

A afirmação do Ministro não agradou visto que muitos sublinham a protecção dos membros do Governo e afins, ficando o cidadão comum à mercê da criminalidade.

Um dado levantado por internautas não se refere à redução da violência em si mas, de queixas ou registo dos crimes que acontecem. Surge na via pública a questão de homicídios e assaltos com maiores proporções, mas não deixam de existir pequenos assaltos nas ruas e arrombamentos de casas. Casos que são reportados à Polícia, mas que nem sempre chegam à comunicação social.

Para alguns entrevistados pelo NN a solução da violência não é algo que aconteça num piscar de olhos, como afirma Nuno Santos. Este cidadão defende que a violência não é apenas um problema isolado. Assume que a falta de soluções pode provocar com que muitos busquem soluções à margem da lei. Na mesma linha de pensamento, Alexandre Silva defende uma ocupação para que as pessoas possam usar o seu tempo da melhor forma. Estas afirmações fazem lembrar o provérbio bíblico “mente vazia oficina do diabo”. Neste sentido, o apelo é de haver soluções sustentáveis de emprego para jovens a fim de conseguirem ocupar o seu tempo da melhor forma.

Além da ocupação os cidadãos defendem uma educação voltada para a valorização da pessoa, no sentido de que as pessoas possam viver em harmonia. “Nós precisamos de paz e as pessoas precisam de serem educadas neste sentido, de viverem em paz e harmonia”, sintetiza Isa Reis. Esta cidadã diz que a questão reside no facto de que se têm perdido muitos valores nestes tempos.

 

 

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