Portugal: 62 mortos no incêndio de Pedrógão Grande. Três dias de luto nacional

19/06/2017 03:45 - Modificado em 19/06/2017 03:48
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Fogo mantém quatro frentes

Pelo menos 62 pessoas morreram no incêndio que atinge Pedrógão Grande e outros dois concelhos do distrito de Leiria desde sábado, revelou esta noite a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa. O balanço já tinha chegado a este número, mas a meio da tarde o primeiro-ministro António Costa disse que afinal só havia 61 mortes confirmadas, já que uma das vítimas tinha sido registada em duplicado. Há ainda, nesta altura, 62 feridos a registar.

“Sempre que venho ter convosco infelizmente trago um número que tem aumentado: temos 62 mortos sendo que dois deles são vitimas de um acidente rodoviário na mesma via”, afirmara Jorge Gomes, em declarações aos jornalistas no local, horas antes.

No entanto, Jorge Gomes alertou que as autoridades estão muito preocupadas porque se estão a levantar ventos cruzados, situação que se verificou no sábado e que terá estado na origem deste grande incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande.

 Como o DN afirma a frente do monte da Graça é a que merece mais preocupação e que os ventos estão a dificultar o combate às chamas.

O fogo levou, esta manhã, ao corte da A13, no nó de Avelar. Continua também cortado o trânsito no IC8, a via que liga Pombal a Vila Velha de Ródão, no nó da zona industrial, bem como dois troços da Estrada Nacional 2.

Questionado sobre as dificuldades sentidas no combate ao fogo, Jorge Gomes diz que estão a ser utilizados os meios que as circunstâncias permitem e, depois de os meios aéreos não terem podido atuar logo desde as 08:00 devido a uma cortina de fumo, um Canadair espanhol já está neste momento no local.

“Estamos a lutar, os nossos operacionais de excelência estão a lutar e vamos vencer esta luta”, afirmou.

Sobre a área ardida, Jorge Gomes disse que já foi feita uma primeira vistoria mas uma análise mais minuciosa terá de esperar e acrescentou que no local estiveram membros da comissão parlamentar de Agricultura, que possui um grupo de trabalho para os incêndios, que vieram transmitir a sua solidariedade.

Três dias de luto nacional

O Governo decretou entretanto três dias de luto nacional. O Conselho de Ministros aprovou um decreto que declara luto nacional entre hoje e terça-feira, pelas vítimas do incêndio que deflagrou no Município de Pedrógão Grande e afetou vários concelhos.

Em comunicado, o Governo adianta que este decreto foi aprovado “fazendo uso da faculdade de deliberação eletrónica prevista nos termos do Regimento do Conselho de Ministros”.

O decreto, lê-se no comunicado, “produz efeitos a partir do dia 18 de junho de 2017 [hoje] e entra imediatamente em vigor”.

Ao início da tarde, o primeiro-ministro António Costa chegou a Pedrógão Grande, onde disse aos jornalistas que “chegará o momento de apurar o que é que aconteceu”. “Sabíamos que era um dia de risco, houve mais de 56 incêndios, e este teve uma dimensão de tragédia humana de que não havia memória”.

O primeiro-ministro explicou ainda que “a prioridade tem sido dada ao combate aos incêndios que ainda estão a lavrar, à identificação das vítimas, não só as que já foram encontradas como porventura as que ainda vamos encontrar, porque há zonas a que ainda não conseguimos ter acesso, e prever o que pode acontecer logo à tarde”, referiu, acrescentando que são esperadas condições meteorológicas semelhantes às de sábado, dia em que o incêndio deflagrou.

Costa frisou ainda que já recebeu manifestações de solidariedade de todos os líderes políticos da Europa e que teve oportunidade de falar com todos os líderes partidários nacionais. “Quero sublinhar o grande sentido de unidade nacional com que o país está a enfrentar esta tragédia”.

PJ no terreno

O cenário na zona onde lavra o incêndio é de um castanho queimado, constatou já esta manhã o repórter do DN no terreno. As chamas estiveram a 50 metros do centro de Pedrógão Grande.

A PJ está já a trabalhar no levantamento dos corpos; equipas no terreno estão a fazer deteção de cadáveres, dando depois informação à Polícia Judiciária, que os recolhe.

O diretor nacional da Polícia Judiciária revelou entretanto que o incêndio que deflagrou no sábado no concelho de Pedrógão Grande teve origem numa trovoada seca, afastando qualquer indício de origem criminosa. “A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio”, disse Almeida Rodrigues.

O Presidente da República suspendeu a agenda até terça-feira devido ao incêndio de Pedrógão, disse à agência Lusa fonte de Belém. Marcelo Rebelo de Sousa tinha agendado para hoje a entrega do Prémio D. Diniz, da Fundação da Casa Mateus, ao escritor Mário Cláudio.

Diário Notícias – Portugal

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